Províncias

Pólo Industrial nasce no Negage

José Bule |Uíge

Os edifícios e lancis foram pintados e ganharam uma imagem agradável de se ver. As ruas estão limpas. Afinal, a cidade do Negage está em festa. Já lá vão quarenta anos de existência.

Vista parcial da cidade do Negage onde estão a ser erguidas várias infra-estruturas de impacto social para melhorar a vida dos munícipes
Fotografia: Eduardo Pires| Negage

Os edifícios e lancis foram pintados e ganharam uma imagem agradável de se ver. As ruas estão limpas. Afinal, a cidade do Negage está em festa. Já lá vão quarenta anos de existência. Na abertura das festas, sábado, no período da manhã, a população acorreu ao local de forma tímida. Era o prenúncio de que o quadragésimo aniversário do Negage não seria festejado de forma alegre e efusiva. Mas, no final do dia, todos aqueles que acreditaram no fracasso do evento estavam completamente enganados. À noite o clima aqueceu e venceu o frio de rachar que se faz sentir nestes dias.
A magia da boa música envenenava os corações dos boémios, que exibiam e desfilavam pelas artérias com as suas roupas de marca e algumas bastante ousadas. Nem mesmo o frio violento impediu que algumas meninas usassem saias curtas. A cerveja gelada deixava gripados os teimosos, numa altura em que o vinho e o whisky tomavam conta das mentes alegres e tristes. Estava lançada a festa. Ninguém mais se lembrou do cenário que a cidade apresentava na manhã de sábado.
São muitos os jovens que saíram doutros pontos da província e do país, e que resolveram se instalar no Negage com o objectivo de participarem nas festas daquela cidade, transformando o evento numa verdadeira folia. As ruas foram invadidas pelos carros de luxo e motorizadas de grandes e pequenas cilindradas, que permaneciam estacionadas em diferentes pontos da cidade.
As orações feitas durante o culto ecuménico, que foi a primeira actividade do programa de abertura das festas, apelaram ao espírito de pacificação de todas as pessoas que vão, de 26 a 30 de Junho, festejar os 40 anos de existência da cidade do Negage. Na cerimónia de abertura do evento, os grupos de dança tradicional locais, Pumbo e Cangundo, apresentaram números que representavam a realidade cultural da região, tendo, por isso, arrancado muitos aplausos das centenas de pessoas que acorreram ao local do acto realizado sábado, no pavilhão multiuso do Ring do Negage.
O coordenador da comissão organizadora das festas da cidade do Negage, Seluyeki Manuel, disse que a população residente colaborou positivamente nas acções de limpeza e pintura das fachadas dos edifícios e lancis localizados nas principais ruas da vila, para além de se ter engajado na aplicação de bandeirinhas e flâmulas.
Seluyeki Manuel, que também responde pelas funções de administrador municipal adjunto, disse que tudo foi feito de forma pormenorizada para que o 40º aniversário da vila do Negage seja coroado de êxitos.
“Vamos aproveitar este quadragésimo aniversário não só para festejarmos mas também para reflectirmos sobre o futuro da vila do Negage.
É neste contexto que nós vamos realizar palestras sobre o desenvolvimento sócio cultural e económico do município, sobre a delinquência juvenil, saúde pública, ordenamento do território, urbanismo e construção, entre outros temas não menos importantes”, disse Seluyeki Manuel.

Recuperar o tempo perdido

“Nós estamos hoje a festejar mais um aniversário em tempo de paz. O município do Negage, antes da guerra de 1992, ou seja, até 1975, já tinha atingido níveis altos de desenvolvimento, mas, infelizmente, a guerra que assolou o país e o município do Negage, em particular, fez com que tais níveis de desenvolvimento fossem recuados. Foi em função disto que nós assistimos uma certa degradação das infra-estruturas sociais básicas, bem como as vias de acesso que ligam a sede às demais localidades do município”, disse o administrador municipal.
Sebastião Capitão disse que agora é hora de arregaçar as mangas para recuperar o tempo perdido. Falando para a população, durante a abertura do evento, o administrador municipal do Negage, Sebastião Capitão, reconheceu que tudo o que já foi feito, em prol do desenvolvimento do Negage, ainda é pouco.
“A população é observadora e atenta, portanto, são os munícipes que devem avaliar o nosso desempenho. Estamos disponíveis para ouvirmos todas as críticas e sugestões que possam contribuir para o desenvolvimento do Negage. Convidamos todos os interessados que queiram aqui investir, para o fazerem sem receios. O nosso município está aberto a todos aqueles que querem contribuir para o desenvolvimento da região”, apelou.

