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Novas estruturas melhoram a vida

Samuel António| Luena

Lucusse é uma das comunas do município do Moxico que tem estado a beneficiar de muitas infra-estruturas, visando a melhoria das condições de vida da população.

O sector da educação é um dos que mais atenção têm merecido das autoridades
Fotografia: Samuel António

Lucusse é uma das comunas do município do Moxico que tem estado a beneficiar de muitas infra-estruturas, visando a melhoria das condições de vida da população. Das novas infra-estruturas destaque para a construção de escolas, postos médicos e centros de saúde, sistema de captação e distribuição de água potável, através da edificação de vários chafarizes na sede da comuna e nos bairros periféricos.
O Lucusse é um município localizado numa área priveligiada entre a capital do Moxico, Luena, e a região dos Luchazes e Bundas, na fronteira com a Zâmbia.
João Caiombo, administrador comunal do Lucusse, disse ao Jornal de Angola que, num passado recente, a comuna, apesar de estar localizada na estrada que liga a cidade do Luena aos municípios dos Bundas e Luchazes, não tinha nenhuma infra-estrutura que dignificasse a imagem da sede comunal. Hoje, as obras crescem a cada dia que passa. Toda a região foi afectada pela guerra e praticamente todas as infra-estruturas foram destruídas. Desde que foi garantida a paz, o progresso começou a chegar a esta região martirizada, desde os tempos da guerra colonial.
Lucusse, localizada 133 quilómetros a Norte da cidade do Luena, tem beneficiado de enormes projectos sociais do Governo, investimentos que estão a elevar a auto estima dos habitantes e a garantir condições mínimas de vida como nunca antes tinha acontecido, ao longo da sia história.
O administrador comunal, satisfeito com a qualidade de vida da população, concluiu que a reabilitação da estrada entre o Luena e Lucusse e a reposição das pontes destruídas durante a guerra são outros ganhos que a população vai ter num futuro breve.

Saúde e educação

João Caiombo referiu que o corpo docente é assegurado por 83 professores efectivos, número que considerou ínfimo para atender às necessidades, pelo que o sector da Educação precisa de mais 40 professores para os diferentes níveis de ensino na região. A abertura de escolas em todo o município foi o primeiro sinal de progresso que chegou ao Lucusse.
As escolas e as unidades hospitalares que a comuna tem não são suficientes, tendo em conta o crescimento da população nestes últimos anos, diz João Caiombo. Nos anos de paz, muita gente do município que tinha fugido da guerra começou a chegar e esse movimento de retorno ainda continua. Cada dia aumenta o número de crianças e as escolas são insuficientes. O mesmo acontece com os postos de saúde e pessoal especializado. O crescimento da população é muito maior do que a colocação de técnicos de saúde no município. Mas a vida melhora em cada dia que passa.
Das infra-estruturas criadas no quadro do Programa de Melhoria e Aumento da Oferta de Serviços Sociais Básicos à população destacam-se escolas para o ensino primário, postos médicos e centros de saúde e sistema de abastecimento de água potável. Foi edificada na comuna uma nova sede comunal, no âmbito do Programa de Investimentos Públicos (PIP), casas para o administrador e o seu adjunto e uma casa de passagem.
A comuna  do Lucusse precisa de uma ambulância para a evacuação de doentes e precisa de mais médicos para atender os 15.775 habitantes.  A rede sanitária é assegurada por dez enfermeiros. Mas a ambulância é fundamental para as emergências, porque o Lucusse fica próximo de Luena onde as condições hospitalares são melhores.

Aumento da produção

Apesar do elevado número de viaturas a circular na região, a comuna não dispõe de nenhum posto de abastecimento de combustíveis. João Caiombo defende a diversificação da agricultura, onde cada camponês se dedique à produção de maiores quantidades de produtos para o consumo das famílias locais, mas também para outras localidades.
Com o conhecimento real da produção local, referiu o administrador, muito do que é hoje importado pode ser adquirido ­internamente.
Sobre as dificuldades dos habitantes do Lucusse, João Caiombo referiu a falta de sinal das operadoras de telemóveis e de uma escola do II Ciclo para atender o elevado número de alunos que concluem o ensino primário.
O regedor Augusto Vunda afirmou que a construção de infra-estruturas na comuna e a reabilitação das principais pontes que ligam o Lucusse a outras localidades marca o fim de muito sofrimento que a população do Lucusse passou.
“Antigamente não tínhamos escola onde os nossos filhos pudessem estudar e por falta de pontes percorríamos grandes distâncias a pé com mercadorias à cabeça, mas agora, felizmente, os carros chegam até às nossas aldeias”.
Satisfeito com o trabalho feito, Augusto Vunda disse que o Governo está atento aos principais problemas das populações.
Não obstante os ganhos registados, a vida dos habitantes do Lucusse não é ainda um mar de rosas, porque ainda existem problemas por resolver, como, por exemplo, o abastecimento de energia eléctrica, a falta de escola para atender alunos que concluem o ensino primário e o aumento de salas de aulas. O ensino médio no Lucusse é urgente, porque muitos jovens abandonam os estudos já que têm dificuldades financeiras para se deslocarem para a capital provincial.
A comuna do Lucusse constitui uma reserva do parque Nacional da Cameia. Zona de grandes rios, todos navegáveis, a caça e a pesca são actividades que podem dar excelentes rendimentos através do turismo.
Para impedir a acção dos caçadores furtivos, que pretendem a todo o custo atingir o local para o abate de animais, as autoridades têm adoptado medidas que visam impedir as iniciativas dos caçadores. O Parque Nacional da Cameia tem potencialidades únicas para tirar o Lucusse do isolamento.

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