Províncias

Mulheres são as mais interessadas em aprender

João Upale| Namibe

O Programa de Aceleração Escolar na província do Namibe está a dar passos significativos, com a inserção de milhares de jovens e adultos no processo de ensino e aprendizagem.

Aulas de alfabetização têm maior participação feminina situação que deixa as autoridades da província preocupada
Fotografia: Francisco Bernardo

O coordenador provincial da Alfabetização, Serafim Miguéns, disse que se pretende mobilizar permanentemente as pessoas, no sentido de manter a motivação para continuarem a assistir às aulas. “Temos pedido, sobretudo aos alfabetizadores, para passarem a mensagem de encorajamento durante a interacção diária com seus alunos. O Executivo tem uma meta a cumprir, à luz dos objectivos de Dakar e do Milénio, de modo a erradicar o analfabetismo em África”, esclareceu.
Na primeira fase do processo de alfabetização, estiveram inicialmente inscritos no subprograma metodológico “Gostar de ler e escrever” 13.274 alfabetizandos, dos quais 5.200 ficaram aprovados, 3.451 foram reprovados e 4.623 desistiram.
Na segunda fase do processo, iniciado a 28 de Julho, inscreveram-se 448 alfabetizadores.

Dados provisórios

Dados provisórios fornecidos pela coordenação da Alfabetização na província, indicam que no município do Namibe foram inscritos 3.244 alfabetizandos, na Bibala 1.034, Camucuio 967, Tômbwa 1.192 e Virei 513.
A segunda fase arrancou com o método “Sim, eu posso”, que veio auxiliar o anterior e tem a coordenação e assessoria de técnicos cubanos, contratados para um período de três anos. O município da Bibala prevê criar 12 pontos de alfabetização para a aplicação do método “Sim, eu posso”, mas a falta de energia eléctrica tem condicionado o arranque das aulas.
Neste momento, a localidade tem apenas três pontos a funcionar, com sete facilitadores.
O coordenador provincial da Alfabetização no Namibe, Serafim Miguéns, disse que no Camucuio a previsão era criar dois pontos, mas a coordenação da alfabetização e a assessoria cubana preferiu desenvolveu, no município, um trabalho de formação metodológica.
Quando foi introduzido o método, constatou-se a falta de condições para o seu arranque e o assunto ficou adiado para o próximo ano, se eventualmente forem criadas as condições inerentes ao fornecimento permanente de energia eléctrica.
Dos 14 pontos previstos para o Tômbwa, apenas metade estão a funcionar, com sete facilitadores para 145 alfabetizados.
O município do Virei conta com dois, dos três previstos: um na comuna do Cainde  e outro na sede da vila, com 36 alunos.
No município do Namibe, os 27 pontos estão todos em pleno funcionamento, com 31 facilitadores, para um universo de 821 alunos inscritos.
 
Homens em minoria

As mulheres  na província do Namibe são as que mais interesse têm mostrado em aprender. Para a metodologia “Gostar de ler e escrever”, estão inscritas, no município da Bibala, 649 mulheres, Camucuio 512, Tômbwa 967, Namibe 2.293 e Virei 297.
Nos dois métodos, o Namibe só têm inscritos 951 homens, num universo de 3.244 alunos. No método “Sim, eu posso”, as mulheres são 584. Em relação à aquisição de material didáctico, Serafim Miguéns disse que ele é fornecido pela direcção Nacional de Educação de Adultos.
O coordenador da Alfabetização referiu que as condições de trabalho têm de ser melhoradas. Lembrou que há dois anos a instituição funcionava na escola 11 de Novembro, no Bairro Cassanje, num espaço bastante reduzido e com dez funcionários.
Actualmente, o organismo está acoplado à escola Kumangala, no Bairro Forte Santa Rita, num espaço melhor. Serafim Miguéns louvou todo um apoio para que o programa tenha êxito. Além disso realçou a falta de transportes para reforçar do trabalho de supervisão, principalmente no interior da província, onde tem sido dificil actuar,  por falta de meios. 
Para uma boa mobilidade dos técnicos para as áreas longínquas, o coordenador diz ser necessário apoiá-los, pelo menos, com mais quatro viaturas para garantir estes dois grandes projectos. 

Tempo

Multimédia