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Primeiro emprego é meta de jovens

Manuel Fontoura | Ndalatando

A procura pelo primeiro emprego por parte dos jovens formados em instituições especializadas, no Kwanza-Norte, é uma constante. Apesar de terem terminado a formação com aproveitamento, muitos ainda encontram sérios entraves para conseguir o seu ganha-pão.

A província do Kwanza-Norte conta com muitos mestres de artes e ofícios formados nos centros de formação profissional
Fotografia: Kindala Manuel

A procura pelo primeiro emprego por parte dos jovens formados em instituições especializadas, no Kwanza-Norte, é uma constante. Apesar de terem terminado a formação com aproveitamento, muitos ainda encontram sérios entraves para conseguir o seu ganha-pão. As ofertas de emprego não são muitas e a concorrência é, por outro lado, renhida.
Mas a verdade também é que a formação está mais dirigida para algumas áreas e outras não, além de que é de nível básico e médio. Por isso, as vagas para técnicos superiores ficam praticamente sem serem preenchidas.
No que toca à administração local, a nível do mercado de emprego público, a Direcção Provincial do Kwanza-Norte da Administração Pública, Emprego e Segurança Social tem recebido referências para concursos públicos, com o objectivo de enquadrar técnicos nos diferentes sectores da função pública.
Em conversa com o Jornal de Angola, o director provincial do organismo estatal em referência, Pedro João Fula, frisou que, para este ano, cerca de 162 candidatos para o ramo da Saúde e 892 para o sector da Educação aguardam pelos resultados dos testes efectuados recentemente.
Segundo o director, ao governo da província foi atribuída, em 2008, uma quota de 211 vagas, com 177 lugares preenchidos. O sector da Saúde obteve 262 vagas, das quais 194 foram ocupadas, enquanto no ramo da Educação mais 369 vagas estavam disponíveis, 288 das quais foram preenchidas. As vagas concernentes a técnicos superiores, sendo 34 para o Governo provincial, 68 para a Saúde e 81 para a Educação não foram preenchidas. Durante o ano passado não houve quotas para a realização de concursos públicos na província. A nível do mercado privado, segundo o director provincial do INEFOP do Kwanza-Norte, os cinco pavilhões de formação profissional existentes nos municípios de Ambaca, Cambambe, Cazengo e Samba Caju têm facilitado o ingresso dos jovens no mercado de emprego, após a conclusão dos cursos a que são submetidos.
A província dispõe também de dois camiões equipados com máquinas e meios para as actividades em artes e ofícios, que vão actuar nos restantes municípios, possibilitando a formação dos jovens daquelas áreas. Os camiões possuem um gerador de 20 Kva cada, um compressor de ar para trabalhos de recauchutagem, material para bate chapa e mecânica geral, um macaco hidráulico, igual número de tornos, sistema de soldadura, para além de equipamento de pronto-socorro.
Segundo a nossa fonte, deu-se um passo muito importante, tendo em conta que, nos últimos anos, o mercado de emprego na província é cada vez mais qualificado.

Procura do primeiro emprego

Actualmente, o INEFOP controla a procura e oferta de emprego e respectiva inserção no mercado laboral. Todos os dias acorrem para os centros de formação profissional afectos a esta instituição, pessoas de vários estratos da sociedade, fundamentalmente jovens, com incidência para os do sexo feminino. Como a pretensão de conseguir um emprego não é tudo, é necessário antes qualificar-se e adquirir o cartão de emprego.
Depois de frequentar o curso de artes e ofícios no centro do INEFOP, Joanes Pedro, de 24 anos, podia dar-se por feliz, sendo que terminou já a sua formação em electricidade no Centro Integrado de Formação do Dondo, município de Cambambe.
Mas, desde que isso aconteceu, há quase um ano, ele tem se deparado com um outro problema, que é a procura do primeiro emprego.
Em declarações ao Jornal de Angola, Joanes Pedro refere que já perdeu a conta de quantas portas bateu e de quantos currículos seus distribuiu em várias empresas privadas e públicas na esperança de começar a exercer a sua especialidade, mas nunca recebeu uma única resposta satisfatória. “O que acontece é que muitas empresas, principalmente privadas, só querem pessoas que já estão nesta profissão há mais de três ou cinco anos e dizem que o nosso lugar devia ser no Governo ou noutra instituição”, realça, considerando que a sua especialização parece não ter muita aceitação, uma vez que as instituições públicas não dispõem de electricistas fixos, preferindo aqueles que depois de prestarem um certo trabalho são logo pagos e vão-se embora.
Outro “calcanhar de Aquiles” que tem contribuído para a falta de sucesso na busca por uma vaga tem a ver com a exigência feita por muitas empresas, segundo a qual deve-se ter alguns anos de experiência na área em que se candidata, o que torna complicada a situação de quem está à procura do primeiro emprego. “Quem toma as decisões neste sentido tinha de rever esta condição, porque se nós não obtivermos o primeiro emprego nunca teremos experiência; tudo deve ter um princípio”, considera Joanes Pedro.
O mesmo problema é apresentado por Messias Dumbo, também entrevistado pela reportagem do Jornal de Angola, que evoca o facto de o seu curso ser muito procurado agora que o país está em fase de reconstrução. Pedreiro há mais de quatro anos, só agora conseguiu passar por uma escola de formação e adquirir o certificado. Conta que desde sempre trabalhou em muitos locais como ajudante, mas sem qualificação. “Agora com este documento e com os níveis de conhecimentos que acumulei, terei mais força para enfrentar qualquer empresa. Só espero que as portas estejam abertas para nos receberem”, considerou.
Tal como Joanes e Messias, muitos outros jovens formados em outras áreas acreditam que o Estado tem trabalhado no sentido de garantir o primeiro emprego aos jovens, mas referem que o mesmo “deve melhorar as suas políticas visando este fim”.
De diplomas e currículo nas mãos, os jovens têm tentado em vários locais conseguir um emprego, que, no mínimo, sustente a sua família, bem como a formação média e superior.

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