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Parque Nacional da Quissama recebe centenas de turistas

Manuela Gomes | Quissama

O Parque Nacional da Quissama é uma atracção para os turistas nacionais e estrangeiros.

O início do repovoamento do Parque da Quissama em 2001 levou à reprodução das espécies mas agora faltam fiscais
Fotografia: Reuters

O Parque Nacional da Quissama é uma atracção para os turistas nacionais e estrangeiros. Com uma média de 300 visitantes por mês, é o paraíso dos que gostam da vida ao ar livre, em contacto com a natureza e a vida selvagem.
O parque está situado a 70 quilómetros de Luanda e tem quase dez mil hectares de extensão. É um santuário natural da fauna e flora da região e é constituído por ecosistemas que têm um papel fundamental no equilíbrio do Ambiente.
A sua vegetação é variada. Nas margens do rio Kwanza abundam os mangais e a floresta densa. No interior do parque prevalece a savana, a floresta aberta e a mata tropical seca com cactos e embondeiros. O Parque Nacional da Quisssama tem junto ao rio Kwanza uma pousada e bangalôs.
O parque actualmente é administrado pela Fundação Quissama, que há 14 anos faz a sua reabilitação e manutenção. Miguel Savituma, o administrador adjunto do parque, diz que aquela reserva natural tem contribuído muito para o desenvolvimento do turismo em Angola.
O grande esforço do Executivo na luta para  a conservação e preservação da fauna e flora é de louvar, “porque hoje o Parque da Quissama está a voltar a ser aquilo que era antes das destruições que sofreu”.
A Fundação Quissama iniciou a “Operação Arca de Noé” para transportar para o parque animais de países vizinhos como África do Sul e Botswana. A fundação tem uma parceria com o Ministério do Ambiente e com o Governo Provincial do Bengo.

Os frutos da Arca de Noé

Criado há dez anos, o Projecto Arca de Noé continua a ser um grande investimento do Executivo no que diz respeito à conservação e preservação da fauna e da flora no país.
Várias espécies colocadas no Parque Nacional da Quissama estão a reproduzir-se de forma satisfatória, segundo o gestor do parque, Miguel Savituma, que anunciou o aumento considerável de espécies como elefantes, girafas, zebras, bois-cavalos e avestruzes, animais oferecidos pelo Governo da África do Sul, em 2001, e colocados na “arca”.Miguel Savituma disse à nossa reportagem que dos 30 elefantes recebidos já existem 65. As girafas aumentaram de 4 para 14, e as 16 zebras já deram uma centena de crias. Também já existem dezenas de gungas. Os restantes animais reproduzem-se a taxas de 20 a 40 por cento, porque estão mais dependentes do clima.
No início, os animais da “arca” foram colocados numa área equivalente a dez por cento da área protegida e fiscalizada do parque. Hoje os animais já vivem espalhados por toda a sua extensão.
A “Operação Arca de Noé” foi o maior transporte de animais da História e tem feito o parque restaurar o seu estado natural.
A continuidade da reabilitação e repovoamento do parque tem como intuito preservar a fauna selvagem, por um lado, e a defesa do ecossistema, por outro.
As espécies animais do repovoamento são oriundas da África do Sul e do Botswana, porque estes países têm excedentes e essas espécies da “arca” oferecem condições de rápida adaptabilidade ao solo angolano.
Para o administrador Miguel Savituma, foi graças ao projecto “Arca de Noé” que foi possível fazer a reabilitação da vida selvagem na Quissama.

Aldeias no parque

O Parque Nacional da Quissama, além da vida animal, alberga também 98 famílias, o que, segundo Miguel Savituma, constitui uma grande inquietação para os responsáveis locais e  também para o Ministério do Ambiente.
De acordo com o administrador Miguel Savituma, as famílias que vivem no interior do parque têm originado pequenos acidentes, como queimadas, o que tem espantado os animais.
Miguel Savituma reconhece que graças ao trabalho do Ministério do Ambiente e da Fundação Quissama, as populações têm recebido educação ambiental e noções de conservação e preservação das áreas de conservação. Graças a esta formação contínua, os habitantes do parque já têm respeito pela natureza, o que levou também à diminuição da caça furtiva no interior do parque.
“Ultimamente já temos notado que as pessoas têm respeito pela natureza, em especial pelos animais”, disse o administrador adjunto.  O Ministério do Ambiente recomenda que as aldeias que se encontram no interior do parque devem manter-se desde que não haja aumento de população.
Mas a regra é estimular a saída de toda a gente para fora dos limites do Parque Nacional da Quissama, o que implica a construção de “aldeias ecológicas”, segundo uma recomendação do Ministerio do Ambiente.
O Ministério do Ambiente vai passar a cobrar taxas de licenciamento aos operadores turísticos e empresas que exerçam serviços no interior do Parque Nacional da Quissama, segundo anunciou na passada semana a titular da pasta, Fátima Jardim.
 A governante, que se deslocou ao Parque para a reafirmação da autoridade do Ministério,  defendeu a conservação dos parques e a melhoria dos mecanismos de gestão, tarefa para a qual pediu a colaboração de todos os sectores intervenientes, no sentido de se evitarem actos de contraversão à lei dos recursos ambientais existente no país.
 "Nós estamos a fazer estudos de requalificação dos parques, não só da Quissama, mas de todo o país, por forma a que sejam áreas de excelência, com aproveitamento da biodiversidade e outras riquezas de que dispõem", assegurou a governante.

Fiscalização no parque

O Parque Nacional da Quissama tem, actualmente, 24 fiscais, o que é insuficiente para o controle geral do parque: “temos apenas 24 fiscais, o que dá 12 por cada turno, mesmo assim não é suficiente para responder às necessidades”, disse Miguel Savituma.
O Ministerio do Ambiente e a Fundação Quissama constituíram o corpo de fiscalização “para que a caça furtiva seja reduzida, ou até mesmo acabarmos com esta prática”.
Miguel Savituma defende que a fiscalização do parque deve ser reforçada, dado o elevado número de investimentos turísticos no interior do parque sem o conhecimento do Ministerio do Ambiente nem da administração da fundação.
“O Parque da Quissama não tem capacidade para acolher um grande número de visitantes, daí a necessidade de ampliar as estruturas já existentes, para que os nossos visitantes sejam acomodados de uma forma mais adequada”, disse o administrador.
Para ele, os investimentos turísticos desenvolvidos no interior do parque, sem a devida autorização, “são uma grande invasão e contrários aos interesses de uma área de conservação. O que está acontecer no interior do Parque Nacional da Quissama, não é saudável”.

Parque Nacional

Estabelecido como Reserva de Caça em 16 de Abril de 1938, foi elevado à condição de Parque Nacional em 11 de Abri de 1957, sendo um dos maiores do país. Está localizado a 70 quilómetros de Luanda, na zona sul da província do Bengo. O parque ocupa uma superfície  de 9.600 km².
O Parque Nacional da Quissama é limitado a Norte pelo rio Kwanza desde a Muxima até ao mar. A Sul é limitado pelo rio Longa desde a estrada de Mumbondo para Capolo até ao mar.
A Oeste o limite é a linha da costa entre a foz do rio Kwanza e a foz do rio Longa, o que dá 120 quilómetros da costa do Oceano Atlântico. E, a Leste, é limitado pela estrada que liga Muxima, Demba Chio, Mumbondo e Capolo até ao rio Longa.

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