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Novas infra-estruturas melhoram vida comunitária

Manuel de Sousa |Lucira

A população da comuna da Lucira, município do Namibe, situada a 210 quilómetros da sede da província, vai, dentro em breve, dispor de água canalizada e energia eléctrica. A garantia foi dada pela governadora Cândida Celeste, no âmbito da sua primeira visita de trabalho àquela localidade, desde a sua tomada de posse, em Janeiro último.

Mercado comunal da Lucira que já foi uma das grandes potências em termos de captura de pesacdo no país
Fotografia: João Upale

A população da comuna da Lucira, município do Namibe, situada a 210 quilómetros da sede da província, vai, dentro em breve, dispor de água canalizada e energia eléctrica. A garantia foi dada pela governadora Cândida Celeste, no âmbito da sua primeira visita de trabalho àquela localidade, desde a sua tomada de posse, em Janeiro último.
O administrador municipal, Armando Valente, que interveio sobre a questão, disse à nossa reportagem que a Direcção Provincial das Águas está a fazer tudo para solucionar o problema, nos próximos dias.
“O vice-governador António Correia esteve na comuna da Lucira algumas vezes, com equipas multi-sectoriais que integraram pessoal sénior da administração municipal, e estamos convictos de que este problema da água será resolvido brevemente”, garantiu.
A administração municipal adquiriu um gerador de 550 kva, uma capacidade cinco vezes superior à do que anteriormente fornecia energia eléctrica à comuna, tendo em conta a sua perspectiva de desenvolvimento. Mas a distorção da velha rede de distribuição faz com que o novo gerador continue fora de serviço, para evitar danos maiores aos consumidores. “Pensamos contratar serviços especializados para que façam a correcção das distorções identificadas, o que também é uma questão a ser resolvida a breve prazo”, disse Armando Valente.
A administradora da comuna da Lucira, Isaura Trindade, afirmou que a sua administração, além da questão da energia e da água, vive outras dificuldades no domínio da educação, como seja a falta de mais escolas e de professores. A sede comunal tem apenas três escolas primárias.
Referindo-se à área da Saúde, esclareceu que existe um centro médico com 24 camas e uma sala de parto. O centro materno-infantil está inoperante e a casa mortuária em fase de reabilitação. Acrescentou que as principais doenças são a malária, seguida das diarreias e das doenças respiratórias agudas.
Outros problemas que inquietam a administradora podem ser resolvidos, do seu ponto de vista, internamente, como são os casos da manga de vacinação e alguns chafarizes que apenas aguardam pela canalização, embora as três bombas instaladas se encontrem avariadas. Entretanto, a população tem sido abastecida com água potável através de um camião cisterna.
Frederico Faquinha, soba da comuna, reconhece o empenho do governo da província em melhorar a vida da população. Actualmente, segundo ele, começam a haver alguns sinais de desenvolvimento, graças à construção de obras sociais, concretamente escolas, o que tem permitido que as crianças frequentem as aulas, e o posto médico, que também tem dado alguma ajuda no tratamento das doenças.
Por isso, para o soba, a falta de água e energia é a grande preocupação da comunidade, embora esteja esperançado em que melhores dias virão, uma vez que recebeu garantias da governadora de que o problema será resolvido dentro de alguns dias.
“Agradecemos muito a visita da governadora. Ela aconselhou muito as mamãs a manterem as crianças limpas e a não deixarem de as levar à escola”, afirmou.
A comuna da Lucira, a par da vila piscatória do Tômbwa, era, no passado recente, uma das duas grandes potências de captura de pescado a nível do Namibe. Hoje, a produção baixou consideravelmente e Frederico Faquinha acusa as embarcações que fazem pesca de arrasto de serem responsáveis pela actual situação de crise. “Os cardumes estão cada vez mais distantes da praia, como consequência da pesca de arrasto”, constatou, acrescentando que “a maioria dos que pescam aqui fazem-no com barcos a remos”.
Para que a comuna volte aos tempos áureos, o soba defende a aquisição de barcos motorizados para que o pescador possa ir mais longe apanhar peixes diversos. “Aqui o peixe não passa de cachucho e sardinha”, lamentou.

Agricultura e comércio

Para além do pescado, a população da Lucira ainda tem, como fontes de subsistência, a agricultura, o comércio e a criação de gado bovino e caprino. Apesar de ser uma zona desértica, a comuna conta com uma fazenda e quintas que produzem hortícolas, como tomate de boa qualidade, beringela, mandioca e outros produtos do campo, que servem de fonte de abastecimento à população, melhorando a dieta alimentar.
Manuel Cambinda, residente na localidade há mais de 20 anos, está satisfeito com o crescimento que tem vindo a verificar-se na comuna no domínio das infra-estruturas escolares e sanitárias, mas também manifesta o seu descontentamento pela falta de energia eléctrica e água potável para o consumo da população e dos animais, bem como pela redução do pescado. “A comuna produzia muito peixe, vinham aqui muitos compradores de Luanda, Benguela, Huíla e outras províncias. Havia muito movimento em Lucira. Mas os arrastões fizeram fugir o peixe para bem longe e hoje, com a proibição da pesca do carapau, limitamo-nos a consumir sardinha e de vez em quando cachucho” desabafou.
A governadora tranquilizou a população, garantindo que os problemas da água e da energia vão ser resolvidos brevemente. “Já há perspectivas de virem a ser montadas bombas de água e colocados os cabos que fazem falta para a ligação eléctrica domiciliar. Vimos o gerador, agora vamos mandar uma empresa para a conclusão dos trabalhos. Tenho a esperança de que brevemente terão água potável e energia nesta grande vila”, assegurou Cândida Celeste.
A produção agrícola nas quintas e a comercialização dos produtos do campo no mercado comunal encheram de alegria a governadora, que aconselhou as mães a alimentarem os seus filhos com muitas verduras, para eles terem um crescimento saudável. Lamentou, porém, a falta de carapau no mercado e defendeu a necessidade da proibição da captura desta espécie para a sua reprodução. Aconselhou, por isso, a população a consumir sardinha, enquanto não se resolve o problema do carapau.
“Esta espécie também tem um tempo de crescimento, como as pessoas, se não a deixarmos crescer não teremos ovas nem peixe miúdo”, alertou.

Combate à desertificação

Cândida Celeste aconselhou a população a combater o deserto com a plantação de árvores. As plantas fazem falta para uma boa respiração. Há muita poeira nesta localidade, chove pouco, portanto, se não tivermos plantas não teremos uma boa respiração e assim as pessoas não terão boa saúde. Existem plantas típicas para este terreno que não precisam de muita água”, adiantou a governante.
À população prometeu locais para a construção de mais escolas, para que todas as crianças e adultos frequentem as aulas, aumentando assim o nível de escolaridade das pessoas e a compreensão dos fenómenos sociais, técnicos e científicos que acontecem no país e no mundo. Assegurou ainda que o centro de formação vai ser dotado de mais equipamentos, para que os jovens possam aprender um ofício e encontrem, depois disso, um emprego.
Nesta sua primeira deslocação à comuna da Lucira, Cândida Celeste visitou as escolas primárias nºs 137 e 17, os postos médicos e a central de captação de água das povoações de Inamangando, Carujamba e Tumbalunda.
As futuras instalações da administração comunal, o mercado municipal, o centro materno-infantil, a escola primária nº 54, o grupo gerador, a sede do instituto de pesca artesanal, mereceram igualmente a atenção e a visita da antiga governadora do Bié. No final, Cândida Celeste manteve um encontro demorado com os membros do conselho comunal de auscultação e concertação social e autoridades tradicionais.

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