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Minha planta é minha xará

Manuel de Sousa | Namibe

O projecto de arborização “Minha Planta, Minha Xará”, lançado na primeira quinzena de Maio, no município do Tômbwa, pelo Governo do Namibe, vai combater a desertificação.

Projecto uma criança uma árvore pretende travar o deserto e garantir um futuro sadio
Fotografia: Jornal de Angola

O projecto de arborização “minha planta minha xará”, lançado na primeira quinzena do mês de Maio no município do Tômbwa pelo governo da província com vista ao combate à desertificação, vai permitir também a requalificação e embelezamento das casas e ruas das cidades, comunas e povoações.
O Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) está a desenvolver uma projecto na vila piscatória do Tômbwa que tem como meta, numa primeira fase, plantar 3.112 árvores de diversas espécies entre as quais fruteiras típicas do deserto, informou o responsável do sector, Artur Neto.
“Este projecto começou com a distribuição de plantas porta a porta aos munícipes. A adesão é boa, a população está a cumprir devidamente, fruto da sensibilização feita pela Administração Municipal e pelos nossos técnicos”, disse Artur Neto.
O combate à desertificação, a criação e melhoria dos espaços verdes e travar a invasão de areias nas casas e ruas são desafios do Instituto de Desenvolvimento Florestal, da Administração Municipal e de todos os residentes do Tômbwa.
“O problema da desertificação é de âmbito ambiental, por isso deve ser combatido por todos. O projecto minha planta minha xará, elaborado pela governo da província, é bem-vindo, já que vai aumentar a cintura verde do município do Tômbwa e travar o avanço das areias que estão a invadir as habitações e as ruas”, referiu Artur Neto.
O governo da província disponibilizou baldes, enxadas e uma cisterna de 25 mil litros para regar as plantas de forma mecanizada, usando o sistema gota a gota.
Apesar do projecto já ter começado, o trabalho de sensibilização das populações continua. Na óptica do responsável do Instituto de Desenvolvimento Florestal no Tômbwa, “existem ainda pessoas que em vez de participarem no projecto destroem as plantas e usam as árvores como fonte de energia. Por isso, o apelo que lançamos às nossas populações é de participarem nas actividades e que deixem de destruir o que está feito e tenham consciência de que o Governo está a gastar muito dinheiro para cuidar do Ambiente”.
João Tchilanga, jovem estudante, disse que o projecto “minha planta minha xará” é uma “boa atitude do governo, visto que o avanço das areias para dentro da cidade é um problema social que afecta a todos e tira a estética ao município”. Acrescentou que “participar activamente na plantação e rega das plantas é uma forma de combater a desertificação e também travar as areias que entram na cidades com as fortes ventanias que se fazem sentir a certa altura do ano e tendem a cobrir as ruas e até a invadir as casas”.
O mesmo recado tem sido passado aos alunos e crianças no sentido de participarem nas campanhas de plantação e rega das árvores, com vista a dar um colorido ao Tômbwa. O professor Adelino Passos, membro da Juventude Ecológica de Angola (JEA) e activista contra a desertificação, disse à reportagem do nosso jornal que a associação a que pertence está a acompanhar todos os projectos ligados ao ambiente que o governo tem desenvolvido. 
“A zona sul do município do Tômbwa é a mais afectada, por isso o meu apelo vai para todos os jovens no sentido de participarem nas actividades que o governo planifica, porque temos que ser mesmo nós a combater este mal”.
Adelino Passos acrescentou que “nesta altura já temos 30 mil árvores plantadas”.

Iniciativa governamental

O projecto “minha planta minha xará” é uma iniciativa apresentada pela governadora provincial do Namibe, Cândida Celeste. Tem como objectivo fundamental a participação da sociedade no combate à desertificação.
O desafio envolve várias franjas da sociedade, com destaque para as crianças e jovens, fazendo-as participar em campanhas de plantação e rega das árvores. O projecto tem um aspecto importante de pedagogia ambiental, para além de, no caso do Tômbwa, ter um efeito prático e imediato de contenção do deserto.
O director provincial da Agricultura, Gabriel Félix, disse, no lançamento do projecto no município do Namibe, que teve lugar na escola do primeiro ciclo 1º de Maio, que a perspectiva é tornar mais verdes as escolas e hospitais. Referiu que o projecto prevê plantar, só na cidade do Namibe, mais de duas mil árvores como palmeiras reais e acácias rubras numa cobertura de seis hectares.
“Lançamos o apelo a todos os órgãos estatais e privados envolvidos nesta campanha para que se empenhem mais a plantar e cuidar das árvores durante o seu crescimento”, disse Gabriel Félix.
O responsável provincial da Agricultura acrescentou que “aderindo a este projecto estaremos a cuidar de nós próprios”.

Lucira e Bentiaba
 
Na comuna da Lucira, uma das zonas mais críticas da província, do ponto de vista da arborização, a governadora Cândida Celeste apelou à população para abraçar activamente o projecto, “porque as plantas fazem falta para a saúde”.
A governadora disse ainda que “há muita poeira nesta localidade, chove pouco, então, se não tivermos plantas, as pessoas não têm saúde, existem plantas típicas para este terreno que não precisam de muita agua”.
Cândida Celeste aconselhou a população a combater a desertificação com a plantação de árvores, como forma de agradecimento ao governo pela canalização de água na comuna.
“Vamos todos plantar árvores. Por cada bebé que nasce plantamos uma árvore com o seu nome. Quando a criança crescer a planta também será uma árvore grande. Em pouco tempo teremos as nossas cidades, vilas e aldeias cheias de árvores e a população terá muita saúde”.
Ainda na comuna da Lucira, a governadora aconselhou as mães a alimentarem os seus filhos à base de verduras.: “mas para tal é necessário plantar, cuidar da rega e evitar que os vândalos destruam as plantas e as usem como fonte de energia, produzindo carvão e lenha”. 
No município do Bentiaba o nível de desenvolvimento agrícola foi elogiado pela governadora Cândida Celeste. 
“Estamos muito orgulhosos pelo trabalho que estão a fazer no sector da agricultura. Há muita banana, mandioca, tomate e outros produtos do campo, que para além do sustento permitem o bem-estar, porque as plantas proporcionam um bom ar para respirar”, disse a governadora.

Juventude Ecológica

Rafael Daniel, coordenador provincial da Juventude Ecológica de Angola (JEA), considera louvável a iniciativa ambientalista do governo provincial.
“É nosso dever, enquanto ambientalistas, participar em todos os projectos do Governo ligados ao bem-estar das populações”, afirmou. A Juventude Ecológica de Angola, para além da plantação de árvores, tem também realizado campanhas de limpeza das praias, cuidado dos jardins e sensibilizado os jovens, principalmente os estudantes, no sentido de participarem nas campanhas de plantação de árvores nas suas escolas, casas e ruas.

Exemplos inovadores

Alguns países ameaçados com o avanço do deserto têm estado a adoptar políticas de contenção inovadoras, algumas das quais inéditas e de cumprimento obrigatório.
Este é o caso do Estado de Israel, onde o registo dos recém nascidos depende da plantação de uma árvore pelos  progenitores. O conservador só faz o registo e manda passar a cédula de nascimento depois de confirmada esta formalidade.

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