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Sector da educação está melhor servido

João Upale | Namibe

O ensino primário na província do Namibe está a ser implementado em toda extensão do território, de acordo com o director provincial da Educação, Pacheco Francisco, em entrevista ao Jornal de Angola.

O Instituto Normal de Ensino (INE) tem contribuído para o aumento de quadros no sector do ensino e educação da província
Fotografia: Afonso Costa

O ensino primário na província do Namibe está a ser implementado em toda extensão do território, de acordo com o director provincial da Educação, Pacheco Francisco, em entrevista ao Jornal de Angola.
Segundo o responsável, o primeiro ciclo está presente em todos os municípios e em algumas comunas, tal como o segundo ciclo, com realce para as comunas do Bentiaba e Lucira, no âmbito da extensão da rede escolar na província.
Pacheco Francisco referiu que o sector continua a trabalhar na formação de professores para elevar o seu grau académico. Muitos deles eram técnicos médios, mas com esse projecto, hoje são técnicos superiores. Outra luta é também no sentido de promover a atualização do perfil académico que eles adquiriram ao longo dos anos.
O responsável frisou que esta actualização obedece a uma certa tramitação administrativa que requer a envolvência de todos os ministérios, principalmente o da Administração do Território e das Finanças, o que por vezes gera um certo constrangimento.
“O quadro em relação ao aproveitamento em termos de formação dos professores é bastante positivo, porque já existe um número considerável de técnicos médios, bem como de bacharéis, embora não haja ainda um número de licenciados tal como se pretende”, disse, referindo que pelo menos daqui a três ou quatro anos o quadro venha a mudar.
A melhoria da qualidade do ensino é outra das apostas do sector, com a criação das zonas de influência pedagógica (ZIP’s). Fruto disso, Pacheco Francisco revelou que o sector tem vindo a realizar treinamento aos sábados, por formas a que os professores estejam à altura de corresponder às exigências do Ministério da Educação.
O responsável lamentou que a maioria dos que concorrem para as vagas na educação não tenham vocação para o efeito, reconhecendo que muitos querem apenas ganhar dinheiro. Razão pela qual tem-se levado a cabo essas sessões de treinamento.
Em relação ao concurso público realizado recentemente, a quota que foi atribuída à província pelo Governo foi de 877 vagas, para as quais concorreram 4.456 candidatos. Neste momento, o sector controla 5.637 professores e 126 escolas de todos os níveis de ensino.

Ensino superior mais forte

No que diz respeito ao ensino superior, o director da Educação salientou que a extensão para os municípios do interior, principalmente, depende da sua consolidação na sede da província, com maior população académica.
Na sua opinião, esta medida requer ainda as condições de infra-estruturas e recursos humanos que correspondam aos desafios propostos universalmente. A província conta com duas escolas superiores, a politécnica e a pedagógica, ligadas à Universidade Mandume Ya Ndemufayo. A última deu início à sua actividade há dois anos, mas levou cerca de 10 anos para a sua implementação. Pacheco Francisco revelou existir algumas dificuldades em termos de aquisição de professores que vão leccionar o terceiro e quarto ano, na próximo época lectiva. A consolidação dessas duas que existem passa também por diversificar as opções. Pacheco Francisco revelou que o governo da província está a criar condições para brevemente instituir no Namibe o Instituto Superior de Enfermagem, mas que tudo passa necessariamente pela implementação, em primeiro lugar, de uma escola do ensino médio de saúde. />“Neste momento o trabalho visa transformar a escola técnica de saúde num instituto médio do ramo e, a posterior, avançar para a escola superior de enfermagem”, disse.
Pacheco Francisco recordou que a escola superior politécnica – então pólo universitário – foi a primeira instituição desse nível a ser implementada na província, e que muitos professores declinavam a sua formação. Há quem fazia História e Geografia, passando depois a fazer Contabilidade e Gestão, por exemplo, na escola superior politécnica. “Acredito que o quadro poderá mudar dentro de três anos, quando começarem a sair os primeiros finalistas na escola superior pedagógica”, disse.

Novas escolas


O sector da Educação no Namibe vem registando melhorias substanciais quanto à criação de novas infra-estruturas escolares, embora na óptica de Pacheco Francisco esta evolução não vai ao encontro do crescimento da população.
Referiu haver necessidade de se construir ainda mais escolas, fundamentalmente no município sede do Namibe, onde se regista grande crescimento demográfico nos bairros Platô, Forte Santa Rita e 5 de Abril. Em relação à questão do complexo marítimo profissional Hélder Neto, disse ser uma questão já encaminhada às estruturas centrais, e até agora não se sabe para quando a reabilitação das suas estruturas físisas, que se encontram faz tempo em avançado estado de degradação.

Bolsa de estudo


Uma das apostas do sector da Educação do Namibe é o envio de bolseiros ao exterior do país para formação qualitativa. Segundo Pacheco Francisco, anualmente o sector é contemplado com 10 bolsas, e os estudantes são encaminhados para vários países, especialmente para Cuba, país que está a contribuir bastante para a formação em medicina.
São no total 15 alunos nessa formação. “É uma mais-valia, uma vez que o grosso dos médicos existentes na província é expatriado”, considerou.
O director da Educação disse que a província do Namibe tem poucos professores universitários, referindo ainda que nem todos estão habilitados a lecionar no ensino superior.
“Os 220 licenciados que o sector controla é um número insuficiente para responder às necessidades, porque os mesmos têm de assegurar o ensino geral, os institutos médios de Gestão e Politécnico do Saco-Mar, o Hélder Neto e a escola de formação de professores”, disse.
Para Pacheco Francisco, o suficiente seria ter o dobro ou triplo do número de quadros superiores disponíveis para colmatar a carência sentida, porque os poucos professores que existem são os mesmos que asseguram o segundo ciclo noutras áreas, como Bentiaba, Lucira e Virei.
A maior preocupação de momento é incutir nos professores a grande responsabilidade que têm para melhorar a qualidade do ensino. “Estamos a lutar para que as nossas crianças não venham a ser penalizadas porque os mais velhos não tiveram essa paciência de as ensinar”.
Este ano foi a primeira vez que o material escolar chegou a província antes do início das aulas. A instituição começou a receber os manuais em Novembro, e em Janeiro já foi possível fazer a distribuição. “Isto significa que este processo está a melhorar”, disse, embora em algumas classes as quantidades não foram as mais desejadas, como o caso da 6ª classe.

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