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Rede viária reconstruída liga as províncias do Sul

Domingos dos Santos | Lubango

Viajar por estrada é a melhor opção para quem pretende deslocar-se em Angola. Na província da Huíla estão em reabilitação 1.200 quilómetros de estradas, de acordo com o director provincial das Obras Públicas.

Os trabalhos de reabilitação do troço Matala-Kuvango consistem na reconstrução geral da estrada e colocação de pavimento betuminoso
Fotografia: Domingos dos Santos

 

Viajar por estrada é a melhor opção para quem pretende deslocar-se em Angola. Na província da Huíla estão em reabilitação 1.200 quilómetros de estradas, de acordo com o director provincial das Obras Públicas.
Rosário Ima Panzo explica que estão em obras os troços Matala-Kuvango, de 169 quilómetros, Cacula-Quilengues, 55, Lubango-Ondjiva, e a Estrada Nacional 120, que faz a ligação entre as localidades de Cacula, na província da Huíla, e Caála, no Huambo, com 300 quilómetros, tudo a fazer em cinco empreitadas.
Com os trabalhos já efectuados nestas vias, de acordo com o director provincial das Obras Públicas, cerca de 500 quilómetros já foram pavimentados e sinalizados, diminuindo, desta forma, os transtornos dos automobilistas e melhorando a circulação rodoviária.
Os trabalhos de reabilitação do troço Matala-Kuvango, numa extensão de 169 quilómetros, consistem na reconstrução geral da estrada, colocação de pavimento betuminoso, melhoria do sistema de drenagem das águas pluviais e sinalização.
Para a reconstrução e reabilitação da Estrada Nacional 280, foram montados duas britadeiras, que produzem 1.000 toneladas de brita por dia.
As obras devem estar concluídas até ao dia 31 de Dezembro, numa altura que mais de 70 quilómetros já foram asfaltados. “Quando terminar a reabilitação da estrada, ela fica com oito metros de largura, bermas de meio metro, duas faixas de rodagem e lancis”, disse.
O troço Cacula-Ngola, em direcção à província do Huambo, tem uma extensão de 59 quilómetros.
Com 40 quilómetros de estradas já pavimentados e sinalizados, o empreiteiro prevê terminar a reabilitação do troço em Fevereiro de 2010. “Já temos 40 quilómetros todos pavimentados e sinalizados, faltando concluir 19 quilómetros. Por causa das chuvas, que este ano começaram mais cedo, os trabalhos vão terminar em Fevereiro de 2010”, explicou Manuel Rodrigues, assessor técnico da empresa que reabilita aquela via.
A estrada, quando estiver concluída, fica com uma plataforma de dez metros e meio de largura, duas faixas de rodagem de sete metros cada e uma cerca em toda a sua extensão para evitar a invasão dos animais, sobretudo o gado bovino.
Ainda na Estrada Nacional 120, a empresa responsável pela reabilitação do troço Cacula-Ngola, está também a reabilitar o troço Cusse-Caluquembe, com 74 quilómetros. As obras deste troço estão avaliadas em 65,7 milhões de dólares.

Circulação rodoviária

Centenas de pessoas circulam diariamente nas já reabilitadas estradas nacionais 280, que liga Huíla ao Namibe e ao Kuando-Kubango, a 120, que faz ligação entre as províncias da Huíla e Huambo, e a via Huíla-Benguela.
Os trabalhos de reabilitação do troço Matala-Kuvango, na Estrada Nacional 280, numa extensão de 169 quilómetros, ainda decorrem, mas os mais de 70 quilómetros já reabilitados e os restantes terraplanados dão já conforto e tranquilidade aos automobilistas e passageiros que todos os dias circulam nos dois sentidos.

Opção pela comodidade

Na paragem da praça do município da Matala, de onde partem os táxis para o Kuvango, e mesmo até Menongue, os cobradores pendurados nas portas anunciam as rotas aos passageiros que, a cada minuto que passava, afluem ao local: “Matala-Kutato-Kuvango! Ma­­tala-Kutato-Kuvango! Matala-Kutato-Kuvango!”
Os passageiros optam por aquele que lhes oferece as melhores condições de comodidade e tranquilidade. Constantino da Costa, motorista há dez anos, considera que viajar por estrada se tornou a melhor opção para quem pretende deslocar-se para o interior ou para outra província para visitar familiares ou em negócios. “Hoje, viajar por estrada é a melhor opção, porque as estradas estão a ser reabilitadas e ampliadas, o que permite fazer uma viagem da Matala a Kuvango em menos de quatro horas”, explica Constantino da Costa, acrescentando que anteriormente, por causa do mau estado das vias, os automobilistas levavam 11 horas de viagem. Constantino apela aos outros automobilistas à prudência, porque há muitos acidentes por excesso de velocidade e consumo de álcool durante a condução. “Viajar por esta estrada reabilitada é tranquilo, uma vez que não temos de enfrentar engarrafamentos até chegar ao nosso destino. Mas, ainda assim, têm-se registado muitos acidentes por excesso de velocidade e consumo de álcool”, diz.
Entre os passageiros que viajam no táxi de Constantino da Costa, está Jorge Manuel. Casado e pai de cinco filhos, Jorge considera que a reabilitação daquela estrada e de outras mais, são os benefícios da paz que o país vive há sete anos.
“No tempo de guerra não podiamos viajar de carro porque era perigoso. Depois veio a paz e voltámos a viajar de carro pelo país, mas as coisas não estavam boas porque as estradas foram destruídas pela guerra”, disse, acrescentando  que graças ao programa do Governo de recuperação das infra-estruturas, foi possível reabilitar as estradas, vindo, desta forma, proporcionar uma viagem terrestre confortável aos automobilistas e passageiros. “Dentro de duas três horas estamos no Kuvango porque já foram pavimentados muitos quilómetros de estrada. Isto pressupõe que a viagem vai ser tranquila”, contou.
O caminho é longo, por isso alguns preferem dormir, enquanto outros contemplam as belas paisagens que a grande província da Huíla  oferece aos viajantes.
Carlos Sebastião é um comerciante da Matala que há muitos anos tem feito a troca de bens entre o campo e a cidade. “Tenho feito quase sempre esta rota e devo confessar que desde 2007 é possível viajar confortalvemente, em virtude da reabilitação e alargamento da estrada”, explica. Para ele, com a reabilitação das estradas da província, o seu negócio vai voltar a correr bem. “A livre circulação de pessoas e bens entre os vários municípios permite agora aos camponeses venderem na cidade mandioca, banana e ginguba, levando de regresso bens industriais”, afirmou ao Jornal de Angola o comerciante.
Bernabé Cabinda Chuvica, operador de máquinas, diz que, apesar de o salário ser insuficiente, sente-se orgulhoso por dar o seu contributo ao processo de reconstrução e à construção de novas estradas que vão ligar o país.
“Não digo que ganho pouco, mas não dá para satisfazer todas as minhas necessidades. O mais importante é saber que estou a contribuir para a reabilitação das estradas da província da Huíla, em particular, e do país, em geral”, afirma.
José Canhão, igualmente operador de máquinas, é outro filho da Huíla que com a sua força e vontade de vencer trabalha todos os dias para que a Estrada Nacional 280 esteja pronta nos prazos previstos nos contratos.

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