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Melhora saúde em Vitchiaviva

João Upale e Baptista Marta | Vitchiaviva

Eram 11h45, de quarta-feira, 21, quando Nene Watema, uma jovem que agora se torna mãe, pela primeira vez, aos 18 anos de idade, dava à luz a uma menina, no único posto de saúde da localidade de Vitchiaviva, comuna do Cainde, município do Virei, província do Namibe, momentos antes da sua inauguração pelo governador Álvaro Boavida Neto.

 

Uma vista da unidade sanitária inaugurada quarta-feira na aldeia de Vitchiaviva
Fotografia: João Upale

Eram 11h45, de quarta-feira, 21, quando Nene Watema, uma jovem que agora se torna mãe, pela primeira vez, aos 18 anos de idade, dava à luz a uma menina, no único posto de saúde da localidade de Vitchiaviva, comuna do Cainde, município do Virei, província do Namibe, momentos antes da sua inauguração pelo governador Álvaro Boavida Neto.
A recém-nascida, com  2,5 quilogramas de peso, passa bem e chama-se Camunheira, sobrenome da administradora municipal do Virei.
Ainda não refeita das dores do parto, Nene Watema recorda que, no domínio da assistência materno-infantil, as carências eram tão gritantes, que dar à luz em Vitchiaviva, para muitas mães, sobretudo jovens, era difícil, doloroso e arriscado. Agora, com o novo posto de saúde, em Vitchiaviva, já se nasce sem riscos.
O governador do Namibe, Álvaro Manuel de Boavida Neto, positivamente surpreendido com o nascimento do primeiro bebé antes mesmo da sua comitiva chegar ao local para inaugurar o posto de saúde, emprestou o seu calor e solidariedade à mãe da pequena Camunheira.
O posto de saúde agora inaugurado é o único da aldeia. Antes, as parturientes estavam entregues à sua sorte ou a parteiras tradicionais, que, mesmo sendo experientes, estavam sujeitas aos riscos próprios de partos realizados sem as condições técnicas mínimas que se requerem.
Vitchiaviva, a par de Mongotunda, são as primeiras localidades da comuna do Cainde, município do Virei, que há cerca de oito anos acolheram o governador Boavida Neto, depois de nomeado para conduzir os destinos da província do Namibe. As duas aldeias viviam então problemas muito graves, cuja solução não se descortinava fácil, devido à distância que as separa da sede municipal, juntando-se a isso as péssimas vias de acesso.
Em casos mais graves, as populações de Vitchiaviva recorriam ao centro médico do Virei, a 300 quilómetros de distância, ou ao posto de saúde da comuna do Cainde, que fica a 150 quilómetros da aldeia.

 Executivo garante apoio

Os serviços de saúde antes existentes, no posto de saúde de construção precária na própria localidade da Vitchiaviva, ou mesmo da sede comunal do Cainde, estavam muito longe de satisfazer as populações locais. Não apenas por falta de enfermeiros suficientes e meios de transportes, como ambulâncias, mas sobretudo porque os poucos enfermeiros tinham apenas formação de base e as distâncias entre a aldeia e a sede municipal eram tão grandes, que as pessoas, em última instância, preferiam deslocar-se à província da Huíla, com passagem pela Chibia, que está mesmo ao lado, para terem assistência médica e medicamentosa.
O director provincial em exercício da Saúde do Namibe, Mucuambi Sapalalo, assegurou que a extensão da rede sanitária àquela localidade e noutras está entre as grandes preocupações do Governo Central e da província.
“Com a inauguração deste posto de saúde estamos convencidos que as populações locais serão bem servidas”, disse Mucuambi Sapalalo.
Já o enfermeiro chefe do novo posto de saúde, Pascoal Francisco, apesar de se mostrar preocupado com a falta de uma ambulância para a transferência dos casos mais graves para a sede municipal, afirma a jornalistas que “temos estado a prestar um serviço razoável às pessoas, muitas delas vindas de outras aldeias longe de Vitchiaviva”.
Com boas condições infraestruturais e um bom stock de medicamentos para o atendimento diário dos pacientes, o novo posto de saúde clama, contudo, por um gerador de energia eléctrica e por uma fonte de abastecimento de água.
“Esta era uma terra onde, a par de outras localidades, há vários anos os pacientes eram atendidos num posto de saúde de pau-a-pique”, explica o enfermeiro chefe do posto de saúde, notando que a obra não só veio melhorar a imagem da aldeia, como também a assistência prestada aos pacientes.

