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Tômbua assinala ascensão a cidade com mais água

João Upale| Tômbua

A população da cidade piscatória do Tômbwa reconhece os esforços do Executivo para melhorar as suas condições de vida, com as várias acções de impacto social que estão a ser levadas a cabo na região, sobretudo no tecido das infra-estruturas que estão a mudar o quotidiano dos munícipes.

A administração municipal do Tômbua foi apetrechada com novos e modernos meios para a recolha e transporte de lixo
Fotografia: Afonso Costa | Namibe

A população da cidade piscatória do Tômbwa reconhece os esforços do Executivo para melhorar as suas condições de vida, com as várias acções de impacto social que estão a ser levadas a cabo na região, sobretudo no tecido das infra-estruturas que estão a mudar o quotidiano dos munícipes. A população orgulha-se por ver cada vez mais bonita a imagem da cidade, que outrora era o postal do Sul de Angola.
Desde o ano de 2000 que a administração local começou com a construção de duas novas condutas para fazer com que a água chegue aos tanques de distribuição e ao consumidor final com melhor qualidade.
O Governo Central, em parceria com a União Europeia, mandou construir na sede municipal tanques de água com capacidade para dois mil metros cúbicos cada, para que se possa melhorar a qualidade da água. Construiu-se também um tanque de recarga de 500 metros cúbicos.
O administrador do município, João José Guerra de Freitas, que falava à reportagem do Jornal de Angola a propósito das celebrações dos 156 anos da existência da vila do Tômbwa, assinalado no passado dia 8 de Dezembro, afirmou que o fornecimento da água à população melhorou substancialmente.
Com a substituição da antiga tubagem de fibrocimento por outro de material de qualidade superior, há um maior aproveitamento da água a partir do rio Curoca, uma vez que as perdas e infiltrações deixaram de acontecer.
“Foi necessário construir novos furos tubulares com boa quantidade de água. Agora retiramos à volta de 210, 220 metros cúbicos de água por hora, portanto, um bom caudal”, sustentou.
João Guerra reforçou que uma das maiores preocupações do Presidente da República tem sido a água, energia e saneamento do meio, ou seja, melhorar a qualidade de vida dos angolanos. “E nós aqui no município do Tômbwa temos feito tudo para poder cumprir essa orientação do Chefe do Executivo”, assegurou.
Quanto ao abastecimento de energia eléctrica, o Tômbwa é abastecido com quatro grupos geradores que produzem cerca de 8,3 MW, energia suficiente para que possa distribuir aos consumidores 24 sobre 24 horas.
O município ainda não é abastecido com energia da barragem eléctrica da Matala. Para que isso seja um facto, de acordo com o administrador, é preciso recuperar os 93 quilómetros da linha de alta tensão, empreitada que já consta num projecto com o Governo chinês, cuja execução vai acontecer a qualquer momento,
“Acreditamos que daqui a algum tempo a linha de 60 mil quilowatts que liga o Namibe ao Tômbwa também será restaurada. O importante, primeiro, foi resolver o problema aqui e depois a linha de 60 mil”, assegurou João Guerra.

Novos meios de recolha de lixo

Sobre o saneamento básico, João Guerra disse que a cidade está limpa. A administração municipal foi apetrechada com novos meios para a recolha, transporte e depósito do lixo. Enquanto se aguarda por um aterro sanitário, os resíduos sólidos ainda são depositados ao ar livre, “embora se saiba que isso não é bom para o meio ambiente, mas compreende-se, porque para construir o aterro sanitário é preciso muito dinheiro”, reconheceu o homem forte do Tômbwa.
 Toda a população participa na limpeza da cidade, incluindo as igrejas, que têm jogado um papel muito importante na mobilização das pessoas. “É preciso realçar isso, porque quando falamos de cidadania, de ética, da moral, do civismo, do comportamento das pessoas, da sociedade, estamos a falar também da limpeza do meio em que vivemos”, disse.

Escolas ao lado de casa

O administrador Guerra assegurou que os estabelecimentos escolares e sanitários vão ao encontro do cidadão, estão implantados em cada bairro da periferia, fazendo com que os papás e as mamãs se sintam responsáveis por colocar o filho na escola, “porque ela está ali pertinho de casa”, assegurou o administrador municipal.
Lembrou que em 2009, o número de alunos matriculados no ensino primário era de 8.754, dos quais 4.525 são do sexo feminino. No primeiro ciclo do ensino secundário estão matriculados 2.255 alunos, sendo 1.089 do sexo feminino. No segundo ciclo, 1.057, com 420 do sexo feminino, totalizando 12.066 alunos, sendo 6.l34 do sexo feminino.
Quanto ao número de escolas, o município tem 17 escolas, das quais 14 primárias, duas do primeiro ciclo e uma do segundo.
Em termos de Saúde, o município dispõe de nove médicos de nacionalidade cubana, que trabalham nas áreas da saúde pública, e um angolano. O município tem um hospital municipal com capacidade de internamento para 60 camas, um centro de saúde com 20 camas e quatro postos de saúde. Para o seu funcionamento, o município conta com 176 funcionários, dos quais 68 enfermeiros auxiliares, 17 gerais, cinco técnicos de diagnóstico terapêutico e nove técnicos auxiliares terapêuticos. A maior preocupação é sempre com as doenças oportunistas. Para prevenir, são feitas regularmente palestras nos diferentes bairros, pedindo às famílias que tão logo o filho se sinta mal acorram aos hospitais, já que em todos os bairros existem postos e centros de Saúde, e isso tem permitido o descongestionamento do hospital central, que só atende questões de emergência.
 Pinda, Rocha Magalhães, Curoca, Iona, todas essas povoações têm postos de saúde. E o do Iona vai no próximo ano de 2011 ser ampliado, no âmbito do Fundo de Combate à Pobreza, evoluindo o posto do Iona para centro de saúde, com um médico, enfermeiros e todos os serviços possíveis.
O director-geral do hospital municipal, Hélder Raul Buta, disse que as estruturas físicas do hospital precisam de ser reabilitadas, e se possível ampliadas, por se notar um cada vez maior número de pacientes que ali acorrem e a exiguidade do espaço não mais suportar a procura.
A malária é a principal causa de morte no município. Em 2009, foram diagnosticados 13.270 casos, que resultaram em 39 óbitos. Assegurou que, apesar de este ano haver mais casos, como o tratamento é acompanhado por médicos o número de óbitos diminuiu de forma considerável.

Mais centros de rastreio da sida
 
Dois centros de aconselhamento e testagem voluntária do HIV-Sida separados por dois quilómetros. “É nossa intenção criar centros de testagem voluntária em outras localidades”, disse Hélder Buta.
Quanto ao vírus do HIV/Sida, o director-geral do hospital revelou que desde a abertura do centro de aconselhamento e testagem voluntária, no Tômbwa, em 2007, foram registados 161 casos positivos com 16 óbitos. Fez-se a testagem voluntária em 54 mulheres grávidas, 45 adultos do sexo masculino e 54 do sexo feminino, quatro crianças, sendo dois rapazes e duas raparigas, que resultaram em oito óbitos, dos quais seis mulheres e duas crianças.
Sobre a cólera, até ao momento o município não registou qualquer caso, porque foram tomadas todas as medidas possíveis para inviabilizar o surgimento de surtos, como aconteceu em 2006 e 2008, com muitas vítimas mortais.

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