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Raio X do hospital geral inoperante há semanas

Venâncio Víctor | Malanje

O sistema de Raio X do Hospital Regional de Malanje está avariado há quase duas semanas, facto que preocupa as autoridades hospitalares, que encontram como alternativa o Hospital Materno Infantil, fundamentalmente para atender casos de urgência e doentes em regime de internamento.

Parte frontal da unidade sanitária cuja área de radiologia está com problemas
Fotografia: Adriano Sapalo | Edições Novembro

Em declaração ao Jornal de Angola, o administrador do complexo hospitalar, Desmant João, pediu à população para manter a calma, pois, acrescentou, “a inoperância do aparelho não vai prejudicar o normal funcionamento dos serviços de radiologia, porque existe o apoio das unidades sanitárias vizinhas, como o Hospital Provincial Materno Infantil, para onde têm sido encaminhados todos os pacientes com necessidade de efectuar o Raio X”.
Desmant João explicou que os tratamentos ambulatórios estão condicionados à reparação do aparelho e que os doentes com possibilidades financeiras podem fazer recurso às unidades do sector privado, disponíveis na província de Malanje.
O administrador disse que o problema arrasta-se desde a semana antepassada e tem a ver com uma avaria nas placas reveladoras do sistema digital da máquina, estando a carecer de calibragem.
A paralisação do aparelho, segundo o responsável sanitário, tem a ver igualmente com o seu tempo de vida útil, garantindo que já foram efectuados contactos com uma empresa que vai mandar os seus técnicos, a partir de Luanda, para dar solução ao problema nos próximos dias.
“Nós estamos com esta insuficiência nos serviços, mas já foi notificada uma equipa técnica, a partir da província de Luanda. Neste momento estamos a trabalhar nas questões burocráticas e de agendamento, que envolvem pagamentos, para que se ultrapasse esse constrangimento, em breve”, reforçou Desmant João.
O administrador disse que os serviços de Raio X vão conhecer melhorias quando entrar em funcionamento um novo aparelho, que deve começar a ser montado em breve, estando apenas a se aguardar a chegada de uma equipa de técnicos vindos de Luanda.
“Já tivemos uma equipa de técnicos nos dias 12 e 13 de Abril, tendo sido efectuado o levantamento das necessidades, para a criação de condições de montagem da máquina e torná-la operacional”, sublinhou Desmant João.
 O Hospital Materno, acrescentou, não  está abarrotado porque não temos registado muitos casos de pessoas com necessidades ortopédicas.
“Temos um grande problema, pois a nossa população, que é meio desinformada, em caso de qualquer sintoma opta em recorrer ao raio X, mesmo sem ter sido examinada ou consultada por um médico, e uma vez feita a terapia os técnicos constatam que se trata de outra enfermidade, que não carecia de Raio X”, argumentou.
Segundo Desmant João, não obstante a paralisação máquina do Raio X, os serviços na área de ortopedia continuam garantidos. “Às vezes ficamos com um fluxo de pacientes muito grande, fundamentalmente em consultas externas, porque os centros e os postos de saúde na periferia não funcionam em pleno”.
O Hospital Regional de Malanje, com capacidade para 200 camas, de acordo ainda com o responsável, tem 12 pacientes internados na área de ortopedia geral, que conta com 50 camas.
A chefe de secção de estatística do Hospital Regional de Malanje, Henriqueta Francisco, disse que durante o mês de Abril foram assistidas mais de 700 pessoas na área de radiologia, acrescentando que a maioria dos casos está ligada aos acidentes de viação com motorizadas e atropelamentos. Apelou aos utentes da via para observar as regras de trânsito, de forma a se evitar o pior.
Já o chefe-adjunto do Banco de Cirurgia e Ortopedia do Hospital Regional de Malanje, Manuel Arsénio, disse que a falta do aparelho de Raio X dificulta a observação e o diagnóstico do quadro dos pacientes, o que não pode ser feito a olho nu, referindo ainda que os doentes que não apresentam gravidade são encaminhados para as consultas externas. Com 20 camas, o Banco de Urgência de Ortopedia funciona com um piquete composto por três técnicos.

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