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Projectos alargam a rede de distribuição de energia

Manuel Fontoura| Ndalatando

O governo da província do Kwanza-Norte está empenhado em levar a energia eléctrica a todos os pontos da província, com a execução de vários projectos de reabilitação e expansão das redes de média e baixa tensão e que se encontram em diferentes estágios de execução.

Vários projectos de reabilitação e expansão das redes de média e baixa tensão estão em execução na província do Kwanza-Norte
Fotografia: Manuel Fontoura| Ndalatando

O governo da província do Kwanza-Norte está empenhado em levar a energia eléctrica a todos os pontos da província, com a execução de vários projectos de reabilitação e expansão das redes de média e baixa tensão e que se encontram em diferentes estágios de execução. Em entrevista ao Jornal de Angola, o director de Energia e Águas do Kwanza-Norte, Joaquim Jerónimo, disse que a província é privilegiada em termos de abastecimento de energia eléctrica, visto que as duas maiores barragens do país (Capanda e Cambambe), abastecem a região.

Jornal de Angola – Que projectos de reabilitação e expansão da rede eléctrica existem no Kwanza-Norte?

Joaquim Jerónimo –
Nesta altura a província dispõe de vários projectos de âmbito local e central. Os principais estão em curso nas cidades de Ndalatando e Dondo. Em Ndalatando o projecto já está praticamente concluído no que se refere ao casco urbano, onde foi reparada a totalidade da rede de baixa e média tensão, distribuição e iluminação pública. Posso dizer que Ndalatando é uma das cidades mais iluminadas do país. Acção idêntica está a acontecer na cidade do Dondo e no Alto Fina onde decorrem obras de reabilitação e construção de uma nova rede de baixa e média tensão, para além de uma nova rede de iluminação pública. No casco urbano do Dondo estão a ser instalados transformadores com potências de 400, 630 e dois mil KVA. A par de Ndalatando e Cambambe, o Golungo Alto também é beneficiado.

JA - Que trabalhos estão a ser executados no município do Golungo Alto?

JJ -
No Golungo Alto vamos reabilitar a linha de média tensão de 30 KW, com 70 quilómetros de linha aérea, rede de distribuição domiciliar e iluminação pública, com a instalação de seis Postos de Transformação no centro da vila e na periferia. Os trabalhos de levantamento topográficos para o arranque do projecto no GolungoAlto já estão avançados, os mapas estão a ser elaborados e daqui a mais uns dias a empresa que vai executar o projecto acertar os últimos pontos. Os materiais também já foram adquiridos e temos conhecimento que alguns já se encontram em Luanda. As localidades que ficam próximas da linha de média tensão entre Ndalatando e o Golungo Alto, vão também ser beneficiadas de corrente eléctrica.

JA -  Como está a ser desenvolvido em Ndalatando o "Projecto Anel"?

JJ -
Aqui em Ndalatando, o Governo Provincial continua a fazer os trabalhos do projecto, numa linha que circunda a cidade em 30 mil voltes e vai facilitar a  distribuição dos Postos de Transformação relativos ao casco urbano e a maior parte dos PT do Anel vão ser dirigidos à periferia. Até ao fim do Projecto Anel vamos colocar 22 postos de transformação com transformadores de várias potências.

JA - Quantas pessoas vai beneficiar o Projecto Anel?

JJ -
  Só na periferia da cidade vamos ter mais de cinco mil consumidores. Juntando os da zona urbana vamos fornecer energia a 8.500 consumidores. Nesta altura, já estamos próximos dos 3.600 consumidores.

JA - Que outros passos estão a ser dados para levar energia a mais consumidores na província?

JJ -
Nesta altura estão em fase avançadas os trabalhos que visam a as ligações domiciliares e permanentes nas localidades de Ambaca, Lucala e Samba Cajú. Temos projectos de distribuição de energia noutras localidades onde existe grande número de habitantes, como Massangano, São Pedro da Kilamba, Zenza do Itombe, Caxissa, Cassualala e tantas outras. A maior parte das vilas municipais que ficam próximo da rede de média tensão e de alta tensão têm energia a partir da rede de distribuição da ENE. Os municípios de Samba Cajú, Ambaca e a localidade de Pambos de Sonhe já beneficiam de energia de forma permanente a partir da subestação do Lucala que recebe a energia de Capanda. As demais sedes municipais, embora beneficiem de energia de geradores, são abastecidas das 16h00 às zero horas.

JA - Está prevista a construção de mini-hídricas na província?

JJ -
A construção de mini-hídricas pode ser um facto no futuro. As localidades que têm rios ou quedas de água com aproveitamento vão ser privilegiadas. Em breve temos a maior parte das localidades do Kwanza-Norte beneficiadas de energia da rede pública e não mais a alternativa.

JA - Que outros projectos ligados à energia são desenvolvidos na província?

JJ -
Todas as linhas principais que saem de Capanda para Luanda e para o Uíge passam no nosso território. Por isso devemos aproveitar este potencial e investir mais fortemente na construção de linhas. Já somos uma província privilegiada em termos de energia eléctrica, portanto devemos saber aproveitar bem estas oportunidades.

