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Número de utilizadores de comboios aumentou

José Chaves | Cuito

Um total de 365.175 passageiros foram transportados, em 2016, pelos comboios do Caminho-de-Ferro Benguela (CFB), entre a província sede da empresa ferroviária e as regiões do Huambo, Bié e Moxico, representando um aumento de 77 mil pessoas em relação ao ano anterior.

Circulação dos comboios do CFB está a impulsionar as trocas comerciais entre as províncias
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Os dados apurados pelo Jornal de Angola a partir de fonte do CFB revelam que os comboios da empresa ferroviária transportaram  47.563 toneladas de mercadorias diversas.
Fruto destes serviços, durante o ano passado, a empresa arrecadou 629.038.000,00 kwanzas, mais 35 milhões em comparação com o período anterior, com a realização de 285 circulações.
Para aferir este dado do CFB, o Jornal de Angola fez uma ronda pelas estações  do Bié, tendo constatado que o transporte ferroviário tem sido um dos principais meios de transporte de cargas de passageiros, nos últimos tempos.
A circulação ferroviária entre Benguela, Bié e Moxico foi interrompida por mais de duas décadas, devido à guerra que assolou o país. Após a assinatura dos acordos de paz, a 4 de Abril de 2002, o Executivo apostou na reabilitação do CFB, a partir de 2008, e o comboio voltou a apitar na estação do Cuito a 18 de Junho de 2012.
Na província do Bié, num percurso de 326 quilómetros do Chinguar ao Munhango, o CFB reabilitou 13 estações, no Chinguar, Cutato, Capeio, Cunhinga, Cunje (a maior e principal estação do Bié), Chipeta, Catabola, Camacupa, Kwanza, Cueli, Cuiva, Cuemba e Munhango.
Nos trabalhos de modernização e construção de infra-estruturas do CFB, num percurso de 1.347 quilómetros entre o Lobito e Luau, foram construídas e reabilitadas 104 estações na ligação Benguela-Huambo-Bié e Moxico.Fruto desses investimentos, a circulação dos comboios do CFB está a impulsionar as trocas comerciais entre as províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico, satisfazendo as necessidades dos habitantes da região.O jovem comerciante ambulante Moisés Sachinemona, 25 anos, considerou que a circulação do comboio provocou uma melhoria bastante significativa do transporte de pessoas e mercadorias do município portuário do Lobito   para a região fronteiriça do Luau.
Dos produtos que comercializa, o comerciante destacou o abacate, batatas doce e rena, cebola e alho como os principais bens transportados e vendidos durante a viagem entre Lobito e Luau, enquanto a mandioca, peixe seco, mel, entre outros, são comercializados no sentido inverso.
A vendedora Lourença Nachimbuca, que pratica a actividade comercial, desde o início da retoma dos comboios, manifestou satisfação pelo facto deste meio de transporte estar a facilitar o seu negócio e  melhorar as condições de vida da população.
Lourença Nachimbuca explicou que tem levado roupa usada, sal e peixe seco do Cuito para o município do Cuemba e aí adquire com alguma facilidade o mel, para ser comercializado em Luanda.
Já Armando Gerson, outro comerciante, disse que só utilizava os transportes inter-provinciais terrestres nas ligações entre Benguela e Luanda, mas, hoje rejubila  com a circulação do comboio do CFB, que chega até ao Luau, onde comercializa camas, colchões e alho.
“Hoje, o meu negócio está mais rentável, graça à circulação do comboio, que me permite levar grandes quantidades de produtos para vender no Cuito, Luau, assim como para outras partes como Huambo, Benguela, Luanda e Cuando Cubango”, realçou. Os comboios  estão a facilitar a deslocação de cidadãos que trabalham no interior da província e de outros que pretendem deslocar-se ao Bié e ao Moxico para visitas de negócios ou particulares e, até, caravanas desportivas.

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