Apelo  ao civismo

Sebastião Capitão, administrador municipal, apelou aos munícipes e a todos aqueles que se deslocarem a localidade com o objectivo de comemorarem a data da fundação da vila do Negage, para o fazerem de forma cívica, não provocando actos de vandalismo, para que os quatro dias de festa possam decorrer dentro da normalidade.
O administrador municipal do Negage, Sebastião Capitão, disse que a população local está orgulhosa do nível de desenvolvimento que o município volta a ter. “Negage não escapou dos males que a guerra provocou ao país durante cerca de três décadas. Mas hoje, graças ao alcance da paz, a população volta a sorrir e está esperançosa num futuro melhor”, frisou.
Sebastião Capitão referiu que os oito anos de paz permitiram que o município ganhasse mais escolas, postos e centros de saúde, energia e água potável, entre outros empreendimentos sociais que contribuíram para a melhoria das condições de vida das populações locais.

Pólo Industrial

O governo prevê construir no Negage uma fábrica de chapas de zinco, uma serração, uma cerâmica e uma fábrica de produção de sumos. Este terá sido o motivo pelo qual as festas alusivas ao 40º aniversário da vila do Negage foram preparadas sob o lema: “Negage - Futuro Pólo Agro-industrial”.
Sebastião Capitão disse que tudo está a ser feito para que o Negage volte a ocupar o seu lugar na senda do desenvolvimento económico e social, com maior destaque para o sector agro-pecuário. Referiu que no domínio da indústria, Negage foi eleito pelo governo da província para acolher o futuro Pólo Industrial do Uíge.
“É por essa razão que assistimos frequentemente a presença de investidores industriais na região. O município beneficia já da montagem de uma cerâmica para a produção de tijolos. Também estão em construção algumas fábricas, como as de tintas e vernizes. Isso significa dizer que o município vai conhecer, nos próximos anos, um grande desenvolvimento”, disse.
O município está a beneficiar da montagem de uma fábrica de tijolos do grupo Soceral. Em declarações ao Jornal de Angola, Nelson Pinto, director de produção da empresa, disse que o processo de montagem da fábrica, com capacidade para produzir oito mil tijolos dia, iniciou no ano passado, tendo assegurado que o arranque da mesma está para breve.
“Nós escolhemos o município do Negage para a montagem desta fábrica de tijolos, porque esta é uma região que possui grandes quantidades de argila de muito boa qualidade”, disse.
O vice-governador para a Organização e Serviços Técnicos, Nazário Vilhena, que presidiu ao acto de abertura das festas da cidade do Negage, reafirmou o desejo do governo em transformar o município do Negage num verdadeiro Pólo de Desenvolvimento Industrial de Angola, numa altura em que o governo local se preocupa em reactivar o velho parque industrial.
“O governo entendeu elaborar um programa executivo de relançamento industrial.
Na nossa província, este programa vai abranger todos os 16 municípios da província, e o Negage foi eleito para ser o ponto de partida desta grande empreitada.
 Para o efeito, é necessário que os filhos desta terra estejam preparados para poderem dar resposta positiva aos desafios desta empreitada. Porque a indústria é uma alavanca que gera empregos e proporciona o desenvolvimento”, frisou o vice-governador.

Doenças de transmissão sexual

“Qualquer aniversário serve sempre para momentos de reflexão sobre o que foi feito, o que há por fazer e que estratégia a adoptar para que os tempos vindouros sejam mais airosos”, disse Nazário Vilhena. O governante aconselhou a população a observar as regras de prevenção contra as Doenças Transmissíveis Sexualmente (DTS).
“Por exemplo, o sida, como a mais famosa, não escolhe as pessoas pela raça, idade, religião e muito menos pela sua condição física. É uma doença que não pede licença para entrar. Não precisa de autorização de ninguém. É necessário que estejamos unidos, mesmo dentro do convívio festivo, para combatermos todas as possibilidades de contaminação da doença”, apelou, acrescentando que a população deve também colaborar com as forças policiais no asseguramento do evento, ajudando a combater todas as tendências que põem em causa a integridade física de todos actores que venham a participar no quadragésimo aniversário da cidade do Negage.
“Vamos também cuidar das nossas crianças, evitando envolvê-las em uso e obtenção de drogas, como o cigarro, a liamba e o álcool. Ela não deve ser obrigada a conviver com estes produtos nocivos, sob pena de condenarmos o futuro delas”, concluiu o governante.

Tempo

Multimédia