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Namibe aposta na erradicação do analfabetismo

João Upale | Moçâmedes

Namibe conta com uma campanha contínua de massificação e aceleração escolar, que vai abranger principalmente adolescentes e jovens a partir dos 12 anos, visando reduzir o índice de analfabetismo na província.

A campanha contínua de massificação e aceleração escolar aberta na sexta-feira vai contar com a participação da sociedade civil
Fotografia: Edições Novembro

A referida campanha, aberta sexta-fera, com a participação de parceiros sociais, como entidades religiosas, autoridades tradicionais, representantes da sociedade civil, Conselho Provincial da Juventude, JMPLA, OMA e representantes das comissões municipais de alfabetização, vai ser realizada todo o ano e consta do Programa de Alfabetização e Aceleração Escolar, que decorre sob o lema “Namibe alfabetizando, Namibe em marcha”.
O programa visa ainda reduzir de forma progressiva, estruturada e sustentada a incidência do analfabetismo absoluto e funcional entre jovens e adultos da província do Namibe. Outro objectivo da campanha é incentivar a recuperação do atraso escolar por meio de actividades que visam a aceleração das aprendizagens e expandir e fortalecer a oferta do programa de alfabetização em toda a província.
Com vista ao alcance dos objectivos assumidos, a campanha é guiada nos princípios da parceria global pela alfabetização, segundo o qual todos os sectores da sociedade, sejam eles públicos ou privados, governamentais ou não-governamentais, civis ou militares, nacionais ou internacionais, sejam parte fundamental da campanha, no âmbito da busca do objectivo maior de redução do analfabetismo na província do Namibe.
Emerge também no princípio da Educação como um direito humano inalienável e indivisível, pelo qual jovens e adultos, embora fora da idade escolar, vejam reconhecido o seu direito de acesso aos conhecimentos e competências conferidas pela educação, bem como no princípio do diálogo permanente e da construção colectiva, pelo qual o programa da Educação “deve ser discutido por todos os sectores da sociedade e em todo o país, a fim de que seja produto colectivo, com o qual todos estejam verdadeiramente comprometidos,” segundo o coordenador provincial da Alfabetização, Stover Sandumba Caungilica. Ao apresentar a estratégia de trabalho a aplicar para o trabalho da campanha, Stover Sandumba Caungilica referiu que a campanha vai ser desenvolvida porta-a-porta, em colóquios, palestras, teatros, encontro com as comunidades e outras actividades que possam sensibilizar a população a participar no processo. As referidas acções, acrescentou, devem ser lideradas pelas comissões municipais de Alfabetização, junto da JMPLA e do Conselho Provincial da Juventude, na criação de grupos de trabalho. Devem ainda as comissões de trabalho localizarem os focos de maior índice da população iletrada e cada município deverá realizar a campanha em função da sua realidade, devendo por isso trabalhar com todas as entidades e os parceiros sociais.
A população sensibilizada deve ser inscrita e matriculada, no sentido de se constituírem as turmas, ao passo que as repartições devem produzir material com dizeres a serem utilizados na campanha e disponibilizar meios para o efeito. Segundo Stover Caungilica, para que os objectivos sejam alcançados com êxito, os órgãos de comunicação social local devem igualmente ser convidados, no sentido de se divulgar a informação e no fim dos trabalhos produzir-se um relatório com a assinatura do presidente da Comissão Municipal da Alfabetização.
Segundo o director provincial da Educação, Pacheco Francisco, que procedeu à abertura oficial da campanha, “somos o que somos, porque fomos o que fomos e que ainda muitos permanecem naquilo que foram, porque não lhes foram concedidas ferramentas suficientes para a sua auto afirmação, numa sociedade tão competitiva, nem espaço para formação”.
Frisou que uma sociedade em desenvolvimento sustentável que se pretende para o país deve depender da contribuição de todos, sem distinção de raça, cor, condição social ou religiosa. “Estamos nesse lugar em nome de milhões de angolanos. Por isso devemos assumir o compromisso de promover a grande campanha de sensibilização, de forma a envolvermos todos aqueles que têm necessidade de aprendizagem, para dentro de pouco tempo erradicarmos o analfabetismo,” disse, acrescentando que se deve trabalhar no intuito de que “o não escolarizado, marginalizado ou excluído adquira habilidades de leitura e escrita para não viver limitado”.
Pacheco Francisco disse ser difícil encontrar espaço e pessoal para ensinar muita gente, dada a conjuntura económica actual, mas “se cada um tirar um pouco do seu tempo e dedicá-lo à Alfabetização, não teremos falta de docentes, nem tão-pouco de espaço”.
O sucesso desta campanha, acrescentou, vai depender do empenho e dedicação de todos, sem olhar apenas par a remuneração.

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