Províncias

População de Cainde consome água imprópria

Manuel de Sousa | Cainde

A população da comuna de Cainde, município do Virei, província do Namibe, precisa de mais furos de água para minimizar os efeitos da estiagem que está a dizimar o gado e a obrigar ao uso de água imprópria para o consumo humano em algumas povoações.

Autoridades locais estão a criar as condições para que a população deixe de consumir água imprópria que está a causar muitas doenças
Fotografia: Jornal de Angola

O soba Kuachi Tchindongo disse, ao Jornal de Angola,  que o futuro das pessoas é incerto, face à actual situação:  “o gado está a morrer, as pessoas estão a passar mal, as sondas de água são poucas, as tchimpacas estão secas. Não chove nesta localidade, então pedimos urgentemente a intervenção do governo da província para que as pessoas possam consumir água de qualidade e dar de beber o gado”.
A construção de novas escolas, postos médicos, habitações e outras infra-estruturas sociais na comuna do Cainde, única do município do Virei, contrasta com a crise que a população está a enfrentar devido à seca, obrigando os criadores de gado a caminhar longas distâncias à procura de pasto e água.
“Temos escolas, postos médicos, mas falta mais casas para os quadros que aqui trabalham. È necessário também reparar as vias de acesso, para permitir a rápida circulação de pessoas e bens, entre as localidades vizinhas e a sede do município”, afirmou o soba.
O roubo de gado é outra das grandes preocupações levantada pelo soba Kuachi Tchindongo, que defende uma lei que penalize os ladrões, já que são presos, mas depois são postos em liberdade e voltam a praticar as mesmas acções.
“Os criadores sofrem muito com a estiagem e vêem-se obrigados a caminhar longas distâncias à procura de água e pastos, infelizmente muita vezes o gado não resiste, acabando por morrer. Para piorar a situação, aparecem os ladrões que ainda escolhem o gado melhor”, lamentou.

Origem das doenças

O responsável da saúde da comuna de Cainde, Daniel Ngololo, considerou imprópria a água consumida pela população em algumas localidades, o que origina o aumento de diarreias agudas, infecções urinárias e malária.
“A questão da água nesta localidade é preocupante, já que está na origem das principais doenças, com realce para as povoações do Luvale, Vichaviva e Uchinda. Na sede da comuna a situação é melhor, na medida em que o governo da província do Namibe, dentro do Programa Água para Todos, instalou um sistema de distribuição de água com qualidade para o consumo humano”, informou.
A comuna de Cainde, acrescentou, conta com sete postos médicos, incluindo os das povoações do Tchacuto, Saiona, Hanja, Luvale, Vichaviva, mas a falta de técnicos de saúde preocupa as autoridades que pedem mais enfermeiros para fazer face às necessidades.
A situação pode ser resolvida brevemente, já que as autoridades competentes estão a par da situação, disse Daniel Ngololo.
A maior preocupação das autoridades está relacionada com a falta de enfermeiros. A comuna tem apenas três técnicos de saúde e nas restantes localidades onde foram construídos centros e postos médicos, apenas existe um, em consequência da estiagem.
Relativamente ao abastecimento de medicamentos, a comuna está bem servida. Os doentes que não podem ser tratados na localidade são transferidos para a sede do município, numa ambulância.

Falta de professores
         
O sector da Educação não regista casos alarmantes, já que existem escolas suficientes para todas as crianças em idade escolar. O coordenador da educação da comuna de Cainde, Marcelino Paulino, admite a existência de algumas crianças fora do sistema de ensino, apesar da construção de novas escolas. Mas vão ser inseridas nos próximos tempos. “Cada ano que passa, estão a nascer outras crianças, logo não podemos dizer que não temos crianças fora do sistema normal do ensino, mas a construção de mais escolas, tanto na sede da comuna como em algumas povoações, vai permitir enquadrar todos no próximo ano lectivo”, disse.
A comuna de Cainde tem cinco escolas primárias do primeiro ciclo e algumas salas anexas, mas duas outras, por falta de professores, não estão a funcionar, totalizando nesta altura 1.036 alunos no sistema de ensino.  Cainde tem falta de professores e os 41 existentes não respondem às exigências actuais. Aguarda-se pela chegada de mais docentes para colmatar o défice.
A merenda escolar está a ser distribuída na sede da comuna, mas o propósito do sector é levá-la também às povoações, no sentido de chamar os filhos dos criadores de gado que, por causa da seca, são levados pelos pais na procura de água e pasto, aumentando assim o número de crianças fora do sistema de ensino.

Tempo

Multimédia