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População da comuna da Sanga luta contra o isolamento

Casimiro José | Wako Kungo

O administrador comunal da Sanga, José Francisco Punga Muhongo, disse que o avançado estado de degradação da via que liga a comuna à sede municipal da Cela está a desencorajar os potenciais investidores, retardando o processo de reconstrução das infra-estruturas sociais e habitacionais na região.

Administrador José Francisco Muhongo
Fotografia: Casimiro José | Wako Kungo

O administrador comunal da Sanga, José Francisco Punga Muhongo, disse que o avançado estado de degradação da via que liga a comuna à sede municipal da Cela está a desencorajar os potenciais investidores, retardando o processo de reconstrução das infra-estruturas sociais e habitacionais na região.
A Comuna da Sanga tem grandes potencialidades agro-pecuárias e recursos minerais. As populações têm, por isso, todas as condições para viverem com qualidade e na abundância. Mas enfrentam enormes dificuldades porque nunca mais arrancam as obras de reabilitação da via de acesso.
Os 21.853 habitantes, repartidos por quatro embalas e 57 bairros, acabam por se dedicar a uma economia de subsistência e quando produzem excedentes não conseguem levá-los para os grandes mercados da região.
Apesar dos esforços da Administração Municipal da Cela a situação tende a piorar. Foram efectuados trabalhos “paliativos” na estrada e a circulação melhorou, mas as chuvas fortes que se abatem sobre a região provocaram fortes enxurradas e a estrada ficou praticamente intransitável.
As actividades económicas estão prejudicadas e é impossível atingir as metas preconizadas pelas autoridades locais. O projecto imediato é uma intervenção profunda, em termos da reabilitação, da via de 75 quilómetros que liga a Wako Kungo. O administrador comunal da Sanga, José Francisco Punga Muhongo, disse à nossa reportagem que foi elaborado um programa que contempla acções de reabilitação das estradas secundárias e terciárias, construção e reabilitação de infra-estruturas económicas e sociais, que inclui a construção de habitações para os quadros técnicos, sobretudo enfermeiros e professores. Os projectos existem mas a sua concretização aguarda pela disponibilização de verbas.
O Fundo de Gestão Municipal deste ano, atribuído ao município da Cela, enquadrado na execução de projectos sociais, contemplou a reabilitação completa da sede administrativa da Sanga e outras acções vão transitar para o programa do próximo ano.
A administração comunal tem como prioridade a construção das casas do administrador e do seu adjunto, conclusão da escola do primeiro ciclo com três salas de aulas, a construção de mais uma escola do ensino secundário e de um centro médico.
 
Saúde e Educação

Os sectores de educação e saúde vivem situações preocupantes, desde a falta de estruturas à prestação dos serviços ligados aos sectores. De acordo com as autoridades comunais, estão a ser feitos esforços para inverter o quadro. A rede sanitária é constituída por cinco postos de saúde, onde trabalham 17 enfermeiros. De acordo com o administrador comunal, para atenuar os problemas da saúde, a comuna da Sanga precisa de mais cinco postos de saúde e 15 enfermeiros para atender as localidades distantes da sede: os bairros Epalanga, Camuíma, Cacole, Sombangua, Mundo Kupanga e Nhanga.
O enfermeiro Augusto Moisés, disse à reportagem do nosso jornal que as principais doenças da região estão associadas à malária, doenças respiratórias e diarreias agudas, parasitoses e infecções urinárias.
Augusto Moisés disse que por falta de resposta dos serviços oficiais, muitos cidadãos encontram na comuna terreno fácil para prestarem serviços médicos de forma ilegal que, têm provocado ocorrências desagradáveis nas comunidades.
Outra preocupação apontada pelo administrador comunal da Sanga, prende-se com a falta de uma ambulância, pois, para evacuar doentes, as pessoas têm imensas dificuldades, recorrendo às motorizadas.
O sector da educação tem 48 salas de aulas, desde a iniciação à sétima classe. Frequentam o ano lectivo, preste a terminar, 2.448 alunos nos vários graus de ensino e trabalham 99 professores.
Por falta de escolas e de professores ficaram fora do sistema de ensino, 6.153 crianças dos seis aos 14 anos. Para inverter o quadro, as autoridades locais disseram à reportagem do Jornal de Angola que são necessários mais de 150 professores e 100 salas de aulas.
A comuna não dispõe de abastecimento de água potável e as populações acarretam água no rio kicole. A corrente eléctrica é gerada por um grupo de 12 KW.

Economia inoperante

O potencial agro-pecuário da comuna da Sanga está desaproveitado o que está a afectar o desenvolvimento da região. Das 56 fazendas implantadas na comuna, apenas 20 trabalham a meio gás. Por isso o sector ainda está longe de garantir emprego aos habitantes, principalmente jovens. Por essa situação, a comuna tende a ficar sem o potencial de jovens, porque se deslocam para a sede municipal e outras localidades, em busca de sobrevivência.
O comércio enfrenta enormes dificuldades, devido ao péssimo estado da estrada. Os comerciantes têm dificuldades de adquirir produtos na sede municipal. As quatro lojas e 19 cantinas da Sanga têm poucos produtos para vender. Aliado a esse facto, o escoamento dos produtos do campo para os mercados também está condicionado com a situação da via de acesso.

Sector do turismo

A comuna da Sanga tem locais turísticos invejáveis, entre os quais se destacam as quedas do rio Pumbuingi e Mbanza Fungo. Há também inúmeras cascatas nas linhas de água da região. Todos os locais turísticos estão degradados e exigem acções de reabilitação para a sua rentabilização.
O administrador comunal da Sanga, José Francisco Punga Muhongo, pede aos naturais e amigos da comuna para se juntarem aos esforços de reconstrução daquele que é considerado o celeiro do município da Cela.
À classe empresarial nacional o administrador comunal da Sanga apela para investir na região, sobretudo no ramo agrícola, turismo e indústria transformadora para garantir emprego aos seus habitantes.  

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