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Ravina corta a circulação entre o Caiundo e Catuiti

Carlos Paulino | Menongue

A ligação rodoviária entre as Repúblicas de Angola e da Namíbia, passando pela sede comunal de Caiundo e os municípios do Cuangar, Calai, Dirico, na província do Cuando Cubango,

A chuva que se abate com frequência sobre a região facilita o alastramento da ravina que impossibilita a normal circulação rodoviária
Fotografia: Carlos Paulino | Menongue - Edições Novembro

está interdita desde a madrugada de quinta-feira, devido à abertura de uma ravina de 12 metros de comprimento e seis de largura, na Estrada Nacional (EN) 140.
A chuva que caiu naquela região, das 23 horas de quarta-feira até às quatro horas do dia seguinte, arrastou a manilha de passagem das águas pluviais colocadas sobre um pequeno riacho, a cerca de dois quilómetros da sede comunal do Caiúndo, o que resultou na abertura de uma grande vala no meio da estrada.
 No local, a reportagem do Jornal de Angola constatou que no mesmo troço, Caiundo/Catuitui, existem ainda mais quatro áreas consideradas perigosas e que podem obrigar a cortar a estrada. Trata-se da localidade de Mbalatchavu onde, no período chuvoso, muitos camiões ficam atolados, por causa do areal  misturado com água que forma um enorme lamaçal.
Por esta razão, um número sem conta de camiões provenientes de vários pontos do país, que tinham como destino os municípios da orla fronteiriça e a República da Namíbia e vice-versa, carregados com mercadorias diversas, aguardam a rápida intervenção das autoridades no estancamento da ravina, para que possam prosseguir a sua viagem. O administrador comunal do Caiundo, Paulo Muntomba, disse não dispor de meios para  acudir à situação, lembrando tratar-se de um terreno muito acidentado, pelo que será necessária a utilização de máquinas potentes para se poder realizar os trabalhos.
Paulo Muntomba informou que uma equipa técnica da Direcção Provincial do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA) deslocou-se sexta-feira para esta localidade, tendo constatado o evoluir da ravina. Prometeram trabalhar em coordenação com o governo da província, no sentido de se fazer, numa primeira fase, um trabalho paliativo para permitir a circulação de pessoas e mercadorias.
“Penso que não havia necessidade de se chegar até este ponto. Poderia ter sido evitado caso fossem concluídas as obras de construção da estrada Caiundo/Catuitui, que já levam cerca de nove anos. Desconhecemos as razões da não conclusão desta empreitada, quando até já foi paga em mais de 80 por cento.”

Aquisição de bens

O responsável da administração reconhece as dificuldades dos automobilistas, referindo que até os taxistas que fazem o trajecto Menongue/Catuitui não conseguem circular de um lado para o outro. A situação, acrescentou, está a dificultar a população do Cuangar, Calai e Dirico que adquirem os principais bens de primeira necessidade na cidade de Menongue.        
O automobilista José Eduardo Carmelino está retido desde quinta-feira na comuna do Caiundo, com um camião carregado com seis mil tijolos. Proveniente de Luanda, o camionista tem como destino a localidade de Catuitui. Agastado com a situação, pediu às autoridades para intervirem com a máxima urgência na via, para facilitar a circulação rodoviária.
José Eduardo Carmelino considera péssimo o estado das vias de acesso entre Caiundo e Catuitui e, com base nisso, os automobilistas, num percurso de aproximadamente 200 quilómetros, levam mais de sete horas de viagem, quando em condições normais seria feito em apenas duas ou três horas.
“Pedimos às autoridades para redobrarem os esforços para a conclusão, o mais breve possível, do troço rodoviário Caiundo/Catuitui, no sentido de permitir uma melhor circulação de pessoas e mercadoria”, disse José Eduardo.

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