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Namibe aposta na exploração de mármore e outros mineiros

João Upale | Moçâmedes

O Namibe é a província que possui as maiores reservas de mármore no país, existindo potencial para consolidar a sua posição como exploradora, face ao crescimento da procura internacional, afirmou o governador provincial.

Estudos revelam que a província do Namibe é considerada como a que possui as maiores reservas de mármore do país
Fotografia: Arimateia Baptista | Edições Novembro | huíla

Archer Mangueira, que discursava em Moçâmedes, na cerimónia de abertura do Workshop sobre “o potencial dos recursos mineiros da província do Namibe”, assinalou a importância que o Governo local atribui ao encontro, destinado à identificar, com base em critérios técnicos, científicos e económicos, o potencial geológico mineiro da província.
Além do mármore e granito, apontou o governador, o Namibe tem um potencial mineiro vasto. “É uma província rica em pedras preciosas, como a turmalina, o quartzo, cobre, ouro, crómio, titânio, níquel, manganês, platina e outras”, enumerou.
Para a sua exploração, disse, importa fixar na província o potencial da sua transformação, retendo o maior valor acrescentado possível. Poderão ainda haver oportunidades de capitalização do potencial deste sector, através da construção da siderurgia prevista para a produção de varão de aço, para a construção e apoiar na dinamização da exploração de ferro de Cassinga, província da Huíla, através do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes (CFM).
A bacia do Namibe oferece, também, um potencial de hidrocarbonetos. O governador Archer Mangueira disse estar particularmente atento à diversidade dos projectos e a sua “firme intenção” está ligada à inter-relação desses mesmos projectos, complementaridade e eficiência, com vista a conter gastos desnecessários.

Evitar gastos
“Hoje, mais do que nunca, temos que evitar gastos desnecessários e redundantes e assegurar a sustentabilidade dos projectos”, garantiu, acrescentando que enquanto governador do Namibe, tudo fará para que os projectos tenham “efectivamente” condições para se desenvolverem e para entregar às populações os resultados que permitam transformar a vida das pessoas, sem no entanto o pelouro que dirige e os envolvidos serem “coniventes” com projectos que apregoam soluções mágicas e ao fim de pouco tempo se transformam em meros “esqueletos de infra-estruturas inacabadas e dinheiros públicos mal gastos”.
Archer Mangueira está confiante no “bom resultado”, porque, segundo disse, estar a trabalhar com as equipas, para que se conceba e se desenvolva uma articulação harmoniosa e, acima de tudo, eficiente, entre Luanda - região – província.
Insere-se nessa articulação a dimensão regional da geração, transporte e uso de energia eléctrica, recurso fundamental para a eficiência de qualquer indústria e concomitantemente para o bem-estar das populações, referiu o governador.

Vector de desenvolvimento
Para Archer Mangueia, o bom aproveitamento dos “nossos recursos naturais” vai servir de salvaguarda da sua sustentabilidade, por se identificar como um dos vectores de desenvolvimento para o Namibe, em articulação e sintonia com o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN).
O governador realçou que a exploração geológica mineira eficiente insere-se nesta visão integrada de desenvolvimento e, por outro lado, permite utilizar o potencial de recursos de que a província dispõe noutros domínios, nomeadamente o potencial humano.
Desde logo, a preocupação do Governo da província é obter melhorias, “tão rápidas quanto possíveis”, nas redes de transportes e logística, de modo a agilizar as comunicações e o escoamento e assim promover o crescimento da economia da região.
Archer Mangueira falou ainda da importância de associar o potencial humano a todos os projectos de exploração, extracção e transformação dos recursos naturais. O governador disse está preocupado coma a formação das novas gerações, no âmbito de todos os projectos.
Lançar as bases para a criação de empregos é o “objectivo imediato”, para o governador do Namibe.
O governador lembrou que o Executivo melhorou as condições da atractividade para o investimento privado, incluindo investimento directo estrangeiro. “Dispomos hoje de um quadro legal, que se aproxima das melhores práticas internacionais, no plano do direito das sociedades comerciais e na movimentação de capitais”, frisou, para acrescentar que uma vez identificado o potencial e definida a visão para o desenvolvimento, “serão capazes” de reforçar o investimento privado na província, tanto nacional como estrangeiro.
O governador augura que do seminário surjam bons resultados, para o trabalho de identificação do potencial geológico mineiro da província.Durante o seminário, prestigiado pelo ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo, foram abordados temas como “quadro global do potencial geológica-mineiro e aquífero da província do Namibe”, “potencial em hidrocarbonetos-offshore e onshore”, “projecto minério - siderurgia de Cassinga”.
“Outorga de licenças e estratégias sobre a exploração dos recursos minerais”, “apresentação das análises trimestrais do mercado de rochas ornamentais (perspectivas da sua realização no Namibe) ”, bem como a “regulação de comercialização de combustíveis”, “Mapeamento de postos de abastecimento, delimitação de competências para construção de PA”, e a contribuição das operadoras petrolíferas às energias alternativas (caso do projecto de energia solar com a Eni-Itália), constam também entre os temas debatidos no encontro.

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