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Populares passam a noite nos postos de identificação

António Canepa e Marcelino Dumbo | Huambo

Não está fácil adquirir o novo Bilhete de Identidade, na província do Huambo, nos últimos meses. É mesmo uma dor de cabeça, principalmente para aqueles que moram distante do centro da cidade, onde se localiza o único posto fixo de emissão para toda província.

No Huambo as filas são marcadas à noite do dia anterior à abertura dos postos de de identificação
Fotografia: Jornal de Angola

Não está fácil adquirir o novo Bilhete de Identidade, na província do Huambo, nos últimos meses. É mesmo uma dor de cabeça, principalmente para aqueles que moram distante do centro da cidade, onde se localiza o único posto fixo de emissão para toda província.
As filas são marcadas a partir das 19 horas do dia anterior. As pessoas passam ali a noite, para garantir os lugares cimeiros nas enormes filas que se formam todos os dias úteis.
Os jovens engrossam a fila dos necessitados. São eles que procuram a todo custo tratar o Bilhete de Identidade a fim de poderem começar a procurar um emprego, matricular-se numa escola ou para outros efeitos legais. Muitos deles nunca tiveram Bilhete deIdentidade e, por isso, dizem ter perdido oportunidades de emprego.
Com o novo sistema de emissão, que teve início a 19 de Outubro do ano passado, na província do Huambo, eles acreditam que têm uma oportunidade de adquirir este importante documento. Mas, lamentam que, para isso, tenham que pernoitar no local, ou sair de casa de madrugada, contra todas as adversidades que têm de enfrentar, principalmente a chuva, que por estes meses cai geralmente no fim da noite.
Nesta maré de dificuldades, os jovens pedem que sejam instalados mais postos, tanto fixos como móveis. Actualmente a província do Huambo tem apenas dois, sendo um fixo, localizado na cidade, e um móvel, no município da Caála, facto que obriga a grandes enchentes nos locais de emissão de um Bilhete de Identidade.
Marcelino Catchipwi Guilherme acabava de ser atendido. No seu rosto, era visível a satisfação. Segundo ele, ter conseguido renovar o seu Bilhete de Identidade, depois de várias tentativas, “não foi fácil. Cheguei aqui às três da manhã, para ocupar o lugar na fila, porque senão torna-se mesmo difícil obter o BI”, justificou.
Catchipwi Guilherme é a prova de que muitos cidadãos, para serem atendidos às primeiras horas da manhã, são obrigadas a passar a noite no local, ou sair de casa de madrugada.
Florença Jamba, Beatriz Mateus, João Ndjundjuvili também passaram a noite no local. Eles dizem que passaram a noite ao relento, porque queriam ser atendidos às primeiras horas do dia.
De acordo com o chefe de Departamento provincial de Identificação Civil e Criminal, Garcia Wachivanga, “a procura é muita e os postos são poucos. Muitas pessoas saem de municípios distantes dos locais de emissão do novo BI”, confirmou.
O único posto fixo da província atende também pessoas do Bié, Benguela, Huíla e, até mesmo, de Luanda.

 Registo de nascimento

Feitas as contas, as numerosas filas não se verificam só nestes postos de identificação. Os postos de registos de nascimento também registam aglomeração de pessoas, logo pela manhã, com a única diferença de que ali ninguém passa a noite.
Garcia Wachivanga esclareceu que as inúmeras enchentes que se registam, tanto nos postos de emissão do Bilhete de Identidade, como nos outros serviços, devem-se ao facto de estar a decorrer o processo de inscrição para  candidatos à Função Pública em organismos do estado.

Emitidos sete mil BI

Apesar da realidade observada por todos citadinos, o chefe de Departamento provincial de Identificação Civil e Criminal, Garcia Wachivanga, diz que o processo de emissão do Bilhete de Identidade, no Huambo, está a decorrer a bom ritmo. “Até agora já foram emitidos perto de sete mil bilhetes”, afirmou.
 Desde que começou o novo sistema de emissão, a maioria dos populares é de opinião que sejam montados mais postos o mais rápido possível e que sejam treinadas mais pessoas para tornar o processo mais rápido.
Ficou estipulado que, diariamente, seriam atendidas cinquenta pessoas e que estas receberiam os seus bilhetes na hora, mas, isto não está a ser cumprido.
Sabe-se que alguns técnicos têm dificuldades em manusear alguns equipamentos informáticos necessários para a emissão do Bilhete deIdentidade.
Já o chefe do Departamento provincial da Identificação Civil e Criminal diz que a morosidade no processo de atendimento e emissão do bilhete de identidade deve-se ao facto de muitos cidadãos, para porem a assinatura no bilhete, demoram entre dez a quinze minutos e, “como o próprio processo informático também é lento, principalmente na hora da inserção dos sinais digitais e da fotografia no bilhete, tudo parece mis difícil e demorado”. O único posto fixo do serviço de identificação no Huambo tem apenas dez computadores, para a recolha de dados pessoais, e duas impressoras.
Garcia Wachivanga avançou que há perspectivas de se criar mais postos para a emissão de bilhete de identidade noutros municípios. Para isto, “o Governo está empenhado em recuperar as novas infra-estruturas”, reforçou.

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