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Nharêa celebra mais um aniversário rumo ao crescimento sustentável

José Chaves | Nharêa

Nharêa, província do Bié, assinalou terça-feira 53 anos desde que foi elevada à categoria de município, com claros sinais de progresso em quase todos os domínios.

Vista parcial da sede municipal da Nharêa onde estão em curso diversas acções de impacto social para melhorar o nível de vida
Fotografia: José Chaves



Em 1965 Nharêa foi elevada à categoria de concelho administrativo e a sua sede à categoria de vila, através da Reforma Administrativa Ultramarina, do então regime colonial.
Imagens de destruição causadas pela guerra fazem parte do passado. Os escombros deram lugar a várias infra-estruturas sociais, como escolas, hospitais, centros e postos de saúde, sistemas de captação e fornecimento de água potável, energia eléctrica, enquanto no domínio económico se assinala a reactivação de vários projectos agrícolas e a criação de novos.
A administradora municipal da Nharêa, Maria Lúcia Chicapa, recorda que com o alcance da paz definitiva,  em 2002, o governo criou programas que estão a permitir resgatar o potencial agro-pecuário.
“Hoje temos um número considerável de infra-estruturas, umas construídas de raiz e outras recuperadas, enquanto a estrada para o Andulo, num percurso de 46 quilómetros, foi completamente reabilitada, possibilitando aos automobilistas e turistas uma viagem tranquila”, refere.
A administradora Lúcia Chicapa destaca as obras de asfaltagem das ruas da Nharêa, que foram inauguradas a 24 de Fevereiro do ano passado, pelo Presidente da República,  João Lourenço, na altura ministro da Defesa Nacional. Foram asfaltadas 29 ruas, com destaque para as dos bairros Hoji-ya-Henda, Chivili, Hospital, Simeone Mucune, Operário, Gika e a sede.  
Além da asfaltagem das ruas de diversos bairros periféricos da vila, também foram construídas redes de esgoto, passeios e lancis, bem como colocados 244 postes de iluminação pública, sinalização vertical e horizontal.
A sede municipal da Nharêa ganhou igualmente nos últimos anos um complexo residencial, com 100 casas sociais, para colmatar o défice habitacional. A administradora Lúcia Chicapa destaca igualmente os ganhos que as populações obtiveram com a construção de escolas, postos de saúde e sistemas de abastecimento de água potável, nas aldeias da Jamba, Chimuco, Lonjonjo, Cangologolo e Chimboio.
A administradora realçou que o estado actual da vila é o reflexo das acções de im-pacto social que o Executivo tem vindo a implementar de forma paulatina, para me-lhorar as condições de vida da população.
Em prol à efeméride, de-correm até ao próximo dia 31 diversas actividades, com destaque para inaugurações de várias infra-estruturas so-ciais e a realização de uma feira agro-pecuária.
Estão também agendadas diversas actividades culturais, desportivas e recreativas.
A região possui um grande potencial hídrico, com destaque para os rios Kwanza, Cunene, Cunhinga, Cutato e Nduluma, bem como muitos hectares de terras aráveis. A população dedica-se essencialmente ao cultivo do milho, feijão, mandioca, amendoim, café arábica e frutas.
Devido ao grande crescimento populacional, a sede municipal vive dificuldades de abastecimento de água potável, com o rio Nduluma a revelar-se insuficiente para fazer face às necessidades.
Uma nova central de captação, tratamento e distribuição está a ser construí-
da sobre o  rio Nduluma, para aliviar a situação, segundo a administradora.
O município da Nharêa tem uma população estimada em 113.675 habitantes, maioritariamente camponeses, distribuídos por cinco comunas, designadamente a sede comunal, Caieie, Dando, Gamba e Lubia.

Circulação rodoviária
A circulação rodoviária entre a sede municipal e as comunas do interior continua a ser feita com grandes dificuldades, devido ao mau estado das vias, com destaque para os troços sede/Lubia/Caieie e entre Dando e Gamba.
Lúcia Chicapa disse que a crise financeira impossibilitou a concretização de vários projectos previstos no domínio das vias de comunicação. “Com o apoio de empresários locais tem sido fei-to algum trabalho paliativo para a conservação das vias, para facilitar o escoamento de produtos do campo para a cidade e a circulação de pessoas e bens”.
Reza a história que os primeiros europeus a estabelecerem-se no território foram  comerciantes holandeses, em meados do século XIX. Na altura Nharêa já era uma povoação comercial, pertencente ao posto administrativo do Andulo.

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