Províncias

Obras sociais mudam imagem das províncias

Sérgio Chivaca

Das prioridades dos planos dos governos provinciais, em 2010, destaca-se a reabilitação e a construção de infra-estruturas de impacto social, no quadro do programa de aumento e melhoria da oferta de bens e serviços sociais básicos à população.

Em todo o país foram construidas novas salas de aula que permitiram o ingresso de milhares de alunos no sistema de educação e ensino
Fotografia: Jornal de Angola

Das prioridades dos planos dos governos provinciais, em 2010, destaca-se a reabilitação e a construção de infra-estruturas de impacto social, no quadro do programa de aumento e melhoria da oferta de bens e serviços sociais básicos à população.
Basta desfolhar aleatoriamente uma das edições do Jornal de Angola, publicadas em 2010, para notar que todas as províncias foram transformadas em autênticos canteiros de obras. Foram construídos hospitais, centros médicos, postos de saúde, escolas, casas, estradas, pontes, sistemas de captação, tratamento e distribuição de água e de fornecimento de energia eléctrica e outras infra-estruturas sociais, visando a melhoria do nível de vida da população.
O projecto “Água para Todos” chegou a áreas recônditas, fazendo com que a população deixasse de percorrer longas distâncias ou consumir a água retirada de rios e cacimbas, que em certas localidades estava a causar muitas doenças.
O fornecimento de energia eléctrica foi reforçado, com a reabilitação e construção de hidroeléctricas ou aquisição de grupos geradores.
Vias de acesso e pontes foram reabilitadas e desminadas, melhorando a livre circulação de pessoas e bens e fazendo com que os camponeses deixassem de se preocupar com o escoamento dos produtos do campo para as cidades.
Os governos provinciais dedicaram também especial atenção ao fomento da agricultura e ao saneamento básico, com o envolvimento das autoridades tradicionais, coordenadores de bairros, entidades religiosas e associações juvenis, de forma a evitar doenças, sobretudo o paludismo, nos aglomerados populacionais.
 
Milhares de crianças no sistema de ensino
 
Os sectores da saúde (ver caixa) e da educação mereceram especial atenção por parte dos governos provinciais, visando melhorar a assistência médica e inserir todas as crianças no sistema normal de ensino.
Em relação ao sector da educação, as notícias são animadoras. Em Fevereiro, no início do ano lectivo findo, de quase todas as províncias chegaram notícias que davam conta de que foram inseridas no sistema normal de ensino milhares de crianças, graças à construção de novas salas de aula e à admissão de mais professores.
A expansão do ensino médio e superior também foi um facto durante o ano findo, fazendo com que as pessoas interessadas em aumentar os seus conhecimentos académicos deixassem de se deslocar para outras localidades em busca do saber.
Milhares de adultos também foram inseridos em projectos de alfabetização e jovens desempregados beneficiaram de formação profissional, visando o fomento do auto-emprego, no quadro do programa do Executivo de combate ao desemprego.
 
Saúde expande serviços

Em quase todas as províncias, 2010 foi um ano cheio de grandes realizações no sector da Saúde, consubstanciadas na expansão de serviços e aumento de pessoal qualificado, visando baixar os índices de mortalidade.
Nos grandes centros populacionais foram reabilitados e construídos hospitais de referência e as comunas e aldeias beneficiaram de centros médicos e postos de saúde, fazendo com que a população deixasse de percorrer longas distâncias em busca de assistência.
Durante o ano findo, para que os quadros do sector pudessem cumprir com zelo e dedicação as metas traçadas pelo Executivo - melhorar a assistência médica e baixar os índices de mortalidade - foram realizados seminários e acções formativas em todo o país.
Aos centros de formação já existentes no país, juntou-se o do Uíge que, nos primeiros dias do ano, lançou mais enfermeiros para o mercado de trabalho, formados no Instituto Médio de Saúde local, cuja direcção, na matéria publicada pelo Jornal de Angola, anunciava a formação de técnicos de Laboratório. 
“Os novos enfermeiros vão ajudar na redução das dificuldades vividas nas unidades hospitalares dos municípios e das comunas”, disse Mateus Lopes, director do Instituto Médio de Saúde, pedindo aos recém-formados responsabilidade e dedicação, uma vez que o serviço que vão prestar tem como objecto de trabalho a pessoa humana.
O programa do Executivo tinha começado a ser implementado e já eram visíveis alguns resultados, como os exemplos que se seguem:  
 
