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Projecto devolve vida ao Parque do Iona

Baptista Marta |

O Parque Nacional do Iona, a pouco mais de 200 quilómetros da cidade do Namibe, vai, proximamente, recuperar o seu fulgor, mercê de um projeto de modernização, repovoamento e desenvolvimento económico orçado em oito milhões de dólares, financiados pelo PNUD, União Europeia e Executivo angolano.

área ganha infra-estruturas e vai ser repovoada com animais
Fotografia: Afonso Costa

O Parque Nacional do Iona, a pouco mais de 200 quilómetros da cidade do Namibe, vai, proximamente, recuperar o seu fulgor, mercê de um projeto de modernização, repovoamento e desenvolvimento económico orçado em oito milhões de dólares, financiados pelo PNUD, União Europeia e Executivo angolano.
A reserva encontrava-se depauperada pela acção de caçadores furtivos, sobretudo durante a guerra civil, e com as infra-estruturas em avançado estado de degradação. Neste momento, o executivo local já construiu ali três edifícios em espinheira, com fornecimento de água, energia e outros serviços públicos no posto administrativo do Iona, a fim de servir as necessidades dos habitantes locais.
O projecto inclui a restauração de todas as infraestruturas degradadas, criação de um corpo administrativo e de fiscais e a aquisição de meios de transporte e de telecomunicações adequados e sustentáveis.
José Caúcua, natural do Iona e cujo lugar de infância está agora a recuperar das sistemáticas matanças, mostrou-se satisfeito quando soube que o maior santuário de vida animal de Angola está a ser reabilitado. Levado ao Namibe quando tinha apenas 14 anos, pouco depois da Independência Nacional, José Caúcua pretende regressar à terra natal quando a mesma estiver completamente recuperada. Marcos é estudante universitário no Namibe que na conversa com o nosso jornal reconheceu que este projecto traz um novo alento para a província e para o país em geral, sendo que vai permitir também combater a caça ilegal, que está a assumir proporções criminosas.
Entretanto, o governo recrutou ex-militares para a fiscalização do Parque, dando-lhes instruções específicas a fim de assegurar a preservação do ecossistema e das espécies animais, controlar o acesso dos visitantes, gestão de caça grossa, apoio às iniciativas de investigação científica, entre outras acções.
A reabilitação vem aliviar a vida infernal de populações inteiras de animais selvagens daquele parque que nos últimos anos estavam entregues à sua sorte, bem assim como transformá-lo num espaço educativo, de investigação científica e de lazer.  O administrador municipal, João Guerra de Freitas, destacou que a reabilitação do parque representa uma mais-valia, principalmente no seio da população do Iona, contribuindo para o desenvolvimento da localidade. Por outro lado, lamentou o facto de continuar a caça furtiva, apontando que os principais caçadores ilegais são provenientes do Lubango. “Mas eles têm os seus dias contados” - sentenciou.
O Parque Nacional do Iona esteve, desde a independência do país, entregue à sua sorte, pois durante esse período grupos de caçadores idos de vários pontos do país, sobretudo da região Sul e de países vizinhos (Namíbia e África do Sul), agiam à vontade, enquanto as autoridades viam-se a braços com a falta de meios indispensáveis para patrulhar a área sob sua jurisdição.

Conservar o que restou


Num passado não muito longínquo, a fauna original do parque, típica do Bioma do Sudoeste Árido, era extremamente diversificada, incluindo espécies como mabeco, hiena malhada e hiena castanha, protelo, leão, leopardo, chita, elefante, zebra da planície, zebra da montanha, rinoceronte pasto, gunga, olongo, guelengue (órix), impala da face preta, cabra de leque, conca, entre outros que habitavam a área onde a fauna e flora devia ser protegida. Hoje algumas destas espécies já não existem no parque, e apenas se vêem poucos exemplares de olongos, guelengues ou órix, cabra de leque, e pouquíssimas zebras da planície que estão em fase de extinção. A foz do rio Cunene, porém, mantém-se intacta, com a sua colónia residente de tartarugas verdes e jacarés.
As presas do elefante, os dentes do rinoceronte, as peles de onça e leão (a pérola do Namibe), são de um valor inestimável no mercado internacional. A sua comercialização é pois, o mote, para o abate dessas espécies, ao que não está alheia, claro está, a muito apreciada carne de caça.
Sabe-se também que uma parcela considerável do Parque Nacional do Iona é desértica, seca, o que faz com que, no encalço da água, os animais se concentrem ao longo do rio Cunene, principalmente na desembocadura para o atlântico, tornando-se assim mais vulneráveis à acção dos caçadores furtivos. Segundo as autoridades do Tômbwa, as maiores matanças aconteceram durante a guerra civil, devido a ausência de qualquer corpo de vigilância e fiscalização na reserva. Do parque, saíam umas boas toneladas de carne por mês.

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