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Produção de mel melhora recursos dos camponeses

João Upale | Namibe

O Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, em parceria com a ONG italiana Cooperação para o Desenvolvimento dos Países Emergentes está a fomentar, no Namibe, projectos no sector da apicultura que vão desde a criação de abelhas à produção de mel, cera e outros produtos.

No quadro do programa de fomento apicultores receberam vestuário apropriado para lidar com as abelhas
Fotografia: Jornal de Angola


 
O Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, em parceria com a ONG italiana Cooperação para o Desenvolvimento dos Países Emergentes está a fomentar, no Namibe, projectos no sector da apicultura que vão desde a criação de abelhas à produção de mel, cera e outros produtos.
Os projectos estão centrados nas comunidades de camponeses localizadas no Giraúl de Baixo, na periferia da cidade do Namibe e no município da Bibala. De acordo com o chefe do Departamento Nacional de Fauna do Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, engenheiro Frederico Maurício, foram entregues 50 colmeias aos produtores, na sua maioria camponeses. O técnico garantiu que foram dadas explicações aos produtores de como devem manusear os equipamentos. Os técnicos da Cooperação para o Desenvolvimento dos Países Emergentes estão a acompanhar os camponeses na produção de mel.
Frederico Maurício disse que as técnicas de apicultura estão de acordo com as características geofísicas da província. “Sabemos que o Namibe tem uma grande extensão de deserto, por isso, seleccionámos criteriosamente as áreas para a colocação das colmeias”, referiu o engenheiro.
A elaboração do projecto de exploração de mel no Namibe foi antecedida de um estudo de viabilidade que revelou existirem boas condições de produção. “Pode não ser em grandes proporções, mas a flora da província tem condições para possibilitar a produção de mel e cera suficientes para o consumo local”, afirmou o engenheiro Frederico Maurício.
De acordo com cálculos feitos no âmbito do estudo de viabilidade do projecto, a produção local pode garantir a cada habitante do Namibe um consumo de, pelo menos, um quilo de mel por trimestre.
Para o engenheiro Frederico Maurício, na província do Namibe, tal como no resto do país, existem as abelhas “Apis Melifera Adansoni”, que têm alta capacidade de produção.
“É uma espécie de abelha muito procurada em todo o mundo. Ela trabalha de manhã à noite. Quando em combinação com a colmeia “Langstroth” pode produzir, anualmente, 60 a 70 quilos de mel”, referiu o engenheiro.  “Começámos este projecto no Namibe e se tudo correr bem, cada produtor vai ter uma boa colheita de mel, cera, pólen e outros derivados”, explicou o engenheiro Frederico Maurício. No âmbito do projecto, 50 produtores receberam equipamentos de protecção. Os principais materiais são as luvas, protectores dos tornozelos e o chapéu ou máscara para o rosto e a cabeça. Os produtores foram aconselhados a utilizar o fumigador quando vão retirar o mel. O fumo tem como função principal acalmar os enxames.
“Uma vez que as abelhas recebam o fumo na dose certa, deixam de atacar, tornam-se inofensivas e permitem ao apicultor trabalhar com mais calma, analisar o estado da colmeia, as crias, enfim, completar a sua pesquisa até retirar o mel e a cera”, explicou o engenheiro Frederico Maurício.
Foram criadas as normas de higiene e conservação, que devem constar nos rótulos das embalagens. Os produtores fazem a venda directa do mel. As receitas vão dar sustentabilidade ao projecto e assegurar a continuidade da  produção.
 
Colmeias de alta produção
 
O coordenador do programa de segurança alimentar e ambiental da ONG italiana Cooperação para o Desenvolvimento dos Países Emergentes, Matteo Tonini, frisou que o mel produzido deve ser comercializado na rede de supermercados “Nosso Super” e noutros estabelecimentos do país.
Para além do mel, a ONG está também voltada para o apoio à produção de óleo de mupeque, um produto típico do Namibe e Huíla, muito apreciado pelas mulheres. “É claro que vamos garantir a qualidade e uniformidade do produto. Já começámos a levar e a distribuir de forma gratuita, em Luanda, as primeiras amostras de óleo de mupeque. É uma forma de publicitar o produto”, disse Matteo Tonini.
Para garantir o êxito do projecto a ONG italiana colocou à disposição dos produtores equipamentos de alta qualidade, como colmeias “Langstroth”, acompanhadas com decantadores e um sistema optimizado para produzir a cera. Estes materiais custaram mais de 50 mil euros, disse Matteo Tonini. A “Langstroth” é uma colmeia móvel, adaptada para produção de mel e pólen. As colmeias deste tipo são as ideais para o meio rural porque estão equipadas com um sistema de energia solar. Caso o material seja bem gerido e conservado os camponeses vão tirar dele muitas vantagens por longo tempo.
Os técnicos da ONG italiana garantem que a associação entre as condições climatéricas do Namibe e o tipo de abelha e de colmeias, permite aos produtores atingir uma boa produção de mel.
As pesquisas feitas deram conta que na localidade do Munhino, na comuna de Kapangombe, município da Bibala, as abelhas estão a fazer colheitas de grande quantidade de pólen. A época da extracção do mel corresponde aos meses de Setembro e Outubro.
 
Criação da ANAPA
 
Frederico Maurício revelou que está a ser criada a Associação Nacional dos Apicultores de Angola e que o processo de instalação fica concluído dentro de seis meses. Alguns apicultores das províncias do Moxico, Huambo, Bié, Kuando-Kubango e Uíge foram já contactados para se associarem.  Os membros da comissão dinamizadora estão a passar em todas as províncias tradicionalmente produtoras de mel, para transmitirem a mensagem da institucionalização da organização, que vai acontecer num grande encontro nacional ainda este ano..   No ano passado, em todo o país, foram produzidas mais de 100 toneladas de mel. Mas grande parte dessa produção ficou retida nas colmeias por falta de escoamento para os grandes mercados.
Este facto, segundo o porta-voz da comissão dinamizadora da associação, colocou aos apicultores a necessidade de criar uma organização que defenda os seus interesses corporativos e da produção.
Este ano, foram identificados mais de 10 mil produtores de mel em todo o país. Mas a comissão dinamizadora da associação, segundo o seu porta-voz, tem em mente “um universo gigantesco” de potenciais apicultores. “Todo o camponês é apicultor ou produtor de mel. Nesta perspectiva, podemos contar com quase dois terços da população de Angola”.
O Ministério da Agricultura tem feito esforços para dar aos apicultores conhecimentos e informações sobre as novas tecnologias de extracção de mel e estão a ser estudados mecanismos para transporte do produto para o mercado nacional, com vista a diminuir a excessiva importação.  “Todo esse esforço visa a recolha suficiente de mel com vista a atingir a meta de pelo menos dois a três quilos do produto por família ao longo do ano”, afirmou o engenheiro Frederico Maurício, chefe do Departamento Nacional de Fauna.
Com todo esse esforço  os consumidores só têm a ganhar.

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