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Serviços de saúde cobrem a província

João Upale | Namibe

Os serviços médicos na província do Namibe chegaram já a todos os municípios e comunas, excepto naquelas localidades onde a população é sedentária e que o número de habitantes não justifica.

Serviços de Saúde cobrem a província
Fotografia: Afonso Costa

Os serviços médicos na província do Namibe chegaram já a todos os municípios e comunas, excepto naquelas localidades onde a população é sedentária e que o número de habitantes não justifica.
A única falha está no Virei, que ainda não beneficiou de um médico, porque não havia condições para alojar os especialistas. Agora que as condições estão criadas, espera-se pela notificação das autoridades competentes para que sejam encaminhados médicos e técnicos superiores de enfermagem da cooperação cubana àquele município.
A directora provincial da Saúde, Josefa Kangombe, disse ao Jornal de Angola que a nível da sede da província e doutros municípios foi, há dois anos, estabelecido o programa de cuidados primários de saúde que ajudou a melhorar a oferta de serviços à população, com a potenciação de salas de parto visando reduzir a mortalidade materno infantil.
Um dos grandes avanços do sector neste capítulo foi a construção de raiz e respectivo apetrechamento da maternidade central, uma unidade de cuidados intensivos que não existia na província. O programa também tem permitido que a maior parte dos municípios beneficie dos medicamentos essenciais. A responsável garante mesmo não haver neste momento falta de medicamentos na província.
Ambulâncias e outras viaturas têm facilitado o transporte de medicamentos, como também apoiam o pessoal de vigilância epidemiológica e alguns chefes de postos de saúde das localidades longínquas.
Onde as viaturas encontram obstáculos, os técnicos utilizam motorizadas, para que a assistência aos doentes não seja interrompida. “Mas precisamos de novos meios para que os programas de saúde pública não parem” – afirmou Josefa Kangombe.
A malária continua a ser a patologia número um no Namibe, não obstante ter-se registado uma redução de casos. No primeiro trimestre deste ano foram notificados 16.067 casos e no segundo, 7.925. Josefa Kangombe disse que o saneamento básico deixa muito a desejar, “principalmente no município sede”, afirmando que na cidade do Namibe há muitos focos de lixo. A instituição tem estado a sensibilizar a população para cobrir os reservatórios de água, por formas a reduzir no máximo as larvas do mosquito, reduzindo assim os níveis de malária.
A seguir a malária estão as doenças pulmonares como a tuberculose, cujo número na província ainda é bastante assustador. No primeiro trimestre notificou-se 6.809 casos. As diarreias e outras doenças completam o quadro das epidemias que mais apoquentam a população. Outra preocupação tem a ver com o aumento de casos de doenças hipertensivas, já que os números também têm estado a subir. No primeiro trimestre foram identificados 546 casos.
“O stress do quotidiano pode provocar a hipertensão, e se a pessoa não se cuida, acaba mesmo por se tornar uma patologia que pode transformar-se em doença crónica”, explicou. Há ainda outras de origem renal, na gravidez, e hereditárias. Salientou que a diabete também não passa despercebida.
“Temos notado que o número de diabéticos está a aumentar”, disse, revelando que no primeiro trimestre identificou-se 49 casos, uma cifra elevada para a cidade do Namibe com uma população baixa.  A responsável da Saúde apela as pessoas a reverem os seus hábitos alimentares.
Os casos de traumatismo provocados por acidentes de viação preocupam igualmente o sector da saúde na província, sobretudo envolvendo jovens motociclistas.
 A responsável disse não haver grandes dificuldades para atender os pacientes acidentados e que os casos mais graves que necessitem de meios cirúrgicos que a província não tem são encaminhados para a cidade do Lubango, na Huíla.

Combate ao VIH/Sida

/>A nível da província, o sector da saúde está engajado no programa denominado “conheça o seu estado serológico”, que termina em Dezembro deste ano e que permitiu, até ao primeiro trimestre de 2012, atingir 30, 9 por cento da meta preconizada para o Namibe.
“Hoje qualquer mulher grávida é obrigada a fazer o teste, e o número de pessoas que se apresentam aos centros de aconselhamento e testagem voluntária também está a aumentar”, disse, referindo que em função dessa realidade tem-se registado um aumento do número de pacientes com o vírus.
Josefa Kangombe assegurou que os serviços de saúde têm estado a fazer distribuição de anti-retrovirais, sob o acompanhamento dos enfermeiros e médicos formados para prestar assistência a esses pacientes, revelando que a meio do tratamento muitos desaparecem. “Outros procuram os mesmos serviços na província da Huíla”.  A campanha “laço vermelho” permitiu os serviços hospitalares testarem 9.996 pessoas no primeiro semestre deste ano, das quais 406 estão infectadas, sendo 327 adultos e 79 gestantes.

Formação média está para breve

A directora Josefa Kangombe fez saber que está em curso a preparação das condições para a implementação da escola média de Saúde na província do Namibe. Por este facto, esteve nesta cidade uma equipa do Ministério da Educação, para fazer um estudo que visa transformar a escola técnica de Saúde em instituto médio.
Para tal serão criados três laboratórios e aumentado o número de salas. Será ainda necessário criar condições para o alojamento de professores. Para tal, estão em construção, no perímetro da escola, várias residências que vão servir para albergar o futuro corpo docente, bem como duas unidades no pátio da escola para instalar dois laboratórios, faltando apenas a construção de mais uma nave para o terceiro laboratório. “Cremos que no próximo ano estaremos em condições de ter o curso médio,” garantiu a responsável da Saúde.

Carência de médicos


Médicos cubanos, russos e coreanos garantem assistência médica nas unidades sanitárias da província, auxiliando os únicos oito médicos angolanos existentes no Namibe. Faltam igualmente técnicos de farmácia também e de Raio X para poder cobrir os municípios. Os poucos que existem estão confinados na sede da província e não respondem às necessidades.
Este ano, o sector da saúde na província disponibilizou 231 vagas para pessoal médico, de enfermagem, apoio hospitalar e administrativo. Mesmo assim, não se conseguiu recrutar candidatos para as vagas de médicos assistentes, médicos internos e técnicos superiores de diagnósticos.
Nos cinco municípios há insuficiência de pessoal técnico e de especialidade, já que todos os centros de saúde foram transformados em hospitais municipais, com 60 e 70 camas, depois de reabilitados e equipados.
Os serviços de saúde são assegurados por 67 médicos expatriados, entre cirurgiões, ortopedistas, pediatras e ginecologistas. A província tem 1.354 especialistas e funcionários de saúde angolanos.

Estruturas sanitárias

Em 2008, a província tinha 71 unidades sanitárias. Em 2011 passou a ter 78. Este ano a província tinha 40 vagas para enfermeiros, tendo em conta o número de infra-estruturas construídas.
A municipalização dos serviços de saúde deu lugar a distribuição em todos os municípios de meios rolantes.
O hospital provincial Ngola Kimbanda, uma das principais unidades da província, construído há mais de 60 anos, encontra-se encerrado para obras de restauração.
A empreitada vai durar cerca de um ano e seis meses.

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