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Técnicos de saúde em formação

Manuel de Sousa | Moçâmedes

Um total de seis médicos e 19 técnicos de saúde dos cinco municípios do Namibe terminaram sábado, em Moçâmedes, uma acção de formação sobre o combate à tuberculose, com vista a baixar os índices de abandono do tratamento da doença a nível da província.

Governo Provincial do Namibe e parceiros sociais traçam novas estratégias para evitar a propagação da tuberculose
Fotografia: Edições Novembro

O encontro serviu para dotar os técnicos do sector de valências para poderem reduzir os índices de abandono da doença, que rondam os 43 por cento, e completar um leque de trabalho e de sub-programas para minimizar os índices a nível da província, com a implantação nas comunidades do tratamento sobre observação directa da tuberculose.
O director provincial da Saúde em exercício, Inocêncio Fecayeya, disse que a província do Namibe contempla várias determinantes que influenciam para que a epidemia seja multiplicada, desde o comportamento humano e a salubridade do meio, factores determinantes que fazem com que os índices de prevalência da doença aumentem na região.
Considerou que a formação é necessária, uma vez que visa munir os técnicos de saúde de ferramentas para a multiplicação da informação acerca da doença a nível das comunidades, que fazem diminuir os índices, evitando assim os riscos no alastramento da doença.
A outra razão da realização da formação tem a ver com o tratamento dos dados, que devem ser fiáveis e correctos. “São essas ferramentas que a formação vai trazer para que não se multipliquem os dados, recolhidos ao nível das comunas, que devem constituir o ponto de partida, para que os municípios consigam transformar os dados em casos certos”, disse o responsável.
O director avançou que a província deve montar uma estratégia de combate à tuberculose, para evitar que se faça uma leitura empírica sobre as razões da doença.
Inocêncio Fecayeya disse que, dentro da infecção conjunta, a tuberculose e outras epidemias trazem sempre a junção tuberculose VIH e Sida, sendo que os indicadores a nível local vão multiplicar-se. Em função disso, os participantes ao encontro foram também dotados de ferramentas não só para fazer apenas o acompanhamento dos casos de tuberculose, mas também a triagem do VIH e Sida, que normalmente tem como infecção primária, a tuberculose.
“Esta formação traz todas essas valências, para que consigamos baixar o índice de abandono, porque quando os pacientes não concluem o tratamento, isso preocupa as autoridades de saúde pública, face à proliferação da doença, e consequentemente o aumento do número de óbitos por tuberculose”, disse o responsável.
Questionado sobre os dados fiáveis da doença a nível da província, o director provincial de Saúde reconheceu não existirem dados concretos, mas indica que possam estar em 43% os indicadores de abandono a nível da província.
Em cada dez doentes que procuram o tratamento contra a tuberculose, quatro acabam por desistir.
As causas do abandono, segundo Inocêncio Fecayeya, têm a ver com o comportamento humano, que passa por quererem livrar-se rapidamente do tratamento, acabando por não cumprir o programa terapêutico da cura. A outra razão tem a ver com as roturas de stock de medicamentos, sobretudo os fármacos de primeira linha, acabando por ser difícil administrar os de segunda linha, que custam mais caro que os primeiros.
O único Hospital Sanatório da província possui medicamentos de primeira linha, para o suporte do tratamento da doença.
O cidadão com sintomas de tuberculose que procura os serviços, após o diagnóstico da doença, recebe os respectivos medicamentos de primeira linha.
O responsável deixou claro que é fundamental que se conclua essa primeira etapa do tratamento, uma vez que se o paciente abandonar fica difícil administrar os medicamentos da segunda linha.

Novos bairros periféricos

A imigração de pessoas oriundas das províncias da Huíla, Benguela, Cunene, Huambo e Bié para a província do Namibe, concretamente ao município de Moçâmedes, tem provocado o surgimento de novos bairros periféricos, de forma assustadora.
Este crescimento, segundo o governador do Namibe, Carlos da Rocha Cruz, em declarações à Angop, surge pelo facto do município apresentar melhores condições sociais para qualquer que nela pretenda habitar, como escolas, postos e centros de saúde, água, energia, entre outros serviços básicos.
Este fenómeno tem provocado alguns constrangimentos aos serviços da administração municipal de Moçâmedes, concretamente na planificação de projectos sociais, “pois construímos infra-estruturas e em pouco tempo vão surgindo outros bairros em que a sua população vai clamando por falta de vários serviços”.

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