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Porto do Namibe reabilitado em 60 por cento

Manuel de Sousa e Baptista Marta|Namibe

A zona do cais é a que está a ser submetida a uma reabilitação mais profunda para facilitar o atracamento dos navios
Fotografia: Afonso Costa

A obra de reabilitação e modernização da primeira fase dos 240 metros de ponte cais do Porto Comercial do Namibe, com capacidade para dois mil contentores, orçada em cerca de 20 milhões de dólares, já está executada em cerca de 60 por cento. A conclusão da obra está prevista para o mês de Setembro e é resultante de um acordo entre os governos angolano e japonês.

Esta é a primeira grande intervenção de reabilitação no porto do Namibe, desde que foi inaugurado, em 1957. Informações em posse do Jornal de Angola dão conta que estão previstas, em território japonês, novas negociações entre as partes, para a implementação de uma segunda fase de obras.
Segundo Pompeu António, director em exercício do Porto Comercial do Namibe, a instituição enfrenta enormes carências. 
“Decorrido cerca de um século desde a sua fundação, o porto do Namibe nunca sofreu qualquer intervenção de vulto, no sentido da sua reabilitação, apresentando por isso um estado técnico de avançada degradação, o que dificulta a movimentação da maquinaria, o atracamento de mais navios e uma melhor funcionalidade”, informou, acrescentando que ao longo dos anos vários projectos de reabilitação foram feitos mas nunca concretizados por falta de verbas.
As obras em curso tiveram início em Outubro do ano passado e compreendem a reabilitação do cais, a pavimentação dos parques e vias de acesso, a recuperação do sistema de abastecimento de água para os navios, a reabilitação das redes contra incêndios e de esgotos, a instalação de duas torres de iluminação de 25 metros de altura cada, bem como a instalação de uma empilhadora, um porta contentor de 40 toneladas e uma grua móvel de 70 toneladas.
Takamasa Soma, da TOA Corporation, empresa japonesa encarregue da execução da empreitada, observou que a obra, que emprega uma força de trabalho composta por angolanos e estrangeiros, corre de forma satisfatória.   Na segunda fase das obras no Porto Comercial pretende-se, de acordo com Pompeu António,  reabilitar a ponte cais mineraleira e levar por diante um vasto conjunto de iniciativas, entre as quais se destaca a conclusão da reabilitação dos restantes 675 metros de cais, pavimentação de todos os parques e a elaboração do plano director de desenvolvimento do Porto.
A empresa, afirma Pompeu António, projecta também a construção de um condomínio residencial para os trabalhadores na zona da praia Amélia, a expansão dos cais, a construção de um terminal de contentores, instalação de sistemas de informática, a manutenção dos índices de organização e gestão, bem como a construção de um porto seco.  
“A direcção já pensa numa segunda fase do projecto, uma vez que os contactos entre a direcção do porto do Namibe, o Ministério dos Transportes e a Embaixada do Japão se encontram bastante avançados”, assegurou o director em exercício do Porto do Namibe.

Avanços e recuos

No recinto portuário do Namibe, os índices de produção são relativamente bons, mesmo com a acentuada degradação das suas infra-estruturas.  Apesar dos vários constrangimentos, a produção não parou de subir. Desde 2008 a empresa conseguiu superar, em cerca de 850 por cento, a taxa de movimentação de mercadorias.    Pompeu António explicou que, fruto dos esforços da direcção portuária do Namibe, se verifica que o parque de equipamento de carga e descarga de mercadorias, em que a empresa investiu, a partir de fundos próprios, um total de mais de cinco milhões de dólares, cresceu de cinco máquinas em 2008 para 12 em 2010. Estão neste lote equipamentos considerados de extrema importância, como geradores, quatro cavalos e quatro traileres para movimentar contentores.  “Não deixa de ser interessante analisar que, em resultado dessa aquisição, o movimento produtivo aumentou em mais de dois por cento e os resultados financeiros se cifraram em cerca de 850 por cento”, disse Pompeu António.  Estatísticas da Direcção Provincial dos Transportes do Namibe indicam que, com a reabilitação e a incorporação de mais equipamentos, o porto do Namibe poderá atingir uma produção que vá de acordo com a sua capacidade instalada, que está na ordem das 500 mil toneladas ano.

Trabalhadores satisfeitos

Luís Munguva, funcionário há 40 anos, conta que o porto já esteve em condições péssimas noutros tempos e que nos últimos anos se tem assistido a grandes melhorias no que diz respeito às condições de trabalho e sociais.
Com a grande reparação que está a ser feita, o velho Luís Munguva acredita que o porto terá outra cara. “Há muita diferença entre o porto antigo e este. Atravessámos muitas dificuldades. Hoje a situação é diferente, os trabalhadores têm equipamentos, mas o pavimento é que não favorece. Com o projecto da direcção da empresa, acredito que vamos ter um porto melhor”.
Com capacidade para gerar centenas, senão milhares, de postos de trabalho directos e indirectos, o Porto Comercial do Namibe emprega actualmente 772 trabalhadores, dos quais 630 efectivos, 119 eventuais e 23 colaboradores. Isto porque ainda não está a laborar na plenitude das suas capacidades. Quando estiver totalmente reabilitado e ampliado outros postos de trabalho serão criados. 
 
História de um gigante
 
Concluído em 1957, o Porto Comercial do Namibe, situado na baía da cidade que lhe dá o nome, é a mais importante infra-estrutura por onde passam as importações e exportações das províncias do Sul de Angola. As suas instalações encontram-se divididas em dois sectores localizados nos dois lados opostos da Baía do Namibe. Um situa-se na Torre do Tombo, entre a Ponta do Noronha e a Fortaleza de S. Fernando, originando o Porto Comercial, o outro, situado no Saco do Giraul, vulgo Saco Mar, constitui o Porto Mineraleiro. Com uma grande capacidade de carga e descarga de mercadorias e passageiros, o Porto do Namibe é uma infra-estrutura de grande importância para mobilização de investimentos para a província, em particular, e o país, em geral, tendo em conta a sua localização e a integração económica que se pretende com os Estados da SADC (Conferência para o Desenvolvimento dos Países da África Austral) com a construção da linha férrea que o vai ligar à vizinha Namíbia.

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