JA - Esse potencial é sentido pela maior parte da população?

JJ -
Ainda não. Ficámos muito tempo parados e recomeçámos praticamente em 2005. Até hoje já se nota alguma coisa em quase toda a província e portanto não estamos parados, vamos continuar a melhorar os serviços até atingirmos a última localidade da província. Mas é preciso saber que isso acarreta custos elevados, temos de contratar empresas que apresentem propostas concretas e que não venham apenas atrás do benefício. Devem fazer a exploração e gestão da rede, o que significa a facturação, alargamento e manutenção, gestão do cliente, para depois comprar a energia à ENE, vender à população e tirar daí bons rendimentos.

JA - Qual é o volume de dinheiro gasto nos projectos da província?

JJ -
Não posso precisar, mas garanto-lhe que já gastámos muito dinheiro em Ndalatando e em todos os municípios. Só para fazermos uma ideia, neste momento a Direcção Provincial de Energia necessita de 6,2 milhões de Kwanzas para adquirir novos transformadores para os bairros Kipata e 11 de Novembro que nesta altura se encontram às escuras. Actualmente, Ndalatando tem 24 PT, tendo cada um custado entre dois a três milhões de Kwanzas, para além do preço dos acessórios, cabos, torres, transporte do material de Luanda para cá, pagamento do pessoal e mão-de-obra dos eventuais, são de facto somas avultadas.

JA - Quanto foi gasto no projecto de requalificação da rede de Ndalatando e Dondo?

JJ -
A substituição total da rede de média tensão de seis para 15 KW no casco urbano de Ndalatando, incluindo a iluminação pública, para além de intervenções em alguns bairros, está avaliada em perto de 10,5 milhões de dólares, um valor que pode ser gasto igualmente no Dondo. Temos investido também no Projecto Anel que visa distribuir a energia pública e domiciliar aos bairros circunvizinhos da cidade e que envolvem outros valores, para além da aquisição e transporte dos grupos geradores que alimentam as vilas municipais e zonas que ficam ao longo da Estrada Nacional 230.

JA - Com o crescimento dos bairros, os Postos de Transformação devem ser aumentados?

JJ -
Existem bairros que já possuem energia, mas com o crescimento demográfico, pensamos que os Postos de Transformação ali existentes devem ser reforçados para aguentarem melhor e para tal devemos adquirir outros equipamentos mais potentes. Para a aquisição destes equipamentos já não será feita pelo Governo mas devem ser adquiridos com o dinheiro que os clientes pagam pelo consumo da energia.

JA – Os clientes pagam regularmente o consumo de energia?

JJ -
Os clientes praticamente não pagam energia, não por falta de meios mas simplesmente porque não querem. E quando são forçados a pagar, queixam-se às instituições. Esquecem-se que a Direcção de Energia também é uma instituição do Estado que tem igualmente deveres e obrigações.

JA - A Direcção de Energia do Kwanza-Norte tem alguma dívida para com a ENE?

JJ -
No ano passado, tivemos uma dívida para com a ENE de quase três milhões de Kwanzas. Se houvesse uma cobrança eficaz aos cientes, em duas semanas nós podíamos juntar mais de três milhões de Kwanzas, mas da forma como as coisas andam, é impossível. Estamos neste momento com uma dívida de seis milhões de Kwanzas, não queremos deixar que este valor aumente. Se os clientes continuam sem pagar vamos chegar no fim deste semestre com uma dívida muito mais alta.

JA - Como pensam resolver este problema das cobranças?

JJ -
  Vai ser necessário ir ao terreno e confrontar as pessoas com a necessidade de pagarem o consumo. Se conseguirmos cobrar 1.250 Kwanzas a 1000 clientes, conseguíamos mensalmente pagar ao a factura ENE sem problemas e ainda restava alguma coisa para os nossos gastos pontuais. Não podemos estar sempre atrás do Governo para nos dar dinheiro para manutenção de uma determinada rede que sabemos ser rentável se o consumo for pago.

JA - Quantos consumidores estão registados em Ndalatando?

JJ -
Nesta altura temos na nossa base de dados 3.125 clientes que pagaram entre um, dois ou três meses desde 2005 até agora. Os clientes abrem o contrato e nunca mais voltam para fazer os pagamentos. Quando fazemos fiscalização nos bairros e ruas da cidade, deparamo-nos com muitas situações desagradáveis, desde a falta de pagamento às puxadas ilegais.

JA - A a fiscalização funciona em pleno?

JJ -
Não temos pessoal suficiente, nem para fazer o trabalho de uma rua. Temos estado a servir-nos de pessoal eventual. A direcção de Energia tem 84 efectivos entre mecânicos, pessoal do sector de Água e administrativos. A área de electricidade tem apenas 12 profissionais que constam da nossa folha de salários. Neste momento precisamos de pelo menos mais 40 ou 50 técnicos efectivos, porque os que temos na sua maioria são eventuais que contratamos nas escolas de formação profissional.

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