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Programa " saber mais " chega ao Namibe

João Upale| Namibe

O vice-ministro da Educação para a Reforma Educativa, Mpinda Simão, lançou, na sexta-feira, na cidade do Namibe, o programa “Saber Mais”, que vai ser executado em parceria com o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD).

Vice-ministro Mpinda Simão
Fotografia: Jornal de Angola

O vice-ministro da Educação para a Reforma Educativa, Mpinda Simão, lançou, na sexta-feira, na cidade do Namibe, o programa “Saber Mais”, que vai ser executado em parceria com o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD).
 O vice-ministro teve um encontro de trabalho com o governador da província, Boavida Neto, e com os 13 professores portugueses que vão desenvolver o programa.
 Mpinda Simão salientou a importância da cooperação com o IPAD e felicitou o governo provincial por ter proporcionado as condições logísticas necessárias para a realização do projecto, cuja primeira fase já começou.
 Com este projecto, disse, o Governo quer que as escolas de professores sejam “verdadeiros instrumentos de formação de docentes, que transmitam saberes e valores fundamentais aos alunos, de modo a alcançar os objectivos que estão plasmados na lei de base do sistema educativo”.
 O vice-minsitro afirmou que o projecto “tem muito a ver com o actual momento do país, em que as deficiências no ensino e aprendizagem persistem em todos os níveis de escolaridade”.
 “O programa ‘Saber mais’, que agrupa docentes de nacionalidade portuguesa, vai proporcionar aos nossos professores, sobretudo do ensino primário, maiores competências para assegurar um ensino de qualidade no país”, frisou.
 Mpinda Simão lembrou que o ensino em Angola que tem conhecido grande expansão nos últimos anos e que por isso, vive alguns problemas de eficácia e de qualidade.
“Não é novidade ouvir em Angola dizer que ainda temos pessoas que chegam à 8ª classe e não sabem ler nem escrever, também não é estranho ouvir que os que entram no ensino superior muitos deles têm dificuldades enormes para suportar as exigências daquele nível de ensino”, disse.
 É a pensar em tudo isso, sublinhou, que o programa “Saber mais” vai intervir nas escolas do ensino primário para os alunos terem uma “sólida formação de base”, beneficiando o país.
 Neste programa, garantiu, o Ministério da Educação “dá prioridade às escolas de formação de professores do ensino primário porque é dando competências aos docentes das nove primeiras classes de ensino que se constrói, sobre bases sólidas, a pirâmide educacional” do país.  
O director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia do Namibe, Pacheco Francisco, apresentou à delegação ministerial uma série de tarefas já desenvolvidas pelos professores portugueses desde a sua chegada à província, em 18 de Setembro, salientando visitas de auscultação que fizeram às escolas do I ciclo, o levantamento do material existente nos laboratórios das escolas de Formação de Professores Maria de Lourdes e Rei Mandume.
 Os docentes portugueses procederam, também, à elaboração do projecto de formação em práticas laboratoriais, que começa a ser ministrado hoje, aos professores do I ciclo, e se estende até ao dia 30.
 O levantamento do material do ginásio na escola Maria de Lourdes, a participação nas quartas jornadas científicas e técnicas pedagógicas na Escola de Formação de Professores e terceiras da direcção provincial do Namibe foram outras acções realizadas pelos docentes portugueses.

Escola de Professores

Pacheco Francisco disse que a Escola de Formação de Professores, estabelecimento escolar do II Ciclo vocacionado para a preparação de futuros professores, está preparada para enfrentar o que considerou “inúmeros desafios que a sociedade angolana tem no binómio educação/ensino”.
 “Nesta vertente, são desenvolvidos hábitos e habilidades e o desenvolvimento de capacidades cognitivas desses futuros professores para que tenham as ferramentas consideradas indispensáveis nesta área de responsabilidade”, referiu.
O presidente do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, manifestou a disponibilidade da instituição que dirige em cooperar com o Ministério da Educação para o melhoramento da qualidade de ensino em Angola.
 Manuel Correia lembrou que este era um projecto pioneiro, cuja continuação depende da forma como as actividades se desenrolarem nas províncias do Namibe e de Benguela, apelando à entrega dos professores portugueses presentes para o programa atingir os fins para que foi criado.
 “Este é um programa que no futuro terá um efeito estruturante nas relações bilaterais, o que vai contribuir bastante para a melhoria do sistema educativo de Angola”, assegurou. 
 Margarida da Silva, professora portuguesa, manifestou-se satisfeita pelo carinho e pelas condições logísticas que lhe foram dadas para a sua rápida inserção no Namibe.

Programa

O programa “Saber Mais” tem o objectivo de promover a qualidade pedagógica no Ensino Secundário, através da formação em serviço, a troca de melhores práticas, o desenvolvimento curricular e a avaliação de aprendizagens, apoiadas em novas tecnologias de informação e comunicação, potenciando as instituições de formação de professores, de maneira gradual e garantindo um ensino de qualidade.
Portugal contribui com a selecção e orientação técnica e pedagógica de licenciados portugueses, que vão trabalhar com os seus colegas angolanos em instituições de formação média normal, segundo ciclo do Ensino Secundário.
O Programa pretende, também, apoiar o sector do Ensino Secundário através da criação de uma “rede sólida de formadores nacionais com responsabilidades acrescidas na Estratégia Integrada para a Melhoria do Sistema de Ensino e na implementação do processo de reforma do sistema de ensino de Angola”.
A proposta de parceria entre os dois Estados surgiu na sequência da visita, em Abril 2006, do Primeiro-Ministro de Portugal a Angola, coincidindo com a primeira fase do processo de reforma educativa promovida pelo Governo.
Em Abril de 2008, foi assinado um Memorando de Entendimento entre os dois países, definindo-se o quadro de orientação do Programa e as “respectivas obrigações, tendo em vista o recurso às melhores práticas no sector do ensino e a responsabilização mútua”.Este documento permitiu “acautelar as condições logísticas para uma boa execução no terreno” do programa “Saber Mais”.

Custos

O custo estimado para a realização do “Saber Mais”, para o período de vigência do Plano Indicativo de Cooperação com Angola (PIC 2007-2010), ascende a cerca de 10,5 milhões de euros assumidos em partes iguais por Angola e Portugal.
O Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), através do Fundo da Língua Portuguesa, vai assegurar, pela parte portuguesa, uma contribuição na ordem dos 5,4 milhões de euros (1,7 milhões em 2009 e 3,7 milhões em 2010).
O “Saber Mais” enquadra-se nas estratégias de desenvolvimento e processos de reforma do sector do ensino em Angola, decorrentes da sua Estratégia de Combate à Pobreza, Plano de Acção Nacional de Educação para Todos (PAN/EPT, 2001-2015), Estratégia Integrada para a Melhoria do Sistema de Educação (2011-2015), bem como o Plano Mestre para a Formação de Professores em Angola (2009-2015).                                                   
                                                       
      * Com  IPAD

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