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Novas salas e docentes para o Cuando Cubango

Carlos Paulino | Menongue

A província do Cuando Cubango vai ganhar no ano lectivo de 2020 mais de 40 salas de aula e 489 professores, que vão permitir inserir cerca de duas mil crianças e adolescentes que se encontram fora do sistema de ensino e aprendizagem, anunciou ontem, na comuna do Missombo, a 15 quilómetros da cidade de Menongue, a vice-governadora para o sector Político, Social e Económico.

Fotografia: DR

Carla Cativa, que falava durante o acto provincial do Dia do Educador, que decorreu sob o lema “Por um ensino de qualidade, promovamos a competência e o bem-estar”, disse que constitui uma grande prioridade do governo local a construção de mais salas de aula e o recrutamento de novos docentes, para resolver o problema urgente das cerca de 30 mil crianças que não têm acesso ao sistema de ensino e aprendizagem, por falta de professores e escolas.
Recordou que a III reunião ordinária do governo da província, realizada no dia 12 do corrente mês, na cidade de Menongue, orientou a todos os administradores municipais no sentido de trabalharem com as autoridades tradicionais e demais líderes comunitários, para a implementação do programa de concentração das aldeias, bem como ajudarem na construção de escolas, ainda que sejam provisórias ou precárias, para se reduzir o elevado número de crianças que se encontram fora do sistema de ensino.
Informou que, neste ano lectivo que está a terminar, a província contou com 271 escolas, correspondentes a 1.698 salas de aula, que permitiram matricular mais de 172 mil alunos, da iniciação ao II Ciclo do ensino secundário, bem como 5.067 professores.
Realçou que a vontade política de se apostar na melhoria do sistema de ensino está expressamente demonstrada na proposta do Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2020, onde os valores financeiros destinados ao sector tiveram um incremento substancial, em relação aos anos anteriores, uma prova clara da importância que o Executivo atribui a este imperativo constitucional, que é garantir educação e ensino de qualidade a todos os angolanos.
“Na nossa província, a formação de quadros capacitados tem de ser o grande sustentáculo, para o progresso e para uma melhor compreensão dos fenómenos políticos, económicos e sociais, principalmente para aqueles que decorrem dos nossos hábitos, usos, costumes, línguas, etnias e tradições”, disse.
Carla Cativa disse ser necessário associar a melhoria do rendimento escolar ao esforço que se tem empreendido para combater a fome, que assola mais de 350 mil habitantes na província, com o desenvolvimento da agricultura familiar, ao longo de todo o ano, aproveitando as zonas ribeirinhas dos mais de 30 rios que o Cuando Cubango possui, o que permitirá a auto-suficiência alimentar das famílias.
Segundo a governante, os educadores constituem a força catalisadora do sistema de educação e ensino, em direcção à qualidade que há muito se almeja, daí a relevância do Dia do Educador.
“Não devemos perder de vista que educar para o desenvolvimento tem que significar educar para o futuro. Por este facto, as práticas pedagógicas actuais deverão ser reajustadas à nova realidade política e social do país, ampliando e aprofundando o debate, para que se alcance o quadro ideal, capaz de oferecer às gerações actuais e vindouras uma educação de qualidade, como o principal pilar de sustentação para a formação do homem novo”, disse.
Carla Cativa referiu que mais do que se investir em infra-estruturas escolares, como laboratórios, bibliotecas, anfiteatros, quadras desportivas, piscinas e outras, na província, urge a necessidade de continuar-se a prestar maior atenção ao professor, como formador de homens, quer do ponto de vista académico, quer no resgate e transmissão de valores cívicos, hábitos, usos e costumes, em prol de uma sociedade equilibrada.
Por sua vez, o director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia, Miguel Kanhime, apelou aos professores para continuarem a trabalhar como combatentes da linha da frente, para se alcançar a nível do Cuando Cubango um ensino de qualidade, sem olharem pelas dificuldades ou barreiras.

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