Províncias

Queimadas anárquicas perigam a fauna e a flora

José Cuaves | Nharêa

As constantes queimadas anárquicas que se têm registado nos últimos dias no município da Nharêa, na província do Bié, estão a preocupar as autoridades administrativas e tradicionais da localidade, anunciou  ontem, ao Jornal de Angola, a administradora municipal.

As queimadas indiscriminadas têm afectado o meio ambiente e campos agrícolas da região
Fotografia: DR

Lucia Chicapa acrescentou que as queimadas anárquicas têm afectado o meio ambiente e campos agrícolas, com destaque para as áreas de cultivo de milho, mandioca e feijão.
Por sua vez, o soba da aldeia de Etalala, Domingos Chiocola, disse que os autores destas acções são supostos caçadores.
Domingos Chiocola manifestou a necessidade dos munícipes preservarem o meio ambiente, evitando as queimadas e outras práticas nocivas à natureza.
A autoridade tradicional é de opinião que as queimadas devem ser controladas, por forma a evitar danos à natureza e ao próprio homem. “O controlo das queimadas ajuda à realização de uma caça responsável, que previne o abate de espécies protegidas”, acrescentou.
 
Protecção da fauna e da flora

Um maior envolvimento das autoridades tradicionais na denúncia de práticas de abate indiscriminado da fauna e da flora foi ontem defendido, na Nharêa,  pela administradora Lúcia Chicapa.
A responsável da circunscrição disse que a preservação da fauna e da flora é tarefa e dever de toda a sociedade, sendo os sobas elementos importantes, por conhecerem melhor nas comunidades os praticantes de abate indiscriminado de árvores e da caça ilegal. Os efeitos negativos da caça furtiva têm sido responsáveis pela diminuição ou mesmo desaparecimento de espécies de animais, ao longo das florestas da província.
Os pequenos agricultores devem evitar queimadas desnecessárias de florestas, para se preservar a biodiversidade e o meio ambiente, aconselhou Lúcia Chicapa.
“É preocupante a acção de muitos criadores de gado que ateiam fogo nas matas, incluindo os camponeses que se dedicam ao fabrico de carvão, temos que unir esforços para conter esta prática, que tem vindo a causar danos incalculáveis ao meio ambiente”, disse a administradora, que realçou ser urgente que a população se abstenha deste tipo de comportamento, que em nada beneficia o ambiente.
Segundo a administradora, muitos locais que podiam ser utilizados para a prática da agricultura e pecuária estão a ser destruídos pelas populações.

Tempo

Multimédia