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Recuperação das fazendas aumenta colheita do café

Manuel Tomás | Sumbe

A província do Kwanza-Sul prevê colher este ano, no início de Junho, cerca de 3.150 toneladas de café comercial, um aumento de mil toneladas relativamente à safra anterior, de 2.138 toneladas, que se deve, fundamentalmente, à recuperação de algumas fazendas anteriormente abandonadas, bem como aos incentivos que o Governo está a prestar ao sector cafeícola.

Pequenas empresas agrícolas terão apoio de um fundo de 200 milhões de dólares, do Instituto Nacional do Café
Fotografia: Manuel Tomás

A província do Kwanza-Sul prevê colher este ano, no início de Junho, cerca de 3.150 toneladas de café comercial, um aumento de mil toneladas relativamente à safra anterior, de 2.138 toneladas, que se deve, fundamentalmente, à recuperação de algumas fazendas anteriormente abandonadas, bem como aos incentivos que o Governo está a prestar ao sector cafeícola.

No total, foi trabalhada uma área com 18.293 hectares distribuídos por 272 fazendas e envolvendo mais de 6.643 famílias camponesas. O chefe de departamento do Instituto Nacional do Café (INCA) no Kwanza-Sul, José Manuel Ventura, disse que o município do Amboim (Gabela), um dos maiores produtores do café nesta região, vai colher mais de 1.200 toneladas da variedade robusta.
Este projecto, com o termo aprazado para o primeiro trimestre de 2011, envolve quatro mil famílias que estão a recuperar oito mil hectares e conta com um financiamento estimado em oito milhões de dólares do fundo comum dos produtos de base, com apoio da Organização Internacional do Café e mais três milhões de dólares do Governo angolano.
O responsável do INCA deu a conhecer que foi aprovado um fundo de apoio à actividade agrícola de base familiar, destinando-se a essas pequenas empresas agrícolas (fazendeiros) 200 milhões de dólares, enquanto 150 milhões foram direccionados para o sector camponês em geral.
A execução das operações foi atribuída às agências bancárias do BPC, Banco Sol e outros mas, “na prática, o movimento não se verifica com a celeridade que se esperava”, explica José Manuel Ventura, acrescentando que os cafeicultores clamam por créditos e que o processo não seja moroso.
Além de considerar os créditos concedidos diminutos, adianta que segundo os cafeicultores a actividade cafeícola exige aturados trabalhos de capina das ervas daninhas, originando que a recuperação do café se estenda por quatro a cinco anos, e o reembolso dos poucos montantes recebidos tem conhecido muitos atrasos.
 
Amboim com fábricas de descasque

Nos últimos tempos, o INCA tem trabalhado com as autoridades tradicionais das principais localidades produtoras do “bago vermelho” no sentido de sensibilizar a população para se abster do corte do cafezal, que tem ocorrido por as pessoas quererem ocupar os terrenos para plantarem culturas como milho, mandioca, citrinos e outras que dão rendimento imediato.
Entretanto, este ano, Amboim beneficiou de cinco fábricas de torrefacção e descasque do café adquiridas ao Brasil (por montantes desconhecidos) e foram já distribuídas pelas diversas fazendas, enquanto nos restantes municípios o trabalho prossegue com a utilização das antigas fabriquetas rudimentares.
Com a compra das fábricas ficou facilitado o trabalho dos cafeicultores no tocante à preparação do café, uma vez que se evita o envio do produto para as províncias circunvizinhas para ser descascado, tratado e encaminhado para os centros de comercialização.

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