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Turismo náutico na Baía dos Tigres

Baptista Marta |

A maior de todas as baías da costa namibense, que um dia atendera pelo nome de Baía dos Tigres, localizada a cerca de 100 milhas a Sul da cidade capital da província, além do seu potencial em pescado, parece um paraíso inexplorado, com extenso litoral e condições favoráveis para a prática do turismo.

Empresários chamados a investir numa das melhores paraias de Angola
Fotografia: Afonso Costa

A maior de todas as baías da costa namibense, que um dia atendera pelo nome de Baía dos Tigres, localizada a cerca de 100 milhas a Sul da cidade capital da província, além do seu potencial em pescado, parece um paraíso inexplorado, com extenso litoral e condições favoráveis para a prática do turismo.
João Guerra de Freitas, administrador municipal do Tômbwa, incentiva por isso os homens de negócios, líderes de empresas nacionais e estrangeiras, especialmente aquelas portadoras de novas tecnologias, para que se instalem na região e consigam investir no sector turístico e noutras áreas, como das pescas.“Logo que o executivo local encontrar investidores interessados em reactivar as pescas e o fomento do turismo, se abrirá a oferta de emprego, trazendo mudanças no desenvolvimento económico da província” - considerou.
Como realçou o administrador, esforços estão a ser empreendidos para o aproveitamento ecoturístico do património submerso, a fim de se desenvolver o turismo de mergulho e não só. A fonte explicou que por falta de financiadores, até agora não foi materializada a construção do maior porto pesqueiro do país que, no quadro do programa de desenvolvimento da Baía dos Tigres gizado pelo executivo local, previa movimentar um milhão de toneladas de mexilhões por ano.
“Preferimos apostar no turismo de aventura, e neste momento estamos a ver que, tirando as pescas, a actividade náutica-turística é a que se adapta à região”, disse.
Neste momento, acrescenta o administrador, devido ao fracasso da primeira e última experiência de 2006, com vista ao seu repovoamento e consequente reposição da administração do Estado, os habitantes que lá foram parar regressaram ao Tômbwa, por falta de abastecimento de água potável, factor indispensável à sobrevivência humana e não só.
AntónioVaikeny, 62 anos de idade e um dos antigos pescadores que dedicou metade da sua vida à pesca naquela ilha, não hesita em descrever a sua realidade: “Definitivamente ela é um prato cheio de opções turísticas para aventureiros mais viajados que buscam rotas alternativas em terras ainda pouco visitadas pelo turismo massivo”.
O local reúne várias opções turísticas, mas é na pesca submarina, caça submarina, pesca desportiva, desporto náutico, incluindo excursões de barcos que apresenta fortes argumentos. A sua vida marinha conta com variadas espécies de peixe, entre elas a mariquita, o tubarão, o carapau, a enchova, a corvina, a bica e a sardinha ou savelha.

A vida madrasta na Ilha dos Tigres

Em 1975, com a independência de Angola, alguns empresários portugueses que habitavam a Baía regressam a Portugal, enquanto outros escolheram como destino outros pontos do país, à espera do evoluir da situação resultante da turbulência política vivida na época.
Para trás ficavam equipamentos fabris e pontes para descarga do pescado que depois passaram a ser utilizadas, durante os últimos anos, por armadores nacionais e estrangeiros, detentores de navios-fábrica e arrastões, que pescavam fora do controlo do Estado.
Devido ao conflito armado, de cerca de três décadas, a ilha ficou entregue à sua sorte, ou seja, esteve pura e simplesmente abandonada. Hoje, a actividade na Baía dos Tigres só se resume à pesca. Na falta de uma eficiente fiscalização das nossas águas territoriais, destinada ao combate às capturas ilegais que ainda persistem, barcos piratas de diversas partes do mundo haviam transformado a Baía dos Tigres num autêntico “El Dorado”.
Por força da intervenção, nos últimos tempos, da Fiscalização do Ministério das Pescas e da Marinha de Guerra Angolana, a actividade desses barcos piratas de grande porte, dotados de sistema de captura, transformação e processamento do pescado, diminuiu.
A acção criminosa protagonizada por embarcações piratas, na sua maioria estrangeira, tem deixado marcas profundas nos dias que correm.Como se disse, a Baía dos Tigres foi completamente abandonada há mais de vinte anos. Era, por exemplo, local que albergava muitos ex-reclusos, depois de estes cumprirem penas de prisão no antigo centro prisional de São Nicolau, actualmente conhecido como centro prisional do Bentiaba.  Mas ainda assim, houve quem optasse por ficar, mesmo sabendo de todo o mar de dificuldades, agravado com a ruptura da tubagem submersa que então ligava a ilha ao continente, transportando água desde a foz do Rio Cunene. O precioso líquido ficava acondicionado em dois depósitos subterrâneos.
Quando a reserva de água acabou, a Baía ficou completamente despovoada, e consequentemente isolada do resto da província, o que provocou à ilha duras consequências com características marcantes que são visíveis até hoje, como o seu abandono total.
Dados de 1973 apontavam para a existência, na Baía dos Tigres, de 400 casas habitadas por 1.068 pessoas, que se dedicavam à pesca. É com base nessa realidade que, a partir de 1999, o governo da província do Namibe iniciou um estudo minucioso da Baía dos Tigres, com vista a sua recuperação, no quadro do seu programa de desenvolvimento socioeconómico, que não logrou êxito for falta de financiamento.
No sector das pescas, principal actividade económica da Baía dos Tigres, para além do turismo, é necessária a recuperação e reabilitação de todo o parque industrial, constituído por 14 fábricas de processamento de pescado, das quais sete de farinha e óleo de peixe.

Fama da Ilha vem nos tempos coloniais

A Baía dos Tigres que, nos mapas ingleses, figura sob a denominação de “Great Fish Bay” (Grande Baía dos Peixes), era reentrância costeira de consideráveis dimensões.Tida como a maior de todas as baías da costa namibense, era constituída por um enorme “saco”, com a entrada voltada para o Norte, separada do mar por uma península arenosa de 26 quilómetros de comprimento. Está situada, aproximadamente, a 100 milhas a sul do Namibe. Reza a história que foi descoberta, tal como o Tômbwa, por Diogo Cão, em 1485, na sua terceira viagem ao longo da costa africana, por determinação do Rei D. João II.

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