Lepra e tuberculose
 
Em Fevereiro, destaque para uma notícia vinda do Huambo, onde o supervisor provincial do Programa de Combate e Controle da Tuberculose e Lepra disse que o número de casos de lepra na província reduziu para menos de 98 por cento, graças a uma intensa actividade das autoridades sanitárias locais.
Haldane Cacumba afirmou que os municípios do Bailundo, Mungo e Londuimbali e a comuna do Alto Hama apresentavam os principais focos das doenças na província, mas que a lepra e a tuberculose já não constituíam preocupação para o sector da Saúde, devido ao tratamento preventivo.
“O tratamento da lepra e tuberculose no Huambo não constituem problema. Os pacientes têm medicamentos suficientes e em dia para a sua cura e utilizam a Multidrogaterapia (MDT) que recebemos regularmente da Direcção Nacional da Saúde Pública e distribuímos nas áreas com casos de epidemia”, declarou.
 
Doença do sono
 
Em Março, uma notícia dava conta que o hospital municipal do Lucala, no Kwanza-Norte, não registava, há mais de seis meses, casos de doença do sono, fruto das constantes campanhas de prospecção e tratamento, realizadas nos últimos anos.
De acordo com uma nota daquele dispensário, durante os primeiros meses de 2009 foram registados oito casos da doença, contra os 12 registados em 2008, sem causar qualquer morte. Do final de 2009 até Março de 2010 não se registou qualquer caso de tripanossomíase, o que levava a acreditar que a doença estava a ser erradicada na região.
Numa ronda feita pela nossa reportagem constatou-se que as salas de internamento do hospital se encontravam encerradas, por não existirem pacientes.
A estatística apontava as regiões de Samba-Cajú (Kwanza-Norte), Cacuso, Quizenga, Canjonjo e Cambunze, pertencentes à vizinha província de Malange, como as mais afectadas pela doença. Na mesma notícia dava-se conta que as autoridades sanitárias do município do Lucala reconhecem a redução de óbitos por malária na região. Dos 47 casos registados em 2008 passou-se para 20 em 2009, fruto do empenho dos técnicos na luta contra a doença.
 
 Casos de sida

Em todos os municípios foram montados centros de aconselhamento e testagem voluntária de VIH/Sida. Durante o ano, uma boa notícia chegou-nos do Kwanza-Norte, dando conta de que muitos cidadãos estavam interessados em conhecer o seu estado serológico. Pelo menos 224 cidadãos fizeram testes voluntários de VIH-Sida, no município de Ambaca, em Janeiro e Fevereiro, tendo sido registado um novo caso positivo.
Desde a abertura do programa no município, em Maio de 2009, até Dezembro do mesmo ano, foram feitos 414 testes de VIH-Sida, resultando em seis casos positivos.

Cirurgias plásticas

Ainda durante o ano findo, mais uma boa notícia chegou-nos do Huambo, segundo a qual o centro de medicina e reabilitação física Dr. António Agostinho Neto tem condições para tratamento de pacientes com paralisias diversas e do foro ortoprotózico. O director do centro, José Chioca, disse que o centro tem médicos formados e capazes de tratar qualquer tipo de paralisia e está em condições de fabricar próteses para pessoas de todas as idades e tratar outras enfermidades.
José Chioca salientou que faltam apenas alguns apoios para a redução das evacuações, o que ajudaria a diminuir os gastos fora do país.

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