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"Raid Kwanza-Sul" parte de Luanda

Leonel Kassana |

Mais de seis dezenas de excursionistas angolanos e portugueses iniciam, hoje, em Luanda, uma viagem a diferentes províncias do país no já tradicional “Raid Todo o   Terreno”, organizado pelo Governo da Província do Kwanza-Sul e Câmara Municipal de Almada, Portugal.

A caravana tem como principal motivo mostrar ao mundo as potencialidades turísticas angolanas e as grandes obras de reconstrução
Fotografia: Jornal de Angola

Mais de seis dezenas de excursionistas angolanos e portugueses iniciam, hoje, em Luanda, uma viagem a diferentes províncias do país no já tradicional “Raid Todo o   Terreno”, organizado pelo Governo da Província do Kwanza-Sul e Câmara Municipal de Almada, Portugal. Desta vez, o “Raid Kwanza-Sul, que já vai na sua quinta edição consecutiva, tem como lema “A caminho das Lundas”, pois vai atingir as três províncias do Leste do país (Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico) antes de regressar à capital angolana, percorrendo cerca de quatro mil quilómetros alternando o percurso em picada e estrada asfaltada.
A caravana é composta por 20 viaturas e tem como principal motivo mostrar ao mundo as potencialidades turísticas angolanas e as grandes obras de reconstrução nacional.
O “raid” todo o terreno do Kwanza-Sul é uma expedição sem carácter competitivo, privilegiando a descoberta de lugares paradisíacos.
“Para além de conhecerem as belezas naturais do país, os excursionistas – muitos deles participam pela primeira vez no raid – têm a possibilidade de contactar directamente com um país em franco desenvolvimento”, explicou Pedro Cristina, da organização, em declarações ao Jornal de Angola.
Ao deixar Luanda, a excursão vai a Calandula, onde fica um dia para os participantes apreciarem as quedas de água do rio Lucala. Um magnífico panorama de encher os olhos. Com 410 metros de altura e 105 de largura, as quedas de Kalandula são, ao lado das pedras de Pungo Andongo, dos sítios turísticos emblemáticos da região.
Mas, antes e ainda em Luanda, os excursionistas têm a possibilidade de apreciar a imponência do Estádio Nacional 11 de Novembro. Uma obra moderna que acolheu a abertura e a final do Campeonato Africano das Nações em futebol que Angola acolheu no início deste ano.
 Para trás ficam, também, as zonas do Zango, uma das grandes e novas centralidades urbanas da capital angolana, Catete, terra do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, Golungo Alto, que viu nascer muitos nomes do nacionalismo angolano, como António Jacinto, Cónego Manuel das Neves, Mário Pinto de Andrade, e Cacuso, onde no rio Kwanza foi erguida a barragem hidroeléctrica de Kapanda, uma das maiores do país.
Em território de Malange, a segunda etapa prevê mais 442 quilómetros, devendo os excursionistas passarem pelos rápidos do rio Kwanza localizados a montante da ponte na estrada Cangandala-Malange.
Em Cangandala o ponto alto é a visita a uma ilha situada no rio Kwanza, onde se encontram os restos mortais de N’gola Kilwanje. Um verdadeiro reencontro com a História.
Para alcançar a ilha, onde estão, igualmente, os utensílios daquele soberano, a travessia é feita de canoa a partir da ponte sobre o Kwanza e a visita envolve vários rituais tradicionais. “Não é possível toda gente visitar a ilha, pois devem ser cumpridos determinados rituais. O soba, guardião da ilha, exige o seu cumprimento obrigatório, as pessoas vão ser avisadas e nós vamos respeitar a tradição”, disse Pedro Cristina.
Não muito distante de Cangandala estão as quedas de Mussele. São ainda pouco conhecidas, mas já começam a ser um destino turístico. E é aqui que vai terminar a segunda etapa deste “Raid Kwanza-Sul” em Malange.

