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Onda de frio faz baixar níveis de captura de pescado

João Upale | Namibe

Os índices de captura do pescado na província do Namibe baixaram consideravelmente, devido à onda de frio que se faz sentir nesta época de cacimbo, altura em que o peixe faz-se mais fundo.

Director das Pescas Isaac Cativa
Fotografia: Afonso Costa

Os índices de captura do pescado na província do Namibe baixaram consideravelmente, devido à onda de frio que se faz sentir nesta época de cacimbo, altura em que o peixe faz-se mais fundo.
No segundo trimestre do presente ano, os níveis de captura rondaram entre as 1.851,6 toneladas de peixe, contra as 7.415 do trimestre anterior, incluindo o caranguejo que também é muito capturado nestas paragens.
O director provincial das Pescas, Isaac Cativa, revelou ao Jornal de Angola que as espécies mais capturadas foram a sardinha com 824 toneladas – correspondentes a 44 por cento do total –, a cavala com 307 toneladas, o carapau com 484, cachucho com 5,6, além do caranguejo com 156,7.
Sessenta empresas de pescas estão registadas na província do Namibe, sendo nove na zona de pesca Norte, com sede na Lucira, 20 no centro, com sede na cidade do Namibe, e 31 na zona de pesca Sul com sede no Tômbwa. Destas empresas, 31 encontram-se operacionais (10 altamente funcionais), e as restantes 22 são inoperantes, sete das quais estão completamente abandonadas. A direcção das Pescas controla cerca de 1.495 pessoas a trabalhar no sector das Pescas, número considerado reduzido, o que resulta num défice muito grande no funcionamento do parque industrial de pescas.
“Se a indústria pesqueira estivesse a funcionar em pleno, teríamos um número muito elevado de empregados do sector”, disse.
Isaac Cativa assegurou que a direcção das Pescas no Namibe controla 30 embarcações de pesca semi-industrial. Destas, 22 são de cerco, sete de malhar e cinco em gaiola – arte de pesca. Existem ainda cerca de 500 embarcações de pesca artesanal distribuídas ao longo da costa, desde a Lucira até ao Tômbwa.
Os pescadores artesanais estão organizados em cooperativas, e ao longo da costa marítima da província são controladas 87 cooperativas, sendo 17 na Lucira, 45 no Namibe e 25 no Tômbwa, integrando um total de 1.721 associados. Estes associados, por sua vez, estão também distribuídos na Lucira (287), Namibe (915) e Tômbwa (519). 
Do ponto de vista institucional, o sector das Pescas na província do Namibe está representado pelo Instituto de Pesca Artesanal (IPA), Instituto Nacional de Apoio à Indústria Pesqueira e Investigação Tecnológica (INAIP), Fundo de Apoio ao Desenvolvimento da Pesca Artesanal e Agricultura (FADEPA) e Centro de Investigação Pesqueira, além do Serviço Nacional de Fiscalização.

Reactivação das indústrias

Isaac Cativa adiantou que não existe um horizonte para a reactivação das empresas pesqueiras paralisadas no Namibe, considerando que se estas unidades de produção fossem públicas (do Estado) seria mais fácil projectar acções para a sua recuperação.
“Mas como todos sabemos, todas essas unidades de produção, no âmbito do redimensionamento empresarial, foram privatizadas. A sua reactivação depende agora dos actuais proprietários” - clarificou.
A fonte ressaltou que a direcção das Pescas está atenta a este facto e que brevemente poderá contar com o apoio do Estado para a reabilitação e reactivação dos parques industriais do Namibe e Tômbwa, através das parcerias público-privadas.

Aquicultura nos rios

Para o responsável das Pescas, apesar de a província não ter rios de caudal permanente, tem um potencial aquífero muito grande que pode ser bem aproveitado para o processo da aquicultura – uma alternativa muito significativa para a produção de peixe e outros recursos pesqueiros.
O Namibe possui os rios Curoca, Bero, Giraúl, Karojamba, Bentiaba, Inamangando, Tumbalunda e muito mais, que contêm muita água. O que se requer são os investimentos, criatividade por parte dos nacionais para a construção de infra-estruturas de apoio à piscicultura ou aquicultura, segundo Isaac Cativa. Para o responsável, o mesmo processo pode-se praticar no mar, junto as baías. “Havendo bons investimentos, podemos colher também bons resultados, embora isso requeira estudo, muita paciência e muito trabalho”.

Novos projectos


Isaac Cativa revelou existirem alguns projectos em curso, de âmbito central, para a província do Namibe. Para além dos centros de apoio à pesca artesanal, está em curso a reabilitação e ampliação das salinas “Angosal” e “Sosal” no Tômbwa, associados a dois projectos ligados à construção de infra-estruturas para apoio ao processo de produção de peixe salgado e seco, iniciados no princípio deste ano. As obras estão em curso no Tômbwa e Namibe, informou, realçando os esforços do Governo para melhorar as condições de trabalho na produção de peixe seco e de sal, dada a importância na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.
Quanto à produção do sal, neste segundo trimestre registou-se um total de 500 toneladas, contra as 1.350 no período passado. Este resultado é igualmente influenciado pelo clima: por haver pouco vento e sol, e mais humidade, a produção do sal também reduz.

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