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Quitexe quer recuperar o tempo perdido

José Bule | Uíge

O município do Dange-Quitexe, a principal “porta de entrada”, por terra, para quem vai ao Uíge, passando pela província do Bengo, já foi das localidades que mais contribuiu para o desenvolvimento da região.

Vista parcial da sede de Dange-Quitexe onde os habitantes arregaçaram as mangas para fazer com que a região volte aos tempos áureos
Fotografia: José Bule

O município do Dange-Quitexe, a principal “porta de entrada”, por terra, para quem vai ao Uíge, passando pela província do Bengo, já foi das localidades que mais contribuiu para o desenvolvimento da região.

Quitexe também é famoso por dispor de dois locais turísticos, a Lagoa do Feitiço e o rio Tsamba, cujas histórias arrepiantes, contadas pelos mais velhos, obrigam qualquer pessoa a respeitá-los e a cumprir rituais impostos.
Dange-Quitexe, com 3.872 quilómetros quadrados e mais de 33 mil habitantes, tem três comunas, Aldeia Viçosa, que dista 24 quilómetros da sede municipal, Vista Alegre, a 60 quilómetros, e a de Cambamba, a 86.
Acabado o conflito armado, que afectou o desenvolvimento da região, a administradora municipal do Dange-Quitexe procura soluções para a localidade voltar a ser o que já foi.
Maria Cavungo disse, ao Jornal de Angola, estar preocupada com o estado das vias de acesso às demais localidades do município, defendendo que a maioria das infra-estruturas deve ser reabilitada e devidamente apetrechada.
A administradora aposta também na construção de mais empreendimentos sociais, como escolas, postos e centros de saúde e no fornecimento de energia eléctrica e de água.

Agricultura

Os habitantes do Quitexe produzem café, mandioca, ginguba, milho, feijão, batata-doce, batata rena, banana, abacaxi e arroz. Em 2009, a área cultivada, por processo mecanizado, foi de cerca de 178 hectares. Os agricultores do município receberam, do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), instrumentos agrícolas.
Quitexe tem uma central eléctrica, com capacidade para produzir 250 kva. Por isso, a energia já não é quebra-cabeças para os habitantes da sede municipal. Foram feitas ligações domiciliárias que permitem cada consumidor beneficiar de energia eléctrica todos os dias, entre as 17h00 as 6h00.
Quer na sede municipal, quer nas comunais da Aldeia Viçosa e da Vista Alegre, foram colocados postos de iluminação solar, o que garante maior segurança à circulação nocturna dos munícipes.
Quanto a água, Dange-Quitexe tem um sistema que funciona por gravidade, na sede municipal, e um outro por bombagem, nas sedes comunais de Vista Alegre e Aldeia Viçosa, localidades onde os habitantes já beneficiam do projecto “Água para todos”.
Na sede municipal funcionam dois sistemas de abastecimentos, um deles, de água tratada.
O volume de produção é de 20 metros cúbicos por hora, equivalendo a uma produção diária de 120 mil litros, que são conservados em dois tanques, um com capacidade de 70 mil litros e o outro, de 50 mil.
“A água ainda não chega para todos, mas acreditamos que, pelo menos, nove mil habitantes beneficiam dela”, declarou a administradora municipal de Dange-Quitexe, Maria Cavungo.
Cerca de oito mil alunos estão matriculados em todo o município, que tem 485 professores, dos quais 409 asseguram as aulas do ensino primário, 61 estão no I ciclo e apenas 15 no II ciclo do ensino.
Os alunos estão distribuídos por 68 escolas, 66 do ensino primário, uma do I ciclo e outra no II ciclo.
A administradora municipal disse que são necessários, no mínimo, mais cem professores.
O Quitexe tem 35 enfermeiros. A administradora municipal, que considera irrisória a quantidade de técnicos de saúde no município, garantiu que a situação tem provocado constrangimentos.
 “Já pedimos à direcção provincial da saúde que realize concursos públicos para admissão de médicos e enfermeiros”, disse.
A rede sanitária do Quitexe é composta por três centros de saúde, um na sede municipal, um na Vista Alegre e outro na Aldeia Viçosa.

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