Províncias

Reforçada assistência médica à vila de Maquela do Zombo

José Bule |Maquela

À entrada da sala de consultas externas do novo Hospital Municipal de Maquela do Zombo, no Uíge, um militar das Forças Armadas Angolanas (FAA) ultrapassa as dezenas de pacientes, que aguardam atendimento médico. Ignora tudo e todos. Tenta fazer valer a sua patente de tenente, para ser o primeiro a receber assistência.

Assistência médica e medicamentosa melhorou significativamente em Maquela do Zombo
Fotografia: DR

O enfermeiro em serviço chama-o à razão. “Aqui só damos prioridade aos doentes em estado grave”, afirma, antes de obrigá-lo a ocupar o último lugar da fila. 

Na ocasião, a paciente Maria André não perde a oportunidade para “descarregar” no militar. “Quando é assim chega mais cedo. Nós também somos pessoas como o senhor. A guerra já acabou. Tens pressa de ir combater aonde?”, questiona a mulher, que acompanha a filha adoentada. Tem malária.
Depois da entrada em funcionamento do novo Hospital, em Fevereiro deste ano, melhorou a assistência médica e medicamentosa aos pacientes. Com isso reduziu, significativamente, o número de doentes que atravessava a fronteira, em busca de cuidados especiais de saúde nos hospitais da vizinha República Democrática do Congo (RDC).
A unidade tem capacidade para 76 camas e oferece serviços de internamento, urgências, cirurgia, ginecologia e obstetrícia, farmácia, análises clínicas, consultas externas, uma morgue com capacidade para 12 corpos, área de aconselhamento e testes voluntários de VIH/Sida e do Programa Alargado de Vacinação. A imagiologia ainda não funciona por falta de pessoal qualificado.
A unidade sanitária foi erguida no átrio do antigo hospital e funciona com oito médicos e 45 enfermeiros, dos quais quatro licenciados.
O director interino do hospital, Estêvão Mena Bambi, disse ao Jornal de Angola que a instituição necessita de mais 15 médicos especialistas em urologia, cuidados intensivos, odontologia, ortopedia e clínica geral.
“No laboratório trabalham quatro técnicos de diagnóstico. Apenas dois são efectivos”, afirma o médico, para explicar que os materiais gastáveis e medicamentos deixaram de ser um problema para a população local. Em média, o Hospital de Maquela do Zombo, que aumentou a sua capacidade de internamento para 178 camas, recebe 150 pacientes por dia.
Algumas salas da antiga estrutura hospitalar foram reabilitadas e os seus 102 leitos continuam em uso. Segundo o director da instituição, Estêvão Bambi, os cerca de 23 milhões de kwanzas que recebe, todos os meses, não chegam para resolver os problemas. “Precisamos de mais sete milhões”, afirma.
Em Maquela do Zombo, a comunicação é feita na língua nacional quicongo e em lingala (língua da RDC). No hospital local, por exemplo, fica cada vez mais difícil distinguir os congoleses dos cidadãos angolanos. “Fica difícil saber quantos estrangeiros da RDC recebem assistência médica e medicamentosa no nosso hospital”, disse Lucrécio Álvaro, da Direcção Municipal da Saúde.
Na fronteira com a vizinha República Democrática do Congo (RDC), o Jornal de Angola constatou que os congoleses, que beneficiam de assistência no posto de saúde de Quimbata, saem de Quimpago, província do Baixo Congo. Mas a maioria dos pacientes é angolana residente nas aldeias situadas ao longo da fronteira.
O município conta com um hospital, oito centros e 17 postos de saúde, que funcionam com oito médicos e 56 enfermeiros, dos quais 45 são efectivos e 11 contratados. Na região decorrem várias acções de sensibilização para evitar que os habitantes troquem as unidades sanitárias pelas casas de cura. “Queremos reduzir as mortes por negligência”, declara.

Água imprópria
Mais de 50 por cento dos 146.320 habitantes não consome água potável. Há mais de quatro anos que as obras do novo sistema de captação e distribuição paralisaram, por falta de pagamentos.
“A obra apresenta um nível de execução física acima de 85 por cento. A empreiteira já não aceita avançar com os trabalhos, porque o Governo Provincial do Uíge ainda não pagou absolutamente nada”, afirma o administrador de Maquela do Zombo, Ntóto André Faitoma.
Quanto à energia, mais de 90 por cento da população residente na vila municipal tem luz eléctrica em casa. Apenas quatro bairros aguardam pela conclusão dos trabalhos de expansão da rede, que depois segue em direcção às comunas de Quibocolo, Sacandica, Béu e Cuilo Futa.

Tempo

Multimédia