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Seca prolongada ameaça culturas

Baptista Marta | Namibe

A campanha agrícola, que os camponeses do interior da província do Namibe acreditavam, ser um marco no combate à pobreza, corre o risco de entrar para a história como “ano da desgraça” devido à falta de chuva.

A seca levou centenas de camponeses a procurar áreas onde há água e pasto para o gado
Fotografia: Afonso Costa

A campanha agrícola, que os camponeses do interior da província do Namibe acreditavam, ser um marco no combate à pobreza, corre o risco de entrar para a história como “ano da desgraça” devido à falta de chuva.
Um sol abrasador, árvores, arbustos e capim ressequidos, são o cenário de um ano agrícola para esquecer na província do Namibe. O solo, que outrora encheu os celeiros dos camponeses com massango, massambala, milho e feijão hoje pouco ou nada dá, devido à seca extrema.
Em várias comunas e povoações dos municípios da Bibala, Virei e Camucuio, áreas mais afectadas pela seca, a campanha agrícola de 2012 está perdida e a fome ameaça algumas comunidades.
 “O milho semeado em Agosto e Setembro não resistiu à falta de chuvas em certas localidades do município do Camucuio”, diz João Cole, proprietário de uma lavra.
Nalgumas regiões atingidas pela seca, as águas subterrâneas são as principais fontes de abastecimento para as populações e o gado, mas à falta de chuva as pequenas albufeiras e poços secaram.
Os furos que captam as águas mais profundas são hoje a única alternativa segura no abastecimento às populações e ao gado, mas a maioria está inoperante ou deficiente por falta de assistência técnica.

Aldeias abandonadas

Em consequências da acentuada estiagem, populações inteiras da comuna do Cainde, município do Virei, estão a abandonar as suas casas dispersando-se pelas matas à procura de pastos para o gado e água para a sua sobrevivência.
Percorrem dezenas  de quilómetros sem encontrar alimento para o gado. E encontram as pequenas lagoas secas.  O director provincial do Namibe da Agricultura, Gabriel Félix, disse que a situação é crítica nos municípios do Camucuio e Bibala, regiões de grande incidência da transumância.“Ali, as populações não possuem excedentes agrícolas, pois o pouco que produziram na campanha agrícola anterior ou mesmo na primeira época desta já foi consumido, não há milagres e a esperança nas colheitas esfumou-se”, refere Gabriel Félix.
Acrescenta que os camponeses precisam de sementes, pois ou perderam-nas sementeiras infrutíferas ou foram consumidas devido à carência alimentar.
Gabriel Félix disse que a localidade do Mucungo, Namibe, ainda há pastos, o que está a gerar enormes disputas entre os  muitos criadores tradicionais de gado.
Centenas de velhos e crianças estão a emigrar para terras onde as sementeiras são promissoras devido à humidade nas zonas baixas dos rios e vales, enquanto outros permanecem na região, à espera da bonança.A seca está a causar graves dificuldades aos camponeses, sobretudo na amortização dos seus créditos bancários. “O ano agrícola de 2012 era decisivo para o pagamento do meu crédito agrícola, mesmo com as poucas chuvas semeei milho, confiando que tudo ia correr às mil maravilhas, mas o milho que já tinha uma altura média perdeu-se por falta de água”, refere Fernando Muhongo, camponês de 47 anos e dono de uma lavra de cinco hectares.
Como Fernando Muhongo, são muitos os camponeses que vivem dias de angústia por não poderem honrar os seus compromissos bancários devido aos fracos ou quase nulos resultados das sementeiras.
Com a seca, a sobrevivência de 500 mil cabeças de bovino e um milhão de pequenos animais, como ovinos, caprinos e suínos está seriamente ameaçada. Os pastos naturais secaram e muitos animais correm sérios riscos de morrer à sede.
Indivíduos fortemente armados, saídos das localidades do Impulo (Huíla), Chongoroi (Benguela) e Cunene estão a roubar muitos animais, ante a impotência dos criadores, segundo relatos de sobas e camponeses.
O director da Agricultura no Namibe sublinhou que apesar de tudo, “a produção da primeira época da campanha agrícola nos principais pólos de desenvolvimento foi de 7.6 mil toneladas”, diz Gabriel Félix.
“Nesta altura existe uma alternativa, que são as cinturas verdes dos municípios do Namibe e Tombwa para salvaguardar e recompensar o esforço do agricultor”, afirmou Gabriel Félix.
 A condição “única “ que oferecem essas localidades é a conservação da humidade no solo, pois na falta de chuvas, os camponeses e agricultares usam sistemas de regadio. Para o presente ano agrícola, segundo o director da Agricultura, foram feitos investimentos avultados.

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