A caminho das Lundas

Numa estrada com 587 quilómetros completamente asfaltada, a traduzir as empreitadas de reconstrução nacional na região das Lundas, o “Raid Kwanza-Sul” chega à cidade de Saurimo, com passagem, primeiro, pelas localidades de Caculama, Xandel, rio Lui, na provínca de Malange e, depois, Xá Muteba, rio Cuango e Capenda Camulemba, na Lunda-Norte, antes de alcançar a vila de Cacolo, na Lunda-Sul.
Uma visita à mina de Catoca, no dia 28, é a principal referência da passagem da caravana pela província da Lunda-Sul. Oportunidade para os excursionistas apreciarem as operações mineiras naquela que é considerada a quarta maior mina diamantífera a céu aberto no mundo. Nesse dia, a União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) completa 25 anos e, por isso, essa etapa do “raid” é dedicada a esta instituição da lusofonia, numa noite animada em Saurimo com muita dança, poesia e teatro.
Depois a excursão faz mais 325 quilómetros até à cidade do Dundo, na Lunda-Norte. Para trás ficam Lucapa, Camissombo e outras localidades que possuem importantes projectos diamantíferos, como Yetwenne e a Sociedade Mineira do Lucapa.
 “Queríamos visitar o Museu do Dundo, mas, infelizmente, não é possível, por se encontrar fechado para obras até ao final do ano”, explicou Pedro Cristina.
O percurso do dia anterior repete-se, por não haver alternativa e, depois, nova pausa em Saurimo, a cidade dos “kupapatas”, motorizadas a fazer serviço de táxi. No dia seguinte, a caravana segue para Lwena, capital do Moxico, num percurso de 266 quilómetros.
Pelo meio, uma paragem nas quedas do rio Dala com uma extensão de mais de 200 metros de extensão.
 O rio Dala possui um elevado caudal, como aliás a maioria dos rios do Leste de Angola. Antes de atingir a capital da mais extensa província angolana, uma passagem por Camanongue, que em oito anos de paz recebeu importantes obras sociais, como escolas, postos e centros de saúde, sistema de abastecimento de água e energia.
 
Caminho-de-Ferro de Benguela

Ao deixar o Lwena, a caravana de excursionistas que, além dos “habitués”, integra a filha de Xanana Gusmão, primeiro Presidente de Timor-Leste, Zenilda Gusmão, e Pedro Norton de Matos, neto de Norton de Matos, fundador da cidade do Huambo, vai alternar a descida para o Cuito entre picadas e a plataforma do Caminho-de-Ferro de Benguela.
Numa viagem de 408 quilómetros até à capital do Bié, esta jornada é encarada como oportunidade para ver o actual estado de reabilitação da linha férrea de 1.600 quilómetros entre o Porto do Lobito e a Zâmbia e a República Democrática do Congo.
Sempre em movimento, a expedição tem a possibilidade de ver nas localidades de Cachipoc, Cangumbe, Cangona e Cuemba, no território do Moxico, algumas composições ferroviárias abandonadas e que no passado serviram para o transporte de pessoas e mercadorias do litoral angolano para o Centro e Leste.
A entrada na província do Bié é feita pela ponte ferroviária sobre o rio Kwanza e, depois, a caravana – sempre em paralelo com a linha do CFB – entra na cidade do Cuito, mas sem antes deixar de cruzar as localidades de Camacupa, Catabola, Chipeta e Cunge, particularmente conhecidas pelo seu potencial agrícola.

Visita aos hipopótamos

A faltarem dois dias para o FIM, o “Raid Kwanza-Sul” vai passar pela vila do Waku Kungo, para retemperar forças de uma viagem de 442 quilómetros desde a cidade do Cuito. Cruza-se parte do território do Huambo pelos municípios do Catchiungo, Bailundo e a comuna do Alto Hama, numa estrada totalmente asfaltada. Na confluência dos rios Cussoi e Queve podem ser observados hipopótamos, os animais emblemáticos da região.
Com dezenas de aldeamentos, Waku Kungo hoje é um dos maiores pólos de desenvolvimento agro-pecuário e industrial alguma vez criado em Angola. No projecto “Aldeia Nova”, no vale da Cela, são produzidos hortícolas, cereais, carne e produtos lácteos, como leite, manteiga e iogurtes.
Na localidade da Cabuta, a 260 quilómetros a Norte do Waku Kungo, vai encerrar o quinto “Raid Kwanza-Sul”. Com várias fazendas agrícolas e complexos, a Cabuta é uma das zonas mais prósperas da região.
Mas antes, os excursionistas vão experimentar a sensação que é subir a “Pedra Kungo”, um monumento natural com cerca de 500 metros de altura dando uma visão panorâmica fabulosa. “Uma escalada difícil a exigir boa forma física e calçado adequado, não derrapante”, referiram os organizadores.
Mas quem quiser evitar escalar a Pedra Kungo, tem como alternativa a subida, de jeep, ao morro do Waku-Kungo, com 300 metros, sobranceiro à cidade.
Quando a excursão “A Caminho das Lundas” terminar, serão contabilizados mais de 3.500 quilómetros percorridos.

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