Educação
 
A localidade da Vitchiaviva, um importante nó de ligação com a província da Huíla, tem agora uma escola com três salas de aulas para 210 alunos, distribuídos em dois turnos, inaugurada em simultâneo com o posto de saúde. Os dois empreendimentos fazem hoje o orgulho da população local, que conta agora com mais crianças a estudar.
O responsável local do sector da Educação, Muhembelo Pereira Magalhães, admitiu, porém, que algumas crianças ainda continuam fora do sistema de ensino, devido, sobretudo, ao nomadismo das populações locais ou à transumância a que são forçadas para abeberar o gado. Um quadro que pode mudar se um aturado trabalho de mobilização e sensibilização dos pais obrigar a que os rebentos fiquem na aldeia para estudar enquanto eles vão levar o gado a abeberar.
Aquele responsável disse ainda que nas condições em que davam aulas era difícil esperar por bons resultados, porque as crianças fugiam das salas de aulas por causa das chuvas e dos incómodos da presença de cobras, lagartos, lacraus, entre outros bichos. Contou que desde a construção da escola na aldeia, em 2007, matricularam-se 177 alunos, mas neste momento apenas 52 estudam.
Na mensagem de agradecimento pela nova escola, as crianças locais exortam o governo da província que continue a implementar o programa de merenda escolar em todas as localidades, de forma a se evitar a desistência.
O governo da província do Namibe construiu na aldeia de Mongotunda uma escola e um posto de saúde, bem como seis residências sociais do tipo T2 para enfermeiros e professores, no quadro do Fundo de Gestão Municipal.
Técnicos de Saúde e da Educação dessas duas povoações disseram que a construção de infra-estruturas sociais de raiz vai ajudar na fixação de muitos quadros em aldeias, comunas e municípios do interior, o que será uma mais valia no combate ao analfabetismo e às diversas epidemias que assolam as populações.
“Os nossos filhos vão poder agora estudar muito bem, os doentes também vão ser bem tratados, porque o nosso Governo fez muito por nós para que não padecéssemos constantemente”, disse um soba presente em Vitchiaviva no acto de inauguração do posto de saúde e da escola primária.
A administradora municipal do Virei, Amélia de Jesus Alberto Camunheira, disse que, apesar dos poucos recursos financeiros de que dispõe o Fundo de Gestão Municipal, “foi possível dar este primeiro passo para minimizar as carências das populações de Vitchiaviva e Mongotunda”.
Ela encorajou a população a cuidar das estruturas físicas ora inauguradas e às mulheres grávidas pediu que acorram aos postos de saúde para consultas pré-natais e outras.
No acto político de massas na localidade de Mongotunda, Amélia Camunheira garantiu que, no âmbito do Programa “Água para Todos”, de iniciativa presidencial, o seu executivo vai procurar resolver o problema do fornecimento de água à população local, ao mesmo tempo que prometeu a implantação nessas povoações de meios de informação, como a Rádio e Televisão, para além de antenas parabólicas e meios de transportes, a fim de minimizar os problemas sociais dos quadros, que, com abnegação, prestam um excelente serviço àquelas populações do interior do Namibe.
Aquele governante disse que estava assim concluído um projecto integrado, feito a nível daqueles aglomerados populacionais onde se justificava a existência de infra-estruturas básicas, notadamente a construção de uma escola com três salas de aulas, um centro de saúde, para atender as populações, além de residências para acomodação dos enfermeiros e professores.
 
Cainde já tem água potável
 
Na sede comunal de Cainde, a água potável já jorra nas torneiras, com a inauguração, quarta-feira, pelo Governador da província, do sistema de canalização e fornecimento. O administrador comunal, Inácio Paquete, disse que seis mil pessoas passam a beneficiar de água nesta primeira fase.
A população, satisfeita, prometeu conservar este grande empreendimento social, que considera ser “um dos maiores feitos do governo na vida útil dos cidadãos”.
A execução do projecto, a cargo da empresa Emancil Lda, com sede e filiais na província de Benguela, ficou orçado em 26 milhões 500 mil kwanzas, segundo o encarregado da obra, Paulo Monteiro.
A instalação do sistema de abastecimento de água no Cainde teve início o ano passado. O transporte de água, desde a principal área de captação no rio Xakutu para a sede comunal, numa distância de 8 quilómetros, é feito através de tubos galvanizados.

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