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Jovens melhor preparados arranjam trabalho

Manuela Gomes | Namibe

Os cinco centros de formação profissional da província do Namibe, afectos ao Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFOP), já puseram no mercado de trabalho mais de quatro mil jovens com diversas especialidades, nos últimos 12 anos.

Curso de electricidade é um dos mais procurados pelos jovens nos centros e pavilhões de formação profissional da província do Namibe
Fotografia: José Soares

O director do INEFOP no Namibe, António Lufuma, referiu que estes jovens fizeram formações nas áreas de electricidade de baixa tensão, carpintaria, canalização, corte e costura, informática, contabilidade e gestão, serralharia civil e agropecuária.
Os cursos ministrados nos cinco centros têm uma estrutura modular, adaptável ao mercado de trabalho local, o que permite aos formandos estarem em condições de aplicar os conhecimentos adquiridos com competência, capacidade, destreza e servir melhor o empregador.
Depois de terminarem a formação, os jovens são inscritos no centro de emprego, também tutelado pelo INEFOP, para que esta instituição faça a orientação profissional.
Grande parte deles tem-se habilitado a postos de trabalho nas empresas de construção civil e esta articulação tem sido feita através do centro de emprego, que trabalha com as empresas, uma vez que elas comunicam as vagas que possuem e os jovens saídos dos centros de formação são sempre os mais beneficiados, por estarem certificados e profissionalmente apurados.
Abel Mussungo, trabalhador de uma empresa de construção há já três anos, é um dos muitos jovens que passou por um centro do INEFOP, antes de conseguir o primeiro emprego.
Devido à qualidade da formação, considerou que os jovens devem procurar os centros de formação profissional, para obterem um ofício e, desse modo, conseguirem um emprego com mais facilidade. “Fui vendedor no mercado 5 de Abril durante muito tempo por falta de formação profissional, mas um familiar alertou-me para a existência de um centro no Namibe e comecei a frequentar o curso de construção civil. Actualmente estou a trabalhar para uma construtora", disse.
Depois de terminar o curso de serralharia, Camuele Calei recebeu um conjunto de instrumentos de trabalho através do programa Angola Jovem e abriu o seu próprio negócio. Hoje, trabalha com mais três jovens e não hesita em apontar o centro de formação profissional como a salvação dos jovens que não tem possibilidade de frequentar as escolas do ensino regular, principalmente o ensino superior.
“Ao frequentarem o centro, que dá os cursos gratuitamente, facilmente adquirem o primeiro emprego para sustentarem os seus familiares e darem emprego a outros que necessitam”, refere.
O centro de formação profissional de construção civil do município sede é o mais antigo, seguindo-se o centro integrado de emprego e formação profissional do Tômbwa e os pavilhões do município do Virei e da comuna da Lucira, além de uma oficina de artes e ofícios no município de Camucuio. Estes estabelecimentos são maioritariamente frequentados por jovens, que procuram a melhor maneira de encontrarem o primeiro emprego, desmobilizados de guerra e outros desempregados, ou aqueles que querem ter uma melhor qualificação e aperfeiçoamento profissional.
O Jornal de Angola constatou que algumas especialidades estão a perder interesse para os jovens, como é o caso da carpintaria, agropecuária e corte e costura, de acordo com o director António Mufuma.
A formação nos centros é grátis, assim como os apoios, já que o INEFOP é um instituto público que, nos termos da lei, goza de autonomia administrativa e financeira para, de forma pontual, adquirir os materiais consumíveis para a formação.
“Há quatro anos, os jovens não davam muita importância à formação profissional, mas hoje sentimos que a população reconhece as vantagens de frequentar os nossos centros, porque nem todos têm a possibilidade de fazer a faculdade", salientou o director.
 Em qualquer parte do mundo, prosseguiu António Lufuma, a formação profissional não é apenas uma alternativa, mas também uma opção para muitos jovens que querem ter sucesso na vida.
O sector empresarial não precisa só de licenciados, salientou, e as empresas que vão surgindo precisam de técnicos capazes de levar a cabo as tarefas inerentes à sua actividade, a exemplo de muitos técnicos que trabalham nas empresas petrolíferas e antes passaram pelos centros de formação. “O nosso apelo é dirigido aos jovens, no sentido de procurarem os centros de formação, em vez de ficarem nas praças ou mercados paralelos com negócios temporários, que nem sempre ajudam, por ser algo pontual e sem sustentabilidade”, alertou.

Mais centros

O Plano Nacional de Formação de Quadros, concebido no âmbito do Programa Nacional de Desenvolvimento do Executivo para o quinquénio 2013/2017, prevê a construção de novos centros de formação profissional na província do Namibe, principalmente no município sede. Com a construção de novos centros profissionais vai aumentar significativamente a capacidade formativa instalada e utilizada a nível da província.
Actualmente, são formados 500 profissionais por ano, número considerado irrisório em termos de população total da província. Este plano contempla, também, uma série de formações profissionais, desde técnica de formadores, psico-pedagógica e pedagógica, que visam aferir competências para os formadores poderem transmitir da melhor forma os conhecimentos.
Estas formações começaram no ano passado e prosseguem, de a­cordo com o Plano de Formação de Quadros, que visa fazer com que os formadores, que são os principais agentes do sistema, sejam mais competentes e os formandos melhor preparados.
O plano, acrescentou, prevê ainda a formação dos gestores dos centros e de todos aqueles que gerem as unidades formativas.

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