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Negage e Quimbele registam mais casos

Valter Gomes | Uíge

Um total de 453 casos de violência doméstica foram registados entre Janeiro e Dezembro de 2016, na província do Uíge, revelou na quinta-feira a directora provincial interina da Família e  Promoção da Mulher, que apontou os municípios do Negage e Quimbele como os de maiores índices de ocorrências.

Belmira Adolfo defende mais diálogo familiar
Fotografia: Filipe Botelho | Uíge-Edições Novembro

Belmira Adolfo disse ao Jornal de Angola que 67 casos foram caracterizados como violência física, 191 patrimoniais, 125 de coação psicológica, sete de abuso sexual e 63 de abandono familiar. Os casos problemáticos foram encaminhados para o tribunal provincial.
A responsável apontou a fraca capacidade económica de algumas famílias, posse ilícita de bens de outrem, uso excessivo de bebidas alcoólicas, falta de maturidade dos casais jovens e a fuga à paternidade como principais causas que estão na origem dos casos de violência doméstica.
Para conter a onda de violência, a Direcção da Família e Promoção da Mulher prevê desenvolver neste ano acções de sensibilização da juventude sobre as consequências da gravidez e casamento precoce, importância dos valores cívicos, morais e culturais, além da  divulgação da Lei contra a Violência Doméstica. No mesmo âmbito, está prevista a formação de conselheiros familiares e a capacitação das mulheres sobre o seu poder social, com vista à criação de pequenos negócios. Também será prestado apoio institucional às mulheres que desenvolvem a olaria, piscicultura e a agricultura, assim como a capacitação de mais de 700 parteiras tradicionais. Belmira Adolfo disse que a Direcção Provincial da Família e Promoção da Mulher continua preocupada com a perda de valores morais e culturais nas famílias e, nesta perspectiva, apontou a necessidade do apoio às vítimas de violência doméstica e promover a mulher rural.
A directora referiu que nos últimos tempos cresce o número de separações de casais jovens depois de terem um ou mais filhos, o que tem contribuído para a fuga à paternidade, acrescida de violência física e psicológica.
“Um casamento deve ser feito com idade e maturidade própria, gerando famílias sãs e constituindo laços com valores éticos e culturais, evitando as consequências que se têm registados nos lares”, acentuou Belmira Adolfo.
A violência doméstica constitui um crime grave, punível e condenável de acordo com a Lei 25/2011, de 14 de Julho. “Queremos que as famílias primem pelo diálogo, compreensão, respeito mútuo e partilha de ideias, para que os filhos cresçam num ambiente de educação familiar saudável”, frisou.

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