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Obras do hospital provincial paralisadas por falta de verbas

As obras de construção do hospital provincial da Lunda-Norte estão paralisadas, a cerca de um ano, por falta de disponibilidade financeira para custear as fases seguintes do projecto, iniciado em Fevereiro 2006.

Os pacientes estão a ser atendidos no hospital central do Dundo que está em obras para garantir melhor assistência à população
Fotografia: Kindala Manuel

Joaquim Aguiar
e Armando Sapalo | Dundo

As obras de construção do hospital provincial da Lunda-Norte estão paralisadas, a cerca de um ano, por falta de disponibilidade financeira para custear as fases seguintes do projecto, iniciado em Fevereiro 2006.
O director provincial das Obras Públicas, arquitecto Lino dos Santos, disse, segunda feira, ao Jornal de Angola, que o orçamento atribuído anualmente ao governo da província da Lunda-Norte não é suficiente para suportar as obras do novo hospital provincial.
O projecto, orçado em dez milhões de dólares, é da exclusiva responsabilidade do governo provincial da Lunda-Norte, que, até Junho do ano passado, disponibilizou ao empreiteiro da obra, a empresa Sol Dourado, cerca de quatro milhões de dólares.
“Neste momento estamos a encontrar dificuldades financeiras para dar continuidade à execução das obras”, disse Lino dos Santos, que afirmou que “o governo da Lunda-Norte é o único, no país, que está a construir um hospital daquela dimensão, com os seus próprios recursos, sem a intervenção do Ministério da Saúde”.
O arquitecto Lino dos Santos, que descartou a atribuição de responsabilidades na paralisação das obras à empresa Sol Dourado, frisou que “tudo tem a ver com a crise económica mundial que afectou as reservas financeiras do país, tendo deste modo a província recebido o ano passado pouco dinheiro do Orçamento Geral do Estado”.
Apontou, no entanto, a possibilidade do governo da Lunda-Norte encontrar suporte financeiro a partir do Governo central, no quadro da linha de crédito da China, com vista a conclusão da maior infra-estrutura hospitalar a nível da província.
A efectivar-se este financiamento, disse Lino dos Santos, o governo provincial vai rescindir de forma amigável o contrato com a empresa Sol Dourado, reconhecendo, no entanto, os esforços até aqui empreendidos pelas partes, que garantiram a execução física da obra acima dos cinquenta por cento.
  O novo hospital provincial da Lunda-Norte, concebido para 350 camas, é constituído por treze blocos, que vão albergar os diferentes serviços hospitalares, com realce para urologia, oftalmologia, neonatologia, radiologia, ginecologia, obstetrícia, pediatria, medicina geral, raio-x, laboratório de análises clínicas e o centro de aconselhamento e testagem voluntária do HIV-SIDA.
O projecto contempla igualmente a construção de oito residências para médicos, um parque de estacionamento para mais de vinte viaturas, zonas verdes e espaços de lazer.
A paralisação das obras do hospital provincial, desde Junho do ano passado, levou para o desemprego mais de 200 jovens angolanos, que trabalhavam nas diferentes especialidades de construção civil.

Assistência médica

Para garantir a qualidade de prestação dos serviços de saúde à população, as autoridades sanitárias locais apostam na restauração do actual hospital central do Dundo, cuja infra-estrutura apresenta um avançado estado de degradação.
O director em exercício do hospital, o médico Catumba Calunga, explicou que as obras são de carácter paliativo e consistem no revestimento das paredes e do piso nos deferentes compartimentos, sobretudo nas salas de internamento, bem como pinturas das nas zonas interior e exterior do edifício.
Enquanto decorrem as obras, as principais áreas daquela unidade sanitária, como o banco de urgência, laboratório de análises clínicas e consultórios médicos, foram transferidos para uma zona do mesmo edifício que oferece as mínimas condições de trabalho.
O responsável assegurou que “apesar das obras em curso, o hospital está a proceder normalmente o atendimento dos pacientes, tendo nesta altura 80 doentes internados com diversas patologias”.
O hospital central do Dundo, construído na década de cinquenta, tem capacidade para 168 camas. Depara-se actualmente com a falta de equipamentos de diagnóstico para diferentes patologias e de quadros especializados, sobretudo nas áreas de anestesia e oftalmologia.

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