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Ravinas ameaçam engolir Cuito Cuanavale

Lourenço Manuel | Cuito Cuanavale

O administrador municipal do Cuito Cuanavale, Joaquim Bango Cantema, disse que, apesar do surgimento de novas infra-estruturas sociais que estão a conferir um outro visual à vila, a localidade está à beira de um desastre natural, devido à progressão desordenada de enormes ravinas alimentadas pelas águas das chuvas.

Administrador Joaquim Bango Cantema
Fotografia: Lourenço Manuel

 

O administrador municipal do Cuito Cuanavale, Joaquim Bango Cantema, disse que, apesar do surgimento de novas infra-estruturas sociais que estão a conferir um outro visual à vila, a localidade está à beira de um desastre natural, devido à progressão desordenada de enormes ravinas alimentadas pelas águas das chuvas.

As enormes valas abertas por obra das chuvas já destruíram várias cubatas de pau a pique da população e arrancaram o asfalto em diferentes pontos de estradas. Uma ravina de grandes dimensões, que tem origem nas margens do rio Kuito, está prestes a atingir o edifício da Igreja Católica, no centro da vila, e duas outras avançam em direcção ao aeroporto.
A residência do rei Bingo Bingo, também está na iminência de desabar ante a presença de duas ravinas que avançam naquela direcção. Quase em todos os bairros da circunscrição, incluindo a estrada Menongue/Cuito Cuanavale, estão ameaçados pelas ravinas e podem ficar incomunicáveis do resto do país se nada for feito com urgência.
“O problema das ravinas no Cuito Cuanavale é antigo, só que desta vez, devido à intensidade das chuvas, elas retomaram o seu curso normal e nós já notificamos as autoridades superiores da província e aguardamos pacientemente por uma solução do problema”, declarou o administrador municipal.

Educação e saúde

Segundo Joaquim Bango Cantema, os sectores da Educação e Saúde também enfrentam graves problemas. A título de exemplo, disse que nas comunas de Baixo Longa, Lupiri e em todos os bairros situados ao longo das margens do rio Cuanavale, num raio superior a 50 quilómetros, este ano lectivo mais de oito mil alunos ficaram fora do sistema normal de ensino por falta de professores.
No domínio da saúde, as coisas também não vão lá muito bem, porque o hospital municipal, com capacidade para 35 camas, já não corresponde à procura, pelo que é preciso, agora, pensar em recursos para a construção de outro hospital com capacidade para 100 camas no mínimo, para fazer face a uma afluência diária de 150 pacientes.
Outra solução, segundo Bango Cantema, passa pela construção de postos de saúde nos bairros Samikiti e Luassingua, para descongestionar o hospital municipal.
“Os projectos existem e aguardamos apenas a disponibilidade dos fundos de gestão municipal para o arranque das obras”, declarou.

Energia com restrições

A sede municipal está privada do fornecimento de água potável devido a uma rotura no sistema de distribuição de energia eléctrica, sustentada por um gerador de apenas 150 KVA.
O administrador Cantema adiantou que, mesmo sem a presente rotura no sistema de distribuição, o fornecimento de energia eléctrica já era feito com muitas restrições, razão pela qual a administração está a pensar já na aquisição de um outro gerador de pelo menos 500 KVA .
À margem do memorial do Cuito Cuanavale, o Governo central está também a financiar um projecto de construção de um bairro residencial, nos arredores da sede municipal, com um total de 100 casas sociais para serem distribuídas a quadros da administração local, ex-militares, antigos combatentes e a outros segmentos da população.
O encarregado de obras da “ABH”, uma empresa de construção civil de direito angolano e israelita, Daniel de Carvalho, disse que os trabalhos começaram em Novembro do ano passado e até ao momento foram concluídas oito casas do tipo T-3 das 100 inicialmente previstas. Sem avançar as razões da lentidão que levam as obras, Daniel de Carvalho disse que, por orientação dos seus superiores em Luanda, o projecto está paralisado desde princípios do mês de Fevereiro, apesar do material destinado para a construção das 100 casas se encontrar na sua totalidade concentrado no município do Cuito Cuanavale.
O Jornal de Angola apurou junto das autoridades locais que o Governo central tem igualmente para o Cuito Cuanavale um outro plano para construir 2.500 moradias, no âmbito do programa de auto construção dirigida, para o qual foram escolhidas duas reservas fundiárias que aguardam por limpeza e loteamento.

Estradas esburacadas

Viajar da cidade de Menongue para o Cuito Cuanavale, num percurso de aproximadamente 200 quilómetros, é um autêntico pesadelo, em consequência do péssimo estado do referido troço, que se agravou com as chuvas que caem abundantemente na região. O calvário começa quando deixamos a cidade de Menongue e se prolonga até a comuna do Longa, num percurso de quase 90 quilómetros. As crateras estão disseminadas entre si a milímetros de distância e nestas condições os motoristas não podem ousar ultrapassar os 20-30 quilómetros de velocidade, o que torna a viagem muito fastidiosa. Há dois anos, o Governo adjudicou o troço rodoviário Menongue/Longa, para a sua asfaltagem, à empresa portuguesa de construção civil Edifer, e a construtora angolana ADMC ficou com a outra parte que vai do Longa até ao Cuito Cuanavale, um investimento global de pouco mais de 170 milhões de dólares americanos, mas até a data nada foi feito.

Terraplanagem

Os primeiros trabalhos de terraplanagem feitos resultaram em nada e, com o surgimento das chuvas, estão a dar lugar a enormes crateras, que ameaçam isolar o município do Cuito Cuanavale e outras localidades da província e de outras regiões do país.
O Jornal de Angola procurou contactar os responsáveis das referidas empresas para saber o que se passa na realidade, mas quer a Direcção provincial do Instituto de Estradas de Angola (INEA), quer os responsáveis da Edifer e da ADMC se recusaram terminantemente a prestar quaisquer declarações. As obras de reabilitação do aeroporto local, com uma pista de 2.700 metros de comprimento e 30 de largura, caminham para o seu termo. Os trabalhos, a cargo da empresa cubana de construção civil Imbondex, se resumem na colocação de um novo tapete asfáltico e na ampliação das cabeceiras da pista.
Estão também a decorrer trabalhos de melhoramento da torre de controle, ao passo que a aerogare já foi concluída e ocupa um espaço de 900 metros quadrados. A mesma conta com uma sala de embarque e desembarque de passageiros, outra destinada a entidades protocolares e a terceira para personalidades VIP.
Segundo uma fonte do Jornal de Angola, os trabalhos estão concentrados na remoção do asfalto antigo, que já está concluído, compactação da pista com brita em toda a sua dimensão, estando a última etapa da empreitada reservada à colocação do novo tapete asfáltico. Uma vez concluída, a pista do aeroporto do Cuito Cuanavale vai estar habilitada a receber aeronaves de todo o tipo, tão logo as entidades aeronáuticas cumpram com os procedimentos de verificação da mesma.

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