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Vila de Munhengo precisa de escolas

João Upale

A falta de escolas na vila de Munhengo, município da Bibala, preocupa a população, que anseia inserir os filhos no sistema de ensino. Este problema foi levantado pelos responsáveis da comunidade que reiteraram a necessidade de organizar os serviços de Educação e de Saúde.

A população da vila do Munhengo é obrigada a percorrer longas distâncias em busca de assistência médica
Fotografia: Dombele Bernardop

As poucas salas de aulas da povoação de Munhengo, no município da Bibala, está a preocupar a população, que anseia inserir os filhos no sistema de ensino. Este problema foi levantado pelos responsáveis da comunidade, que reiteraram a necessidade urgente de organizar os serviços primários de Educação e de Saúde, próximo da população.
António dos Santos Kolela, porta-voz da comunidade do Munhengo, disse ao Jornal de Angola que foram apresentadas ao Governo Provincial as inquietações que visam a melhoria de vida das famílias da região.
“Já pedimos ao governo da província para analisar as nossas propostas, para que se resolvam os problemas, mas até agora continuamos à espera da resposta”, declarou. As aulas na única escola do ensino primário existente no Munhino, sede da comuna, são asseguradas por um professor.
“A falta de meios de transporte também dificulta o processo de ensino e aprendizagem, pois muitas crianças não conseguem percorrer 15 ou 20 quilómetros para chegar à escola, com cobras e lacraus pelo caminho”, disse António Kolela. Revelou ainda que na comunidade do Munhengo, com 125 famílias, existem muitas crianças fora do sistema de ensino e que os adultos também querem ser alfabetizados.

Posto médico

Os serviços primários de saúde também estão longe da população do Munhengo. António Kolela, que é igualmente o responsável da associação de camponeses, lamenta não existir um único posto médico na aldeia.
Diz que, nos casos graves, não há uma ambulância para transportar os doentes para os primeiros socorros na sede comunal.
“Se a pessoa ficar doente e não tiver a possibilidade de se deslocar à sede da comuna, por falta de transporte ou dinheiro para apanhar o candongueiro, que aqui no mato é muito raro, a solução é recorrer ao tratamento tradicional, que por vezes não tem efeito de cura”.
António Kolela revelou que várias doenças assolam a população, como a malária, de transmissão sexual, sarna e sarampo. No ano passado, acrescentou, uma doença estranha, que parecia ser o sarampo, afectou, principalmente, os adultos.
Maria Amélia Kanheva e Mbayavoka Manuel anseiam que a povoação tenha um posto de saúde. Asseguraram à nossa reportagem que, de há algum tempo a esta parte, “abriram os olhos”, porque antigamente apostavam mais em kimbandas, em detrimento da medicina convencional.
“Hoje poucas pessoas aderem aos tratamentos caseiros”, mais o maior problema, segundo disseram, é a distância que separa a aldeia da sede comunal. Devido à seca na região, o gado continua a movimentar-se para zonas onde há pasto.
Mas, com a abertura na comunidade de mais um furo de água, o problema de dar de beber ao gado fica resolvido, disse António Kolela. Mas ainda existem muitos pastores que percorrem longas distâncias na serra da Chela à procura de pasto e de água.
 “Nós temos a esperança que um dia o governo nos diga: a vossa proposta foi aceite, hoje vão ter mais escolas, postos médicos e tudo que necessitam, vamos solucionar pouco a pouco os vossos problemas”, disse o soba Joaquim Munukanheva.

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