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Rede de estradas em remodelação

Manuel de Sousa |

As obras em curso na rede viária da província do Namibe vão, em breve, chegar ao fim, mas outras hão-de surgir, garantiu, à reportagem do Jornal de Angola o director provincial do Instituto Nacional de Estradas, Edgar Xavier.

As estradas intermunicipais no Namibe atravessam um cenário desértico dominado por montanhas ou por planícies a perder de vista
Fotografia: Afonso Costa

O director provincial do Namibe do Instituto Nacional de Estradas de Angola, Edgar Xavier, pede à população para preservar a rede viária “porque foi construída com o dinheiro do povo angolano e devemos cuidar das obras de reconstrução nacional como se fossem as nossas casas”.
As obras que estão em curso, garantiu Edgar Xavier, em breve vão chegar ao fim mas outras vão surgir: “A direcção do Instituto de Estradas do Namibe está a fazer todo o esforço para que as obras nas estradas continuem”, referiu.
O director provincial do Instituto Nacional de Estradas de Angola diz que é dever de todos preservar as estradas e pontes, reabilitadas ou construídas. E denunciou situações de vandalismo que estão a pôr em causa o património público: “a ponte do Giraúl de Baixo, que foi inaugurada há pouco tempo, já tinha as placas de identificação riscadas. Tivemos de as refazer”. Outras obras públicas concluídas e ao serviço das comunidades, são tratadas sem cuidado e em breve vão precisar de reparações.
Estão a ser reabilitadas as estradas que ligam a cidade do Namibe à vila piscatória do Tômbwa e  a estrada que liga a Lucira à povoação da Equimina, em direcção ao Dombe Grande, na província de Benguela. Estas obras estão na primeira linha de prioridades na reabilitação de estradas, em curso na província do Namibe.
O director provincial do Instituto Nacional de Estradas de Angola, Edgar de Oliveira Xavier, disse ao Jornal de Angola que também já foram adjudicadas as obras das estradas que vão do quilómetro 17 em direcção ao município do Virei e da comuna do Caito, na Bibala, ao município do Camucuio. 
Questionado sobre a qualidade da fiscalização das obras, Edgar Xavier revelou que o sector que dirige “está tranquilo, porque as empresas que operam na região são idóneas, além de que também fazem a fiscalização”.
A manutenção da estrada nacional 280, que liga as cidades do Namibe e Lubango, actualmente é feita pelas empresas Minuila e Abrunhosa mas vai ter um novo modelo, baseado na filosofia das concessões, que “permite manter a via sempre em bom estado”.
Outras vias com prioridade são as que ligam Caramujo ao Virei e a Chicolongira à Bibala. Estas vias são contempladas no pacote das obras de reconstrução nacional. Edgar Xavier anunciou que foi elaborado um memorando onde constam todas as intervenções e que já foi remetido à direcção do Instituto Nacional de Estradas de Angola em Luanda. 
A instituição deixou de exercer o papel de executor para ser apenas o supervisor das obras sob sua responsabilidade: “Mas carecemos de quadros qualificados, para um melhor acompanhamento. A província do Namibe conta apenas com dois engenheiros civis, o que dificulta o trabalho de fiscalização e supervisão das obras”, disse Edgar Xavier.
O instituto tem proporcionado aos seus quadros cursos de superação e estágios dentro e fora do país, “mas temos poucos técnicos e é urgente contratar mais”.

Arruamentos urbanos

As ruas, lancis e passeios da cidade do Namibe precisam de uma intervenção urgente. Os trabalhos de reparação e ampliação da rede das telecomunicações e de electricidade de baixa tensão deram origem a muitos buracos. A falta de manutenção é também responsável pelo mau estado das vias urbanas. O Jornal de Angola apurou que existe um programa do Governo Provincial para reposição dos passeios e lancis.
Depois da paralisação da maioria das obras no ano passado, por efeito da crise financeira internacional, o cenário actual é positivo para todos os envolvidos no processo de reconstrução das infra-estruturas, incluindo o Executivo, empreiteiros e os habitantes da cidade que são os grandes beneficiários.  
O administrador municipal do Namibe, Armando Valente, garantiu que a reposição dos fundos de gestão municipais vão permitir reparar as ruas da cidade do Namibe. Sublinhou que “esta ajuda importante do Executivo vai permitir à Administração Municipal reparar as artérias urbanas, e temos já um programa elaborado para a reposição de lancis e passeios”.
A Administração Municipal do Namibe está a fazer o levantamento  de quanto dinheiro vai ser necessário para dar solução aos problemas mais notórios que existem na cidade capital da província. Praticamente todas as ruas estão a precisar de manutenção urgente e é preciso garantir os fundos necessários para as obras.

Futuro promissor

“O Namibe é uma cidade com muitas ruas, avenidas e travessas. A cidade precisa mesmo de uma intervenção de fundo, porque os orçamentos municipais não cobrem nem um por cento das necessidades”, realçou Armando Valente.
Para o administrador municipal, os programas integrados, levados a cabo pelo Executivo nas províncias do norte do país, também vão chegar ao Namibe, “porque a nossa cidade clama por uma intervenção urgente”.
As obras de extensão e modernização da rede das telecomunicações e de distribuição de energia eléctrica “são necessárias e incontornáveis”, pelo que a remoção de passeios e lancis, aqui ou ali, vai continuar. É um investimento vital para a própria modernização da cidade e melhoria das condições de vida da população.
Mas Armando Valente defende que a Administração Municipal deve coordenar todas as intervenções na via pública. E promete tudo fazer para que  os trabalhos a realizar na via pública sejam feitos ao mesmo tempo, evitando a dispersão de recursos e incómodos adicionais aos habitantes do Namibe.
“Embora sejam projectos que trazem desenvolvimento e bem-estar, é preciso harmonizá-los para não criarem dificuldades aos munícipes”, disse Armando Valente.
As obras de reabilitação da Avenida Eduardo Mondlane, ex-líbris da cidade, com cerca de um quilómetro, estão na fase conclusiva: “no fim dos trabalhos os munícipes vão ter a oportunidade de usufruir do local. Vamos esperar que antes do final deste ano a obra seja entregue, para a felicidade de toda a população do Namibe”, afirmou Armando Valente.

O caso do Virei

Província desértica por excelência, no Namibe a existência de estradas funcionais é vital, pois os municípios, não tendo um grande potencial agrícola, precisam de interagir entre si para o abastecimento de bens alimentares. Das estradas em bom estado depende o comércio e também o turismo e, em última instância, o desenvolvimento local.
No caso do município do Virei, situado 133 quilómetros a leste da cidade do Namibe, a par do problema da água, que é escassa devido ao baixo lençol freático, o estado das vias, principalmente a que liga à sede da província, preocupa as autoridades e as populações locais. 
“O município tende a crescer. Com o melhoramento das estradas estamos a solucionar mais um problema das nossas populações e a atrair mais visitantes e possíveis investidores. O Executivo está atento, pensamos que este problema vai ser resolvido em breve”, afirmou a administradora do município do Virei, Amélia de Jesus Camunheira.

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