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National Geographic procura novas espécies

Lourenço Bule | Kangamba

Uma equipa de pesquisadores da revista e canal de televisão National Geographic, integrada por 12 especialistas, está a trabalhar ao longo do rio Kembo, que nasce no município dos Luchazes, província do Moxico, com o objectivo de descobrir novas espécies aquáticas. 

O rio está cercado de árvores, cascatas e capim denso que dificultam a passagem das canoas
Fotografia: DR

A expedição, iniciada em meados do mês de Maio, é chefiada por Chris Boyes e já percorreu 220 dos cerca de 550 quilómetros de extensão do Kembo, que desagua no rio Cuando, onde esperam efectuar contacto com outra equipa que começou a investigação a partir da nascente do Cuando.
Chris Boyes disse ao Jornal de Angola que a actividade decorre com muitas limitações, porque o Kembo está cercado de muitas árvores, cascatas e capim muito denso, que dificultam a passagem das canoas. Em alguns casos, os pesquisadores são obrigados a percorrer terra firme, carregando o equipamento na cabeça, situação que es-tá na origem dos atrasos que se registam.
A sua equipa está atrasada, porque neste momento deveria estar na confluência entre os dois rios, onde já se encontra o outro grupo de pesquisadores da National Geographic, chefiada por Steve Boyes, que partiu da nascente do rio Cuando, percorrendo cerca de 550 quilómetros. Segundo Chris Boyes, a partir da confluência entre os rios Kembo e Cuando as duas equipas vão percorrer cerca de 1.500 quilómetros até ao Delta de Okavango, no Botswana, onde desagua o rio Cubango e forma um enorme lago com belos encantos turísticos e paisagens de tirar o fôlego, constituin-do deste modo uma fonte de receita para o Governo local.
Apesar dos constrangimentos ao longo do Kembo, a investigação científica, geográfica e a recolha de dados sobre a qualidade de água, espécies de animais e as comunidades que vivem nas margens está a decorrer satisfatoriamente.
“O rio Kembo é bastante bonito e rico em peixe, répteis, plantas aquáticas, entre outras espécies, que, depois de recolhidos, são enviadas para laboratórios na África do Sul, onde são analisados e só depois podemos dizer com precisão se estas são novas espécies ou não. Em terra firme, por onde passámos, vimos sinais de pequenos e grandes antílopes e pássaros que também estão a merecer a nossa avaliação”, disse.
O grupo que dirige é composto por doze elementos, entre cientistas, biólogos, fotógrafos, operadores de câmara, médico e logísticos de nacionalidade angolana, sul-africana, norte-americana, zimbabweana, indiana e namibiana, que até ao final de Agosto próximo deverão concluir a expedição.
 
Incentivo ao turismo

O director adjunto do Pólo Turístico da Bacia do Okavango, João Gime Sebastião, disse que a expedição que a National Geographic está a realizar em Angola tem um grande significado e é de valor inestimável, porque além de mostrar ao Mundo as potencialidades da fauna e flora angolanas permite ao Executivo estudar mecanismos para a sua inserção no desenvolvimento do país.
João Gime Sebastião salientou que é fundamental divulgar a fauna e flora angolanas, que podem catapultar a diversificação da economia nacional, através do turismo, que no futuro pode servir de mola impulsionadora para a arrecadação de receitas, para serem investidas em outros sectores da vida social e económica do país.
“Estamos a levar o Mun-do a conhecer as potencialidades da fauna e flora de Angola, através da expedição da National Geographic, para que os empresários estrangeiros possam investir no país e, sobretudo, no sector do turismo”, disse João Gime Sebastião.

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