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Projecto agrícola proteje fauna e flora na região

Weza Pascoal | Menongue

Mais de 19 toneladas de mi-lho, massambala, massango e de feijão-frade foram colhidas numa área de 11.5 hectares, na localidade de Luiana, no município do Rivungo, no quadro de um projecto agrícola financiado pelo banco de desenvolvimento alemão KFW, que tem também como objectivo proteger a fauna e a flora dos parques nacionais de Mavinga e Luengue-Luiana.

Mais de cem famílias estão envolvidas no projecto que já permitiu a colheita de 19 toneladas de produtos
Fotografia: Nicolau Vasco| Edições Novembro | Menongue

O gestor de programas e projectos da Associação de Conservação do Ambiente e Desenvolvimento Integrado Rural (ACADIR), José Américo Filipe, disse ao Jornal de Angola que a campanha envolveu 102 famílias dos bairros Makumutcha, Novo e 11B, situados ao redor do Parque Nacional de Mavinga e Luengue-Luiana.
O projecto-piloto agrícola e de conservação, acrescentou, é da responsabilidade do Ministério do Ambiente, em coordenação com o de Hotelaria e Turismo, com o patrocínio do Banco de Desenvol-
vimento da Alemanha “KFW”, que disponibilizou pouco mais de 267 mil euros para o efeito.
José Filipe realçou que o projecto tem como propósito evitar que a população que vive ao redor dos parques nacionais de Mavinga e Luengue-Luiana exerçam actividades negativas que coloquem em risco as florestas e a vida selvagem, sobretudo naquelas áreas inseridas no projecto Okavango/Zambeze.
O projecto visa também fazer com que os camponeses cultivem durante dez anos ou mais no mesmo lugar, por meio de técnicas apropriadas para o plantio e preparação dos solos, com a utilização de adubo orgânico e excrementos de animais, como o gado bovino e caprino, para se fazer estrume, para o crescimento saudável das plantas.
“Vamos evitar que as pessoas criem danos às florestas, abrindo novas áreas de cultivo, práticas que danificam o habitat dos animais e fomentam o conflito homem/animal, que são muito frequentes nesta região da província do Cuando Cubango”, sublinhou José Filipe.
Explicou que o projecto-piloto de agricultura e de conservação surgiu na sequência de um estudo preliminar, cujos resultados indicaram que as comunidades estavam a provocar graves danos às florestas reservadas aos parques de Mavinga e Luengue-Luiana. Foi então que se decidiu abraçar este projecto, à semelhança da Zâmbia, onde este tipo de agricultura está a produzir resultados satisfatórios.
José Américo Filipe disse que estão a ser preparados mais três campos agrícolas, que vão totalizar, até em Outubro de 2019, mais de 120 hectares de terra, que serão veda-
dos com cerca eléctrica alimentada por painéis solares, com vista a se evitar a destruição das culturas e a invasão de animais selvagens.
Cada campo agrícola, ainda de acordo com José Filipe, contará com uma escola de campo, onde os camponeses aprenderão a lidar com as técnicas de agricultura e de conservação.
Fez saber que os camponeses envolvidos no projecto estão satisfeitos com os resultados obtidos e continuam a trabalhar com os técnicos da ACADIR no sentido de prepararem os 108.5 hectares restantes para a época agrícola 2018/2019, visando o aumento da produção e garantir a segurança alimentar das famílias envolvidas.
José Filipe informou que, até ao final do projecto, cada agricultor vai beneficiar de um hectare de terra para o cultivo, acrescentando que foram distribuídas nove charruas e cerca de 100 enxadas e que a ACADIR está a envidar esforços no sentido de adquirir outros meios apropriados para o projecto.

Ataque de animais   
Elefantes invadiram recentemente o campo agrícola localizado no bairro 11B e destruíram toda a plantação de milho e de massambala, estando-se nesse momento a envidar esforços para a vedação de todo o perímetro, para se evitar que situações do género voltem a acontecer, segundo José Filipe.
Apontou a falta de transporte como o grande empecilho no acompanhamento do projecto, aliada às péssimas condições em que se encontram as vias de acesso, que provocaram sérios danos à única viatura Land Cruiser. As limitações nas comunicações e as altas taxas de câmbio praticadas pelo Banco Nacional de Angola também figuram entre as dificuldades.
Acrescentou que a ACADIR teve uma ruptura muito grande na orientação dos camponeses, quando o seu veículo se danificou, porque, de contrário, a colheita teria superado as 19 toneladas. Garantiu, no entan-to, que na próxima campanha agrícola, além do aumento das áreas de cultivo, a produção poderá superar 40 toneladas.

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