Províncias

Virei com passos firmes acelera na reconstrução

João Upale |

O município do Virei está de olhos voltados para o desenvolvimento de todos os sectores da vida social, volvidos dez anos de paz em Angola.

Virei com passos firmes na reconstrução
Fotografia: Dombele Bernardo

O município do Virei está de olhos voltados para o desenvolvimento de todos os sectores da vida social, volvidos dez anos de paz em Angola. O sector da Educação, por exemplo, está a crescer, como afirma a administradora municipal, Juliana Fonseca, que revelou existir uma rede escolar composta de sete escolas de construção definitiva, das quais uma com 12 salas de aula na sede municipal que acolhe um universo de 600 alunos do ensino primário e do primeiro ciclo.
Juliana Fonseca disse ainda que existem outras nove salas precárias anexas às de construção definitiva, e que até final de Agosto serão concluídas mais 11 salas de aula. As escolas estão distribuídas nas povoações do Khande, Mumunda, Kuitikuiti e Kavelokamwe.
Já na sede municipal está a ser ampliada a escola 17 de Setembro com mais três salas, perfazendo um total de seis. A instituição deverá evoluir, no próximo ano lectivo, para escola pré-universitária.
A administradora assegurou que já não se faz sentir a carência de professores que existia no município, com o ingresso de mais quadros para o ensino primário, primeiro ciclo e segundo ciclos, saídos do concurso público recentemente realizado pelo governo da província.
A merenda escolar, disse, chega aos alunos de todas as escolas do ensino primário, o que representa um grande incentivo para as crianças, reduzindo o índice de desistências e promovendo a pontualidade e assiduidade. As aulas naquela vila são asseguradas por 32 professores e este ano lectivo foram matriculados 2.630 alunos.
A rede sanitária no Virei é constituída por 11 unidades, sendo um hospital municipal com 60 camas e dez postos médicos nas distintas povoações. Juliana Fonseca anunciou para este mês a entrega de mais dois postos.
A administração do município adquiriu igualmente alguns equipamentos para a melhoria de assistência médica e medicamentosa e um atendimento personalizado, como aparelho de Raio X portátil, aparelho de ecografia, laboratório completo, 16 cadeias de frio e diversas camas com os respectivos colchões, para além de três ambulâncias, uma das quais entregue ao posto do Cainde, a única comuna, localizada a 60 quilómetros a norte da sede municipal.
A dirigente sublinhou que regularmente são realizadas consultas ambulatórias no Virei, considerando esta acção como sendo de grande importância para as populações por serem serviços de saúde que vão ao encontro das comunidades, evitando que as pessoas se movimentem das localidades longínquas sem estruturas sanitárias.
Juliana Fonseca disse que foram montadas 16 tendas nas áreas já projectadas para a instalação de postos médicos, onde assistem os doentes com recursos às 16 motorizadas distribuídas aos técnicos. Foram ainda adquiridas três viaturas para apoio hospitalar e administrativo, bem como três aparelhos de luta anti vectorial.
A administradora disse que no âmbito do mesmo programa é garantida a alimentação para os doentes. A distribuição dos medicamentos é gratuita. Prevê-se que no próximo ano se desloquem ao município mais dois médicos cubanos. Do universo de 55 técnicos que asseguram o sector da saúde no Virei, apenas um tem nível superior.

Fomento habitacional


A administradora Júlia Fonseca disse estar ciente de que só se pode trabalhar com quadros motivados se estes tiverem as condições sociais asseguradas, razão pela qual uma das grandes apostas do Executivo é minimizar a carência de residências.
Referiu que no âmbito do programa de combate à fome e à pobreza está em curso a construção de 50 casas evolutivas para beneficiar a população local, das quais 26 na sede, seis na povoação do Khande, igual número na Munda, Kuitikuiti e Kavelokamwe, assegurando que as mesmas estão em fase conclusiva. Na sede do município já arrancou a construção de 100 fogos habitacionais, dos 200 previstos. As obras, disse, estão no bom caminho.
Juliana Fonseca revelou também que está em fase conclusiva a construção de dez residências do tipo T2 e T1, para acomodação dos técnicos aí destacados. Salientou que a tendência da administração é fazer crescer as comunidades locais, reuni-las em aldeamentos, reduzindo o hábito de dispersão, embora o nomadismo seja por vezes motivado pela estiagem.

Água e luz


O abastecimento de água potável na sede do Virei melhorou bastante com a implantação de mais chafarizes. Neste momento, a rede de distribuição está a receber obras de reabilitação e extensão.
A capacidade de produção será maior com a construção de mais um tanque para 150 metros cúbicos. Outros pontos avariados aguardam a sua recuperação. A segunda fase vai abranger a comuna do Cainde, onde também se regista grande procura do precioso líquido. A canalização domiciliária prossegue em casas de construção definitiva e o sistema de chafarizes para os bairros de construção precária.
A energia elétrica no município é fornecida por um grupo gerador de 550 e 250 kva, das 18 horas à meia-noite. Em breve o sector será reforçado com a instalação de um sistema solar.

Programa de desenvolvimento da pecuária

Juliana Fonseca disse que o programa de desenvolvimento da pecuária (PRODEP) deu grandes passos logo após a identificação de 54 beneficiários, e neste momento a autoridade competente trabalha na regularização da documentação visando facilitar o acesso ao crédito bancário. Deste número, 44 beneficiários já possuem o número de contribuinte, e outros passos subsequentes exigíveis vão sendo dados para que se conclua com êxito a regularização da actividade comercial nesta área.
Estão identificadas as fazendas onde o projecto vai ser implementado e a administração está a trabalhar no sentido de notificar os órgãos afins como os Institutos de Cartografia (IGCA) e do Ordenamento do Território (INOT), para procederem as respectivas demarcações. Após a disponibilização da verba, a Fazenda Âncora, responsável pela distribuição, fará o seu trabalho. No terreno estiveram há dias especialistas namibianos e angolanos no tratamento animal e na abertura de furos e assistência, para apurar a situação.

Voz do povo


O soba do Virei, Bernardo Mussonde, afirma que o governo da província através da administração do município está atento ao desenvolvimento social, principalmente na formação de quadros locais, dando passos qualitativos importantes.
“A vida da população mudou positivamente. Há desenvolvimento nos sectores da saúde, educação e habitacional, bem como nas vias de acesso. Isso significa que o governo provincial está a resolver os problemas do povo”, elogiou.
Este reconhecimento é partilhado por Ana Tembo Nkhole, munícipe, funcionária administrativa local, que diz que o Virei já se compara a outros municípios do país.
Famosa “terra do carneiro,” o município do Virei situa-se a 130 quilómetros a sudeste da sede da província do Namibe. Ascendeu à categoria de vila a 13 de Dezembro de 1965. Tem uma superfície de 15.092 quilómetros quadrados e uma população estimada em cerca de 25 mil habitantes. A sua principal actividade é a pastorícia e a prática de agricultura de subsistência em pequena escala. Um mercado informal acolhe o comércio ambulatório.

Tempo

Multimédia