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Saída de produtos está condicionada

José Bule| Uíge

As 49 mil famílias que desenvolvem actividade agrícola em Maquela do Zombo enfrentam muitas dificuldades. As vias que ligam a sede municipal às comunas de Béu, Sacandica e Cuilo Futa estão muito degradadas e as pontes destruídas, facto que torna impossível o processo de escoamento dos produtos cultivados nestas localidades.

Mais de 40 mil famílias camponesas dedicam-se à agricultura e dizem estar preocupadas porque não sabem como escoar os produtos
Fotografia: Jornal de Angola

As 49 mil famílias que desenvolvem actividade agrícola em Maquela do Zombo enfrentam muitas dificuldades. As vias que ligam a sede municipal às comunas de Béu, Sacandica e Cuilo Futa estão muito degradadas e as pontes destruídas, facto que torna impossível o processo de escoamento dos produtos cultivados nestas localidades.
Manuel Tomás Suamino, responsável da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), está preocupado com a situação. Por isso apelou às instâncias superiores no sentido de darem uma solução ao problema, que já se arrasta há alguns meses.
“Na localidade de Maquela do Zombo nós procuramos introduzir novas tecnologias no meio rural, como o uso de pesticidas, com vista ao aumento da produção e da produtividade, para além de apoiarmos os camponeses locais com meios de trabalho e sementes”, disse.
 A agricultura praticada no município ainda é desenvolvida com muitas dificuldades, referiu, por falta de tractores com as respectivas alfaias para o alargamento das áreas agrícolas, moto-bombas e de outros meios que possam contribuir para o desenvolvimento agro-pecuário da região.
 Os mercados da sede municipal de Maquela do Zombo, Quibocolo, Masseque e Quimana são os principais pontos de venda dos produtos agrícolas cultivados na região. Até agora, a localidade de Nkavudi tem sido a área de maior produção.
 Neste ano agrícola os camponeses do município prevêem colher mais de 20 toneladas de produtos diversos. A população dedica-se, essencialmente, ao cultivo da mandioca, batata-doce, amendoim, milho, batata rena, entre outros produtos.
 A equipa de reportagem do Jornal de Angola apurou, na localidade, que os cerca de 7.895 angolanos expulsos da República Democrática do Congo (RDC) concentrados no município de Maquela do Zombo já estão realojados.
A administração municipal distribuiu alguns campos agrícolas nas localidades de Quinzau, Mbuzo, Valódia e na fazenda Mil Kwanzas, num total de 10 hectares de terra, onde desenvolvem a actividade agrícola para o seu sustento. 

Faltam professores e salas de aula
 
O município necessita de 3.500 professores e mais de três mil salas de aula para que não haja mais alunos a estudarem debaixo de árvores, nem crianças fora do sistema normal de ensino, informou o administrador municipal interino, Ntoto André Nfua Itoma.  
 Segundo o administrador, o município tem 127 escolas mas apenas 101 funcionam. São no total 26 escolas que têm as portas encerradas, por falta de professores. No presente ano lectivo foram matriculados mais de 25 mil alunos e Nfua Itoma informou que apenas 385 professores asseguram o funcionamento normal do sector da educação local.
 
Sector da Saúde
 
Também quatro centros e 10 postos de saúde que funcionam na região necessitam de técnicos para melhorar a assistência sanitária aos 555.630 habitantes que o município possui.
Maquela também tem um hospital municipal cuja capacidade é de 110 camas. O estado físico do edifício, onde funcionam as diferentes áreas assistenciais, carece de reabilitação urgente.   Na referida unidade hospitalar funcionam 24 enfermeiros e seis médicos. Apenas um dos médicos é de nacionalidade angolana, sendo os outros coreanos (3) e russos (2).
 João Eliko Mayamuene, director-geral do hospital, disse que a unidade necessita de pelo menos mais 300 enfermeiros para poder atender a procura sem grandes constrangimentos.
Referiu que o abastecimento em medicamentos e material gastável é regular.  O hospital dispõe de serviços de maternidade, pediatria, cirurgia e medicina geral. A média de pessoas que procuram o hospital é de 40 por dia, sendo que a maioria apresenta sintomas de paludismo, doenças respiratórias agudas e crónicas, diarreias e febre tifóide.
 
Energia e Água

 
 A população de Maquela do Zombo ainda não beneficia de água potável. “Temos grandes dificuldades neste capítulo.
Mas destacamos a comuna de Quibocolo onde já está em construção um centro de captação de água”, disse o administrador Ntoto André Nfua Itoma.  
Quanto a energia eléctrica, a sede municipal depende de um gerador de 650 kva, que tem sido incapaz de fornecer electricidade a todos os habitantes do município sede e a garantir a iluminação pública da vila.
 Ntoto Nfua Itoma referiu, entretanto, que a rede de distribuição de energia necessita de reabilitação, para além da necessidade de instalação de um grupo gerador de maior potência.
 
Fronteira segura

“As fronteiras estão agora mais seguras do que nunca, porque os estrangeiros que tentam violá-la são capturados”, disse o administrador, sustentando que os efectivos da polícia de guarda fronteiriça estão atentos às movimentações dos invasores.
Ntoto André Nfua Itoma disse que os postos fronteiriços estão agora melhor servidos, tendo em conta o nível de operacionalidade dos efectivos dos Serviços de Emigração e Estrangeiros (SME), que não dão tréguas aos estrangeiros que tentam penetrar, ilegalmente, através dos postos fronteiriços do Kimbata, Malele, Sabango, e pelo posto fiscal de Béu.

 Chuvas destruidoras
 
Pelo menos 250 famílias, nas localidades de Béu e Quibocolo, perderam os seus haveres em consequência das fortes chuvas que caem insistentemente sobre a região.  O administrador interino informou que as vítimas ainda não beneficiaram de apoios. “Nesta altura eles foram alojados pelos seus vizinhos enquanto aguardam por apoios do governo e da sociedade civil”, disse. 
 
Campanha anti-rábica

A população de Maquela do Zombo ouviu o apelo das autoridades locais e, nesta altura, aderem em massa aos postos de vacinação contra a raiva, onde os seus animais são vacinados.   No posto instalado junto da administração municipal de Maquela do Zombo, a equipa de reportagem do Jornal de Angola testemunhou a grande movimentação de pessoas interessadas em ver os seus animais livres da raiva.  Eric Lussoki, director provincial da Agricultura, que esteve presente no local, disse que a sua direcção prevê vacinar mais de três mil animais domésticos em Maquela do Zombo.

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