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Namibe pretende recuperar produção de sal

Baptista Marta |

Considerado um dos potenciais produtores de sal do país, a província do Namibe conheceu durante o período pós independência uma redução drástica na produção deste produto, devido ao facto de os produtores terem caído na falência, o que levou a maioria destes a abandonar esta actividade.

A província já foi uma das maiores produtoras de sal e exportava até para o exterior
Fotografia: Afonso Costa

Considerado um dos potenciais produtores de sal do país, a província do Namibe conheceu durante o período pós independência uma redução drástica na produção deste produto, devido ao facto de os produtores terem caído na falência, o que levou a maioria destes a abandonar esta actividade.
Ainda assim, e graças aos apoios que o Executivo, através do Ministério das Pescas, vem prestando, alguns empresários querem voltar à carga e já estão a trabalhar com afinco para a recuperação dos índices de produção perdidos desde a década de 90. A tarefa, entretanto, não está facilitada, uma vez que a crise foi agravada pelas cheias que se registaram nos últimos anos (2001, 2005 e 2009), afectando os municípios do Namibe e Tômbwa, este último considerado maior produtor de sal.
Fernando Gomes Solinho, sócio-gerente da empresa Sal do Sol do Namibe, cotada como a maior produtora de sal a nível da província, confirma o facto, acrescentando que as cheias imprevistas dos últimos tempos destruíram os canteiros, assim como o sal que se encontrava em fase de secagem, incluindo as vias que servem o seu escoamento.
“Para reactivar o processo produtivo a empresa Sal do Sol precisou de algum tempo. Fomos obrigados a imprimir algum esforço suplementar para acelerar o processo de reparação dos danos e recolher o sal”, disse, referindo que tais situações provocam sempre prejuízos financeiros avultados.
A Sal do Sol planificou para o presente ano uma produção estimada em seis mil toneladas daquele produto. Desta quantidade, disse, para além do mercado interno, grande parte destina-se às Forças Armadas Angola Angolanas (FAA).
Fernando Solinho precisou que devido aos constrangimentos provocados pelas cheias, a produção do sal em algumas unidades desta parcela do país nunca atingiu os níveis desejados. Entre as consequências deste facto, podem estar o não pagamento em tempo real do salário aos operários, entre outros compromissos das empresas. O responsável da empresa disse que necessita de uma injecção financeira de pelo menos um milhão de dólares para permitir que a fábrica possa modernizar-se e continuar a produzir também sal qualificado.
O sal processado nas Salinas Sal do Sol, cuja força de trabalho é de 113 trabalhadores, é tratado com iodo (elemento químico para prevenir o bócio, doença que consiste no aumento da glândula tiroideia), fornecido gratuitamente pela UNICEF, como garantiu a nossa fonte. Informações disponíveis apontam que o sal da província do Namibe há muito deixou de atravessar as fronteiras de países vizinhos, sobretudo dos dois Congos, devido a factores de ordem conjuntural. Dados disponíveis dão conta que Angola importou, em 2009, 17,5 milhões de toneladas de sal contra 3,1 milhões de toneladas em todo o ano anterior. Os maiores fornecedores são Portugal, Namíbia, África do Sul, França e Egipto.
O maior índice de produção no país foi em 1990, ano em que Angola chegou às 73 mil toneladas. A partir de 1993, a produção foi decrescendo devido as condições ambientais e ao estado obsoleto dos equipamentos. A partir de 2002, têm sido feitos novos investimentos e a produção e iodização do sal tem apresentado várias flutuações.

Como o sal é produzido nas salinas do Namibe

O processo de extracção do sal marinho divide-se em três etapas: a concentração da água do mar, a cristalização do cloreto de sódio e a colheita e lavagem. Por utilizar processos naturais, a produção do sal sofre influência do clima e é programada de acordo com as estações de seca e de chuvas: o bombeamento, concentração e cristalização da água do mar começam em Junho/Julho, na estação seca. A colheita e a lavagem do sal cristalizado são feitas entre Agosto e Fevereiro. De Março a Maio, período de chuvas da região salineira, o processo é interrompido. Esse tempo é dedicado à manutenção e ao preparo da nova safra.

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