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Um Namibe Verde com diversificação de plantas

João Upale |

A cidade do Namibe tem registado um ambiente cada vez mais verde, fruto do trabalho que algumas associações de defesa da natureza têm estado a fazer

Um Namibe verde com diversificação de plantas
Fotografia: Afonso Costa

A cidade do Namibe tem registado um ambiente cada vez mais verde, fruto do trabalho que algumas associações de defesa da natureza têm estado a fazer. A Associação Liga Nacional dos Amigos do 4 de Abril é uma delas.
A mesma leva a cabo, desde o ano passado, uma campanha de plantação de árvores na cidade com o objectivo de criar espaços verdes, combater a desertificação e proteger o meio ambiente, dando resposta ao desafio do milénio sobre a redução dos efeitos estufa.
O projecto é aplicado nas imediações do Aeroporto Yuri Gagarine, à entrada do casco urbano, e é financiado pela companhia petrolífera BP/Angola com cerca de 450 mil dólares. Foram já lançados os primeiros 25 hectares de plantação, com 3.700 árvores do tipo casuarinas, apropriadas para o deserto por ser uma espécie que permite uma reserva de água muito acentuada, fazendo equilíbrio junto das correntes ou dos ventos que sopram no deserto do Namibe.
Segundo o presidente da associação Liga 4 de Abril, Mondlane Pereira, uma das vantagens destas árvores é o facto de serem plantas com características muito raras, suportando temperaturas desde os 3 graus negativos até acima dos 40 graus positivos, permitindo a sua resistência quer na época de calor como de frio, dada as próprias particularidades da província.
O ambientalista disse que fez algumas investigações e constatou existir um género de palmeiras que é também muito adaptado ao deserto e que pode contribuir com a sua sombra devido ao sol abrasador que se faz sentir no tempo de calor. “Mas pensamos que a casuarina é até agora a planta mais acertada”, considerou. O responsável do projecto Namibe Verde disse que para lançar os primeiros 25 hectares de plantação foi necessário usar a rega manual, um sistema de aspersão a gota que em simultâneo permite irrigar 500 árvores em cada dez minutos.
Mondlane Pereira refere que o projecto deu um grande passo e que a continuar assim poder-se-á alcançar metas ainda maiores. Outro projecto acolhido pelo Executivo local, segundo o ambientalista, tem a ver com a plantação de algumas fruteiras melhoradas e árvores de sombra, a fim de apoiar o programa de combate à fome e à pobreza.
“Se conseguirmos desenvolver mais de mil fruteiras melhoradas, podemos ter uma agricultura sustentável mais adequada, melhores frutas para a nossa cidade, podemos terciarizar alguns serviços, e isso também pode reverter a situação de pobreza e fome”, sustentou.
Mondlane Pereira revelou que as plantas aplicadas ao projecto Namibe Verde são adquiridas no viveiro da Chianga, na província do Huambo, por ser uma região tropical e com alto nível de reprodução da planta casuarina, embora se pense fazer alguns viveiros a nível local. Na primeira fase do projecto foram postas 1.800 plantas na vertente linear do aeroporto à cidade.

A Miss do ambiente

Mondlane Pereira espera que a Miss Universo 2012, a angolana Leila Lopes, que é embaixadora das Nações Unidades para as questões do ambiente, possa dar uma atenção especial ao combate à desertificação no Namibe, razão pela qual endereçou um convite à mesma para que tenha contacto com o projecto levado a cabo pela associação que dirige.
O responsável da Liga 4 de Abril disse ainda almejar o apoio de outras instituições como a BP Angola no combate à desertificação, realçando a importância de dar continuidade a projectos do género. O governo da província, disse, cedeu uma moto-bomba para apoiar os trabalhos de irrigação.
A principal dificuldade, segundo Mondlane Pereira, tem a ver com o abastecimento de água. O responsável referiu que a associação dispõe de um meio de transporte para carregar água, mas que é insuficiente, tendo em conta a dimensão do reservatório.
O ambientalista realçou que o projecto precisa de ser reforçado com mais duas cisternas com tracção integrada, e um suporte financeiro de quase 50 mil dólares para pagar subsídios de deslocação aos trabalhadores, trabalhos de investigação, compra de combustíveis e manutenção dos meios.

O apoio da BP Angola

O vice-presidente para Relações Púbicas da Companhia Petrolífera BP Angola, Gaspar Santos, frisou que o projecto Namibe Verde pode ter muitos frutos brevemente, elogiando o envolvimento do governo da província, das instituições locais e da companhia financiadora.
Sustentou que em Angola o projecto é pioneiro e as autoridades que estão à frente do mesmo podem servir de referência para outros países onde a BP está faz tempo. Gaspar Santos assegurou que a BP Angola está disponível para continuar a apoiar a associação Liga 4 de Abril e o seu projecto, tendo reconhecido o empenho do governo da província e da comunidade, que têm trabalhado juntos nesse desafio. A primeira fase do projecto termina em meados do próximo ano. A segunda fase vai depender dos resultados da primeira. Gaspar Santos acredita que o projecto vai ser um grande sucesso.

Defensores do Ambiente

A Associação dos Defensores do Ambiente (ADA), é outra organização que vem trabalhando em prol de um ambiente salutar no Namibe. De carácter não governamental, a associação trabalha em parceria com o governo da província nesta perspectiva, sobretudo com a administração municipal do Namibe.
A associação lançou recentemente, no Bairro Mandume, arredores da cidade, um projecto denominado adopte uma árvore, com a entrega e plantação de árvores, visando proteger o ambiente e combater a desertificação.
Com esta iniciativa, a ADA pretende, numa primeira fase, plantar cerca de 150 árvores, principalmente em zonas periféricas. O responsável da associação, Fernando da Paixão Manuel, disse ao Jornal de Angola que pretende incutir nos habitantes o sentido de defesa do meio ambiente.
O projecto requer a participação da sociedade civil nos locais onde estão a ser plantadas as árvores. Fernando da Paixão esclareceu que o projecto vai estender-se a outros bairros da cidade do Namibe e aos municípios da Bibala e Virei, que estão bastante afectados pela desertificação.
Questionado sobre a sustentabilidade das plantas, tendo em conta a insuficiência de água, Fernando da Paixão realçou que conta com o apoio da administração municipal e da população.

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