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Soba de Lola faz propostas

João Upale| Lola

O regedor da comuna de Lola, município da Bibala, lamentou o atraso que se regista na sua localidade devido à falta de infra-estruturas. António Camati fez uma resenha histórica da comuna ao governador provincial do Namibe, Rui Falcão, a quem pediu apoio para que Lola recupere o estatuto de maior celeiro da região.

Rui Falcão pediu aos sobas que colaborem com Administração comunal e digam onde devem ser instaladas infra-estruturas sociais
Fotografia: Afonso Costa| Virei

O regedor pede a recuperação urgente das estradas e pontes que se tornam intransitáveis no tempo chuvoso. Pediu também a ampliação, na sede comunal, do posto de saúde e a construção de escolas na sede e povoação do Chitemo.
O isolamento da comuna levou o regedor António Camati a solicitar a intervenção das autoridades provinciais junto da Unitel e Movicel.
“Fica muito difícil falar com os familiares que se encontram muito longe daqui, seja em Angola, como noutras partes do mundo”, lamentou o regedor, que foi tranquilizado pelo governador Rui Falcão. “Vamos negociar, em primeira instância, com as operadoras, pois o número de pessoas que aqui vivem justifica uma antena de telecomunicações”, disse Rui Falcão.

Falta de água potável


O abastecimento de água na maior das comunidades da Lola é feito com muitas dificuldades. Nos pontos de retenção, a pouca água disponível é disputada pelo gado e pelas pessoas. No Chitemo, Kavungo e Panguelo as pessoas chegam a percorrer mais de dez quilómetros à procura de água para consumo.
Na sede da comuna existe uma captação com capacidade de bombear 96 metros cúbicos, para benefício de 850 habitantes, fruto do programa “Água para Todos”, cuja primeira fase começou em 2009. A energia eléctrica na sede comunal da Lola é insuficiente e são poucas as casas iluminadas por pequenos geradores. O governador Rui Falcão prometeu soluções urgentes para algumas das preocupações apresentadas pela população e ordenou a demolição do posto médico para dar lugar a uma estrutura hospitalar com capacidade para internar 50 pacientes.
“Aquele posto já não serve para muita gente e vamos construir um hospital maior aqui na comuna”, sentenciou Rui Falcão, que garantiu a construção, “dentro de pouco tempo”, das primeiras dez casas na sede comunal. Disse que além da escola de sete salas de aulas, por inaugurar, e que está à espera de ser apetrechada, outras escolas são erguidas noutras povoações.
“Os sobas devem trabalhar com a administração comunal para indicar ao governo provincial o local desejado para a construção de mais salas de aulas”, disse Rui Falcão.
Sobre a ponte e a estrada, o governador reconheceu ser uma matéria mais complexa nesta altura, porque, justificou, não depende apenas do governo provincial. Rui Falcão disse que foi feito um trabalho preliminar, principalmente para a recuperação da ponte sobre o rio Lola, mas que os valores que foram apresentados são extremamente elevados e carecem de uma melhor concertação com o Executivo, para se encontrar o seu financiamento.
“Não é uma tarefa que nós possamos começar já”, disse, referindo que o abastecimento de água passa pela abertura de mais furos, devido à ausência de opções numa área rodeada de grandes colinas.
“Temos que tratar de dar mais água potável às pessoas, mesmo sabendo que o nível de captação do furo existente é muito baixo, mas esse é o rumo, tal como estamos a fazer nas outras comunas”, referiu o governador.

Sistema de água

Rui Falcão prometeu na localidade a recuperação da área de bebedouro do gado e a criação de pelo menos mais dois sistemas de água na comuna, depois da prospecção do lençol freático.
“Onde encontrarmos um bom caudal de água vai fazer-se a captação e a distribuição, assim como serem agregados outros elementos para haver bastante disponibilidade de água, para que a população possa produzir”, assegurou Rui Falcão.
A comuna da Lola na província do Namibe  possui uma população estimada em mais de 20 mil habitantes, na maioria criadores de gado e camponeses.

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